{"id":1734,"date":"2006-11-20T13:28:26","date_gmt":"2006-11-20T16:28:26","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/odisseia-completa-do-meu-dvd"},"modified":"2006-11-20T13:28:26","modified_gmt":"2006-11-20T16:28:26","slug":"odisseia-completa-do-meu-dvd","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/odisseia-completa-do-meu-dvd\/","title":{"rendered":"Odiss\u00e9ia completa do meu DVD"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/fazendo.gif\" align=\"right\">Talvez essa seja uma boa hora para explicar a todos a raz\u00e3o pela qual as atualiza\u00e7\u00f5es estejam ficando raras por aqui. Normalmente, eu tenho as manh\u00e3s livres para dar uma navegada, rabiscar algumas id\u00e9ias, responder e-mails&#8230; Mas h\u00e1 exatamente um m\u00eas resolvi dedicar meu tempo extra em uma causa que julgava perdida. Mas que acabou se revelando muito interessante e prazerosa. Pois bem, estou finalizando um DVD.<\/p>\n<p>Antes que voc\u00ea venha me dizer que consegue fazer isso em alguns minutos, vamos aos detalhes. Voc\u00ea j\u00e1 deve estar careca de saber: h\u00e1 um ano, <a href=\"\/blog\/secoes\/especial-marmota-na-alemanha\"><b>fiz um curso na Alemanha<\/b><\/a>. Levei minha Mini DV a tiracolo, al\u00e9m de algumas fitinhas. Trouxe na bagagem quase cinco horas de imagens e algumas reclama\u00e7\u00f5es dos amigos que l\u00e1 deixei: o ideal seria assistir ao v\u00eddeo finalizado no \u00faltimo dia de aula&#8230; E tudo que consegui foi, meses depois, uma edi\u00e7\u00e3o meia-boca de apenas dez minutos &#8211; que voc\u00ea <a href=\"\/blog\/2006\/10\/23\/1673\"><B>j\u00e1 viu aqui<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>Independente do prazo, eu prometi a todos um DVD compilado. Um dia sairia. Enfim, passei os \u00faltimos dias fazendo a decupagem, capturando, editando e produzindo a baga\u00e7a. Cheguei a conclus\u00e3o de que, mesmo com equipamentos decentes, s\u00f3 conseguiria fazer um trabalho bacana durante a viagem se deixasse de dormir &#8211; e ainda assim talvez n\u00e3o terminasse a tempo. Talvez se eu tivesse ao meu lado uma equipe de produ\u00e7\u00e3o, com cinegrafista, editor de imagens&#8230;<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/barrale.jpg\"><\/div>\n<p><u>Um ano de atraso<\/u> &#8211; Demorei uma vida para come\u00e7ar a fazer, mas no fim das contas, n\u00e3o me arrependo. Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, o trabalho come\u00e7ou exatamente um ano depois da viagem, fato que serviu de motiva\u00e7\u00e3o extra. Afinal de contas, enquanto capturava as cenas e anotava o que tinha gravado, todas as datas e hist\u00f3rias vinham \u00e0 tona: desembarquei na Alemanha num dia 15, conheci o est\u00e1dio do Schalke num dia 21, fui a Berlim pela primeira vez num dia 25&#8230; Provavelmente, se tivesse feito isso durante o curso ou logo depois, o efeito n\u00e3o seria o mesmo. Posso at\u00e9 imaginar minha rea\u00e7\u00e3o nost\u00e1lgica quando conseguir desenterrar meus antigos registros em VHS-C&#8230;<\/p>\n<p>Mas vamos aos meandros t\u00e9cnicos. Apesar da indiscut\u00edvel qualidade de imagem da Mini DV, o processo de captura n\u00e3o \u00e9 100% digital (entenda-se &#8220;arrastar&#8221; arquivos como se fosse um cart\u00e3o de mem\u00f3ria). A leitura \u00e9 feita por um cabo FireWire em tempo real. Ou seja, para cinco horas de grava\u00e7\u00e3o, levei pelo menos cinco horas, al\u00e9m da limita\u00e7\u00e3o do hardware.