{"id":1703,"date":"2012-01-22T01:11:39","date_gmt":"2012-01-22T04:11:39","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/recomecando-de-onde-paramos"},"modified":"2012-01-22T01:11:39","modified_gmt":"2012-01-22T04:11:39","slug":"recomecando-de-onde-paramos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/recomecando-de-onde-paramos\/","title":{"rendered":"Recome\u00e7ando, de onde paramos"},"content":{"rendered":"<p>Antes de mais nada, um breve coment\u00e1rio. Dias atr\u00e1s recebi um e-mail. Era de um desses novos profetas do maravilhoso universo moldado com a esfarelenta massinha de modelar da m\u00eddia social. Come\u00e7ava com um safado &#8220;ol\u00e1&#8221; impessoal, seguido de &#8220;como voc\u00ea sabe, eu sou aquele cara que todo mundo conhece e estou cuidando de um neg\u00f3cio&#8230;&#8221;. Juro que, antes de escrever as linhas que seguem, veio uma vontade enorme de n\u00e3o provocar em voc\u00ea a mesma sensa\u00e7\u00e3o rarefeita que senti diante da minha caixa postal.<\/p>\n<p>Por isso, vou partir da premissa de que voc\u00ea, amigo navegante, ao clicar de repente em algum lugar abriu um texto de blog escrito em 2012 (j\u00e1 d\u00e1 pra chamar isso de &#8220;vintage&#8221;?), n\u00e3o sabe nada sobre mim, menos ainda sobre uma pagininha de nome &#8220;marmota maia dos mesmos&#8221;, assim mesmo, no plural.<\/p>\n<p>Marmota sou eu. Encantado em v\u00ea-lo aqui. N\u00e3o \u00e9 nome, evidentemente. Este \u00e9 Andr\u00e9, como devo ser lembrado por boa parte dos meus interlocutores. Meus pais, meu irm\u00e3o e minha cunhada vez ou outra falam D\u00e9. Algo similar ao que algumas das minhas ex-namoradas faziam &#8211; uma delas grafava &#8220;Deh&#8221; em nossas trocas de cart\u00f5es. Outra grande mulher que conhe\u00e7o gosta de dizer meu nome e sobrenome, numa linda e marcante formalidade \u00edntima: Andr\u00e9 Rosa. Nem sempre o achei belo. Muito antes da garotada banalizar o termo bullying, meus coleguinhas do prim\u00e1rio cantavam a musiquinha de um comeercial alusivo ao lan\u00e7amento dos bonecos da Turma da M\u00f4nica. Dizia &#8220;Chiiico Beeento e Rosiiinha&#8230;&#8221;. E Rosinha era eu.<\/p>\n<p>De uns tempos pra c\u00e1, tamb\u00e9m me chamam bastante de &#8220;professor&#8221;. Foi o que decidi fazer da minha vida, depois de me divertir uns dez anos com jornalismo esportivo. Tenho amigos que perguntam se, al\u00e9m de dar aulas, tamb\u00e9m trabalho. Alguns destes, sem brincadeira. Eu mesmo sinto uma saudade danada da reda\u00e7\u00e3o, dos inc\u00eandios, da correria, das pizzas \u00e0s quartas-feiras durante a rodada. Ent\u00e3o me dou conta que posso me dar ao luxo de programar uma vida a partir de finais de semana e feriados. Tamb\u00e9m olho por uma fresta na porta do mundo ca\u00f3tico que habitava: muitas das coisas que gostava n\u00e3o est\u00e3o mais l\u00e1, enquanto ra\u00edzes daninhas se fixaram no tronco. A\u00ed a saudade passa.<\/p>\n<p>Foi durante uma tarde rotineira de labuta, em 4 de setembro de 2002, que lembrei do papo com uma colega sobre algum site bacana mantido por um sujeito qualquer. Figura que talvez a gente nunca teria chance de saber o que gosta, o que pensa, o que faz. N\u00e3o entendia exatamente por que um amontoado de cotidianidades interessaria outra pessoa. Mas achei aquele sisteminha de publica\u00e7\u00e3o simples, robusto e fascinante. Em poucos cliques, tinha um blog. Este aqui, pra ser exato.