{"id":171,"date":"2008-03-31T23:57:37","date_gmt":"2008-04-01T02:57:37","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/a-verdade-sobre-o-primeiro-de-abril"},"modified":"2008-03-31T23:57:37","modified_gmt":"2008-04-01T02:57:37","slug":"a-verdade-sobre-o-primeiro-de-abril","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/a-verdade-sobre-o-primeiro-de-abril\/","title":{"rendered":"A verdade sobre o primeiro de abril"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/fiquepordentro.gif\" align=\"right\" \/>Todo mundo percebeu: como ocorre nos \u00faltimos quinhentos anos, tivemos um dia perfeito para chamar aquela baranga de miss, o chefe pentelho de meu querido ou mesmo aquele governante in\u00fatil de competente. O mundo, que normalmente j\u00e1 \u00e9 uma mentira, celebrou hoje o seu dia oficial.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe uma explica\u00e7\u00e3o precisa para a sua origem. Mas uma busca r\u00e1pida no Google nos leva ao vilarejo de Gotham, na Inglaterra, por volta do S\u00e9culo XIII. Para evitar a cobran\u00e7a de impostos do Rei John, todos os habitantes do lugar se fingiram de doidos durante a visita de um enviado real, justamente no dia primeiro de abril. Sua Majestade caiu na encena\u00e7\u00e3o dos moradores de Gothan, que desde aquele dia, comemoravam o &#8220;dia dos bobos&#8221;.<\/p>\n<p>Existe ainda a vers\u00e3o que considero mais prov\u00e1vel, que leva em conta a mudan\u00e7a para o calend\u00e1rio gregoriano, no S\u00e9culo XVI. Ela foi estabelecida na Fran\u00e7a, pelo Rei Carlos IX. Os franceses, acostumados em comemorar o ano novo na virada de mar\u00e7o para abril, ficaram indignados e continuaram celebrando a passagem de ano nessa \u00e9poca.<\/p>\n<p>Cambada de bobocas. Ou &#8220;peixes de abril&#8221;, como eram chamados por outros franceses, por conta da fartura nos rios durante a primavera europ\u00e9ia. Foi nessa \u00e9poca que surgiram os primeiros convites para festas inexistentes, presentes descabidos, entre outras brincadeiras. O &#8220;bobo de abril&#8221; se espalhou pelo mundo com a mesma facilidade das intermin\u00e1veis bobagens falsas &#8211; e cl\u00e1ssicas nessa data.<\/p>\n<p>O site Museum of Hoaxes &#8211; a palavra inglesa &#8220;hoax&#8221;, derivada de &#8220;hocus pocus&#8221;, \u00e9 o memso que boato &#8211; fez uma sele\u00e7\u00e3o das <a href=\"http:\/\/www.museumofhoaxes.com\/aprilfool2.html\" target=\"_blank\"><b>100 melhores pegadinhas de abril de todos os tempos<\/b><\/a>: floresta de espaguete, decreto para mudar o valor de pi, entre outras asneiras que fizeram sucesso mesmo antes da web. Com a rede, ent\u00e3o, o volume de hist\u00f3rias absurdas, por\u00e9m sensacionais, s\u00f3 aumentou. Como n\u00e3o lembrar com carinho especial dos celulares gratuitos da Ericsson, dos rins roubados e v\u00edtimas em banheiras com gelo, ou mesmo dos gatinhos bonsai?<\/p>\n<p>Mesmo com alertas sistem\u00e1ticos &#8211; <a href=\"http:\/\/br.wired.com\/wired\/cultura\/0,1153,14849,00.html\" target=\"_blank\"><b>como este, da revista Wired<\/b><\/a>, que lembra causos como a fonte de energia inesgot\u00e1vel, o grill George Foreman com entrada USB, a \u00e1gua desidratada, entre outros &#8211; hoje mesmo alguns ve\u00edculos (principalmente alguns sites esportivos brasileiros) embarcaram na hist\u00f3ria da <a href=\"http:\/\/esporte.uol.com.br\/futebol\/ultimas\/2004\/04\/01\/ult59u82125.jhtm\" target=\"_blank\"><b>demiss\u00e3o do pentacampe\u00e3o Felip\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o (\u00e3o?) portuguesa<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;Para um hoax dar certo e ser popular, ele n\u00e3o apenas precisa localizar algo na penumbra do nosso conhecimento, mas tamb\u00e9m deve apresentar suas afirma\u00e7\u00f5es de maneira a fazer as pessoas acreditarem num primeiro momento, embora seja rid\u00edculo se pensarmos um pouco mais a respeito&#8221;, diz Alex Boese, criador do <a href=\"http:\/\/www.museumofhoaxes.com\/aprilfool2.html\" target=\"_blank\"><b>Museum of Hoaxes<\/b><\/a>, na mat\u00e9ria da Wired.<\/p>\n<p>Mas nem tudo se resume a boatos ou brincadeiras de mau gosto &#8211; algumas com &#8220;fundo de verdade&#8221;, como bem lembram alguns visitantes. Meu amigo Bent\u00e3o conta uma hist\u00f3ria sensacional, dos tempos em que ainda trabalhava num conhecido di\u00e1rio do interior paulista: num primeiro de abril qualquer, os leitores foram surpreendidos com manchetes falsas logo na primeira p\u00e1gina do jornal. Todas elas. Eram &#8220;not\u00edcias que gostar\u00edamos de ler&#8221;, nada muito absurdo. A capa correta, com as chamadas reais, estava na p\u00e1gina dois.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o? Absurdo mesmo s\u00e3o as not\u00edcias de sempre, como se todos os dias fossem primeiro de abril&#8230; Em meio a piadinhas e mentirinhas, n\u00e3o custa nada trabalhar, ou mesmo torcer, para que algumas delas saiam da imagina\u00e7\u00e3o e tragam algo positivo em nossas vidas.<\/p>\n<p><i>(Postado em 01\/04\/2004)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo mundo percebeu: como ocorre nos \u00faltimos quinhentos anos, tivemos um dia perfeito para chamar aquela baranga de miss, o chefe pentelho de meu querido ou mesmo aquele governante in\u00fatil de competente. O mundo, que normalmente j\u00e1 \u00e9 uma mentira, celebrou hoje o seu dia oficial. N\u00e3o existe uma explica\u00e7\u00e3o precisa para a sua origem. 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