<\/p>\n<p>Tudo capturado, hora de organizar as cenas. Para cortar, colar, sobrepor, mixar e todos os seus afluentes, contei com a for\u00e7a do <a href=\"http:\/\/www.apple.com\/br\/finalcutstudio\/finalcutpro\"><b>Final Cut Pro<\/b><\/a>. E essa parte ocupou tr\u00eas das quatro semanas dedicadas ao projeto. Al\u00e9m de rever pelo menos duas vezes todas as imagens, decidir sobre o que entra ou o que vai para o lixo \u00e9 desafiante.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que, enquanto filmava tudo, j\u00e1 tinha em mente como seria o produto final. Abarrotado das primeiras imagens, tomei nota dos assuntos e gravei depoimentos da maioria dos participantes sobre cada um deles. Essas declara\u00e7\u00f5es serviram como &#8220;off&#8221; (quer dizer, a declara\u00e7\u00e3o que explica a imagem). Foi s\u00f3 seguir tudo em ordem cronol\u00f3gica, renderizar e salvar as sequ\u00eancias de acordo com os assuntos.<\/p>\n<p>Outro desafio nesse processo: decidi identificar todos os personagens que aparecem nas imagens. Em alguns casos, simplesmente n\u00e3o fiz anota\u00e7\u00f5es mais detalhadas &#8211; registrei s\u00f3 o primeiro nome, ou nem isso. Felizmente, Pai<br \/>\nGoogle foi maravilhoso: s\u00f3 n\u00e3o encontrei nome e sobrenome de duas pessoas &#8211; que, fugindo do jornalismo correto, foram identificados por apelidos inventados por mim. E vamos em frente.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/barrale.jpg\"><\/div>\n<p><u>Quase tudo sobre DVD<\/u> &#8211; O Macintosh \u00e9 perfeito para captura e edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos, mas para transformar a montagem num disquinho compat\u00edvel com qualquer leitor arcaico de DVD, a coisa complica. Nas \u00fanicas vezes que tinha feito isso, usei o iDVD, esp\u00e9cie de &#8220;DVD for dummies&#8221;. Mas esse tem uma limita\u00e7\u00e3o: 90 minutos de imagens.<\/p>\n<p>Com isso, parti para outra via sacra. O primeiro passo \u00e9 exportar o projeto para os formatos finais. S\u00e3o dois arquivos separados: o de v\u00eddeo, em MPEG, e o de \u00e1udio, que tamb\u00e9m pode ser MPEG ou ainda DTS, PCM, SDDS ou AC-3 &#8211; o Dolby Digital.<\/p>\n<p>Nessa descoberta, constatei que poderia ter feito, por exemplo, a grava\u00e7\u00e3o do \u00e1udio separadamente, com v\u00e1rios microfones. Assim, criaria um arquivo final no formato Dolby 5.1 &#8211; com seis faixas diferentes, com direito a efeitos surround. Como n\u00e3o tive nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o sonora (usei apenas o microfone embutido da c\u00e2mera), o resultado final foi um arquivo .ac3 Dolby 2.0 &#8211; o bom e velho stereo, com lado esquerdo e direito.<\/p>\n<p>Exportar o v\u00eddeo n\u00e3o tem mist\u00e9rio: como o formato da tela \u00e9 720&#215;480, s\u00f3 resta o MPEG-2. Aqui \u00e9 preciso ajustar o &#8220;bit rate&#8221; (quantidade de dados por segundo), de modo a conseguir um arquivo final com cerca de 4Gb, para caber num DVD-R. A compress\u00e3o \u00e9 feita frame a frame, e nessa hora senti falta de um processador mais r\u00e1pido: meu pobre iBook levou umas 20 horas para gerar o arquivo .m2v&#8230;<\/p>\n<p>Com os dois arquivos na m\u00e3o, poderia usar o <a href=\"http:\/\/www.apple.com\/br\/finalcutstudio\/dvdstudiopro\" target=\"_blank\"><b>DVD Studio Pro<\/b><\/a> da Apple &#8211; mas a vers\u00e3o que tenho simplesmente trava no meio da autora\u00e7\u00e3o &#8211; processo que tamb\u00e9m \u00e9 chamado de &#8220;multiplexing&#8221;.<\/p>\n<p>Assim, tive que migrar a parte final do DVD para a plataforma PC. Encontrei um programinha free chamado IfoEdit, que transforma os dois arquivos iniciais nos tais .ifo, .vob e .bup &#8211; aquelas encrencas indecifr\u00e1veis que v\u00e3o dentro de uma pasta video_ts, mas que a maioria dos aparelhos DVD entendem. A \u00fanica limita\u00e7\u00e3o desse brinquedinho \u00e9 que ele n\u00e3o cria nenhum menu principal, nem mesmo legendas. Mas como meu disquinho \u00e9 em portugu\u00eas e n\u00e3o tem nenhum extra, dispensei as frescurinhas.