{"id":1723,"date":"2005-04-22T08:06:13","date_gmt":"2005-04-22T11:06:13","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/escrever-e-cortar-palavras"},"modified":"2005-04-22T08:06:13","modified_gmt":"2005-04-22T11:06:13","slug":"escrever-e-cortar-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/escrever-e-cortar-palavras\/","title":{"rendered":"Escrever \u00e9 cortar palavras"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/fazendo.gif\" align=\"right\"><b>Porto Alegre (RS)<\/b> &#8211; A frase acima \u00e9 atribu\u00edda a Carlos Drummond de Andrade. Tamb\u00e9m j\u00e1 ouvi de editores-chefe de telejornais, preocupados com o tempo das mat\u00e9rias. A verdade \u00e9 que o mundo parece n\u00e3o ter mais pique para engolir grandes quantidades de texto di\u00e1rias. Tamb\u00e9m pode servir como desculpa daquele povo que diz n\u00e3o ter tempo pra nada, nem mesmo ler placa de rua.<\/p>\n<table width=\"250\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"20\" align=\"right\" bgcolor=\"#EEEEEE\">\n<tr>\n<td><font size=\"-1\"><b>Vers\u00e3o UOL Tabl\u00f3ide<\/b><br \/>A id\u00e9ia de que qualquer um pode fazer um microconto j\u00e1 foi defendida pelo meu grande amigo <a href=\"http:\/\/editordouoltabloide.blog.uol.com.br\" target=\"_blank\"><b>Editor do UOL Tabl\u00f3ide<\/b><\/a>, h\u00e1 cerca de um ano, assim que <i>Os Cem Menores Contos Brasileiros do S\u00e9culo<\/i> foram lan\u00e7ados: <\/p>\n<p><i>N&oacute;s, pessoas mortais, tamb&eacute;m podemos criar, mesmo que nossas fant&aacute;sticas e humildes cria&ccedil;&otilde;es n&atilde;o figurem no livro supracitado. E acabei produzindo meus pr&oacute;prios minicontos &#8211; seis, na verdade. E eles s&atilde;o independentes uns dos outros, mas podem ser lidos em seq&uuml;&ecirc;ncia. Em qualquer seq&uuml;&ecirc;ncia, ali&aacute;s.<\/p>\n<p> A surpresa diante da surpresa<br \/> &#8211; Meu Deus!<br \/> &#8211; Meu Deus?!<\/p>\n<p> A indigna&ccedil;&atilde;o diante da surpresa<br \/> &#8211; Meu Deus?!<br \/> &#8211; Ah v&aacute;!!!<\/p>\n<p> O insulto diante da indigna&ccedil;&atilde;o<br \/> &#8211; Ah v&aacute;!!!<br \/> &#8211; Vai voc&ecirc;!!<\/p>\n<p> A ojeriza diante do insulto<br \/> &#8211; Vai voc&ecirc;!!<br \/> &#8211; Voc&ecirc;, hein?<\/p>\n<p>A surpresa diante da ojeriza<br \/> &#8211; Voc&ecirc;, hein?<br \/> &#8211; Meu Deus&#8230;<\/p>\n<p> A surpresa diante da surpresa<br \/> &#8211; Meu Deus&#8230;<br \/> &#8211; Meu Deus?!<\/i><\/font><\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p>Talvez tenha sido esse o mote para o sucesso dos microcontos, que ficaram conhecidos do p\u00fablico tupiniquim com o livro <i>Os Cem Menores Contos Brasileiros do S\u00e9culo<\/i>, organizados pelo <a href=\"http:\/\/www.eraodito.blogspot.com\" target=\"_blank\"><b>Marcelino Freire<\/b><\/a>. Ele mesmo cita o microconto mais famoso do mundo, do escritor guatemalteco Augusto Monterroso. Tem come\u00e7o, meio, fim e 37 letras:<\/p>\n<p>&#8220;Quando acordou, o dinossauro ainda estava l\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>Ele praticamente &#8220;estipulou&#8221; a regra b\u00e1sica para um microconto ao lan\u00e7ar seu livro: basta contar uma hist\u00f3ria usando <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/ilustrada\/ult90u42708.shtml\" target=\"_blank\"><b>no m\u00e1ximo 50 letras, sem contar pontos e espa\u00e7os<\/b><\/a>. Trata-se n\u00e3o apenas de um exerc\u00edcio de s\u00edntese a favor dos tempos modernos, mas um belo desafio liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>Marcelino Freire conseguiu reunir <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/ilustrada\/ult90u42706.shtml\" target=\"_blank\"><b>cem escritores<\/b><\/a> no livro. Nesta semana, os microcontos ganharam outro espa\u00e7o nobre: <a href=\"http:\/\/www.nemonox.com\/1000portas\" target=\"_blank\"><b>A Casa das Mil Portas<\/b><\/a>, projeto do pai da blogosfera tupiniquim <a href=\"http:\/\/www.nemonox.com\/ppp\" target=\"_blank\"><b>Nemo Nox<\/b><\/a>. A id\u00e9ia \u00e9 exibir aleatoriamente uma cole\u00e7\u00e3o de microcontos escritos por blogueiros.