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/barrale.jpg\"><\/div>\n<p><u>Produ\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie<\/u> &#8211; Um dos programas para PC mais conhecidos nessa \u00e1rea \u00e9 o <a href=\"http:\/\/www.dvdshrink.org\" target=\"_blank\"><b>DVD Shrink<\/b><\/a> (batizado por mim carinhosamente de DVD Shrek). Essa belezinha \u00e9 usada normalmente para reduzir os tais .vob e .ifo para que eles caibam num DVD-R normal. Mas com os arquivos prontos no pr\u00f3prio HD, ele tamb\u00e9m pode ser \u00fatil para gravar algumas c\u00f3pias do produto final.<\/p>\n<p>Aqui surgiu outra d\u00favida: ser\u00e1 que os players da Alemanha ou mesmo de alguns pa\u00edses da Europa v\u00e3o ler um disco DVD-R gravado em NTSC? Ou ser\u00e1 que vou ter que exportar uma c\u00f3pia para o padr\u00e3o PAL, ou ainda outra em VCD, s\u00f3 para garantir? Para n\u00e3o enlouquecer ainda mais, segui em frente com o formato original.<\/p>\n<p>Enquanto minha primeira unidade do filme queimava no gravador, voltei para a prancheta de desenho e come\u00e7ei a desenhar a capinha da caixa. Apesar dos muitos programas pr\u00f3prios para isso, usei o bom e velho Photoshop, levando em conta as medidas mais ou menos comuns dos estojos. Cabe no centro de uma folha sulfite: 272mm de comprimento por 183mm de largura, sendo que a frente e o verso medem 129mm, restando 14mm para o fundo. A vers\u00e3o original da figurinha abaixo est\u00e1 em 72dpi.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/capadvd2011.jpg\"><\/div>\n<p><u>N\u00e3o acaba nunca?<\/u> &#8211; Pessoalmente, achei maravilhoso ocupar minha mente durante um m\u00eas em fun\u00e7\u00e3o de um projeto desse tamanho. Poderia perder meu tempo pensando em todas as pequenas coisas que me frustraram durante o ano. Decidi usar toda minha aten\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o neste DVD.<\/p>\n<p>Mas logo depois que gravei a primeira vers\u00e3o do filme e, todo entusiasmadinho, botei no DVD player para assistir, anotei uma s\u00e9rie de errinhos de edi\u00e7\u00e3o, problemas de compacta\u00e7\u00e3o, divis\u00e3o de cap\u00edtulos&#8230; N\u00e3o resisti a tenta\u00e7\u00e3o e optei por refazer algumas etapas (incluindo aquela que leva 20 horas).<\/p>\n<p>A tenta\u00e7\u00e3o de ficar fazendo isso para o resto da vida, imaginando que esse processo n\u00e3o vai acabar nunca, \u00e9 tentador. Mas \u00e9 como se eu ignorasse o ciclo natural das coisas. Ou pior: \u00e9 como se esse DVD fosse uma droga anestesiante, que me deixaria preso para todo sempre nesse mundo.<\/p>\n<p>Assim, depois do segundo ajuste, decidi encerrar o trabalho duro. Nos pr\u00f3ximos dias, vir\u00e1 outra etapa trabalhosa, mas deliciosa: checar o endere\u00e7o de toda a turma e mandar uma c\u00f3pia do disquinho &#8211; no caso dos paulistanos e dos porto-alegrenses, a entrega ser\u00e1 pessoalmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez essa seja uma boa hora para explicar a todos a raz\u00e3o pela qual as atualiza\u00e7\u00f5es estejam ficando raras por aqui. Normalmente, eu tenho as manh\u00e3s livres para dar uma navegada, rabiscar algumas id\u00e9ias, responder e-mails&#8230; Mas h\u00e1 exatamente um m\u00eas resolvi dedicar meu tempo extra em uma causa que julgava perdida. 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