<\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m vai ganhar dinheiro com isto e dificilmente algu\u00e9m ficar\u00e1 famoso por causa disto, a id\u00e9ia \u00e9 nos divertirmos e divertir os leitores&#8221;, adiantou Nemo ao convidar a trupe para compor as portas. Os primeiros microcontos da <a href=\"http:\/\/www.nemonox.com\/1000portas\/\" target=\"_blank\"><b>casa<\/b><\/a> foram feitos por <a href=\"http:\/\/oterceirohemisferio.blogspot.com\/\" target=\"_blank\"><b>Affonso Guerrero<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/gardenal.org\/inagaki\/\" target=\"_blank\"><b>Alexandre Inagaki<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/liberallibertariolibertino.blogspot.com\/\" target=\"_blank\"><b>Alex Castro<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/www.desfio.zip.net\/\" target=\"_blank\"><b>Crib Tanaka<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/achcarigudum.blogspot.com\/\" target=\"_blank\"><b>Daniel Q.<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/intermezzo-weblog.blogspot.com\/\" target=\"_blank\"><b>Daniela Bertocchi<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/www.dauroveras.blogger.com.br\/\" target=\"_blank\"><b>Dauro Veras<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/eltonpinheiro.blogspot.com\/\" target=\"_blank\"><b>Elton Pinheiro<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/www.fezocasblurbs.com\/\" target=\"_blank\"><b>Fer Guimaraes Rosa<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/fserb.com.br\/\" target=\"_blank\"><b>Fernando Serboncini<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/badtrip.com.br\/tamarindo\/\" target=\"_blank\"><b>Fred Leal<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/graphorrotor.blogspot.com\/\" target=\"_blank\"><b>Herbert Farias<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/odisseia2005.blogspot.com\/\" target=\"_blank\"><b>Leandro Oliveira<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/blogdosventos.blogspot.com\/\" target=\"_blank\"><b>O. Roman<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/www.mondo-exotica.net\/nacaradogol\/\" target=\"_blank\"><b>Rafael Lima<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/belasimagens.blogspot.com\/\" target=\"_blank\"><b>Renata Crispim<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/smartshadeofblue.brblog.com\/\" target=\"_blank\"><b>Smart Shade of Blue<\/b><\/a> e <a href=\"http:\/\/planeta.terra.com.br\/educacao\/Gutierrez\/\" target=\"_blank\"><b>Su<\/b><\/a>. E vem muito mais por a\u00ed.<\/p>\n<p>Claro que a brincadeira n\u00e3o \u00e9 restrita a escritores ou blogueiros escolhidos a dedo: voc\u00ea tamb\u00e9m pode experimentar e, quem sabe, revelar seu microtalento &#8211; no bom sentido, claro. Se serve como sugest\u00e3o, comece de uma forma bem simples: pegue um texto seu ou escreva uma hist\u00f3ria usando um par\u00e1grafo ou dois. E corte palavras, resuma id\u00e9ias, guarde conceitos nas entrelinhas.<\/p>\n<p>Vejam s\u00f3 o que fiz, sem pensar muito, pensando na id\u00e9ia da &#8220;correria&#8221; &#8211; feita por aqui esses dias:<\/p>\n<p>&#8220;Foi s\u00f3 sair da cama e&#8230; Uia, de repente j\u00e1 cheguei!&#8221;<\/p>\n<p>Escrever \u00e9 f\u00e1cil. Dif\u00edcil \u00e9 ficar bom&#8230; Mas a\u00ed \u00e9 quest\u00e3o de pr\u00e1tica: o importante \u00e9 come\u00e7ar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Alegre (RS) &#8211; A frase acima \u00e9 atribu\u00edda a Carlos Drummond de Andrade. Tamb\u00e9m j\u00e1 ouvi de editores-chefe de telejornais, preocupados com o tempo das mat\u00e9rias. A verdade \u00e9 que o mundo parece n\u00e3o ter mais pique para engolir grandes quantidades de texto di\u00e1rias. 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