<\/p>\n<p>Naquele ano, muita gente plugada na rede teve a mesma id\u00e9ia. Compartilhavam sua presen\u00e7a por meio de uma interface baseada em teias compostas por zeros e uns. At\u00e9 por isso, imaginava que o meu cantinho surgiu para ser mais um entre os muitos. Quer dizer, os mesmos. Aquela grande mulher que me referia h\u00e1 pouco me disse certa vez: a primeira impress\u00e3o a meu respeito n\u00e3o foi das melhores. &#8220;Vou escrever pra esse idiota pra dizer que o correto \u00e9 mais do mesmo&#8221;. Mal saberia que nossa conviv\u00eancia, bem como o nome deste espa\u00e7o, tamb\u00e9m teria um bocado de licen\u00e7a po\u00e9tica.<\/p>\n<p>Enfim. Contrariando o nome, este blog j\u00e1 mudou de sistema, de URL, de companhia. Come\u00e7ou no promissor &#8220;marmota.blogger.com.br&#8221;, e em poucas semanas, foi catapultado aos p\u00edncaros da fugaz popularidade virtual pelas constantes men\u00e7\u00f5es dos editores do servi\u00e7o mantido pela Globo.com. Ganhou dom\u00ednio pr\u00f3prio e experimentou o Movable Type, uma demonstra\u00e7\u00e3o perfeita de tecnologia incapaz de se mostrar pertinente no decorrer do tempo. Namorou um tempinho com o WordPress antes de se casar com um projeto que sintetizou um per\u00edodo de efervesc\u00eancia: blogs organizados em condom\u00ednios, planos de neg\u00f3cio, monetiza\u00e7\u00e3o, manchetes que saltavam dos cadernos de inform\u00e1tica para as revistas semanais. Era divertido, ainda que <a href=\"http:\/\/dialetica.org\/marmota\/blogueiro-famoso-e-igual-a-miss-cangaiba\" title=\"E essa camiseta n\u00e0o me serve mais...\"><b>blogueiro famoso seja igual a Miss Canga\u00edba<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>Por fim, influenciado por uma grande mulher (se n\u00e3o s\u00e3o elas em nossas vidas, hein&#8230;), meus textos organizados em ordem descrescente de data atracaram num portalzinho familiar, como se fosse aquela pracinha onde pessoas bacanas viessem bater papo ao redor do coreto. Um lugar t\u00e3o legal que, se procurar por algum <a href=\"http:\/\/dialetica.org\/becoescuro\" title=\"No beco escuro explode a viol\u00eancia...\"><b>beco escuro<\/b><\/a>, o incauto d\u00e1 de cara com um poeminha.<\/p>\n<p>E l\u00e1 se v\u00e3o, puxa vida, dez anos. Podemos dizer que este intervalo de tempo come\u00e7a com algum heavy-user da web programando tr\u00eas ou nove postagens por meio de uma arcaica combina\u00e7\u00e3o de PHP com MySQL, antecipando a descri\u00e7\u00e3o de seu casamento com algumas cores e tons; e termina com este mesmo usu\u00e1rio exibindo em sua timeline do Facebook uma sutil mudan\u00e7a de status para &#8220;solteiro&#8221;, coisinha que cabe em pouco menos de 140 espa\u00e7os. No meio destes dois pontos, cabem uns 60 milh\u00f5es de brasileiros olhando atrav\u00e9s de janelas amig\u00e1veis baseadas em textos, fotos e v\u00eddeos, descobrindo as alegrias e decep\u00e7\u00f5es humanas de um jeito nada f\u00e1cil de se entender. Ainda que eu duvide, talvez tenhamos sido mais inteligentes algum dia, como disse aquele outro jornalista.<\/p>\n<p>Mas enfim. Eu mesmo me sentia uma fraude quando comecei a dar aulas de verdade. Foi assim que investi algum tempo (e alguma grana) em um mestrado acad\u00eamico. Qualquer dia desses pretendo escrever mais sobre esse per\u00edodo. Mas j\u00e1 posso adiantar que foi um processo repleto de obst\u00e1culos&#8230; Dos dois anos que tive para entregar a disserta\u00e7\u00e3o, levei um ano e meio s\u00f3 para entender o que estava fazendo! De qualquer forma, gostei bastante <a href=\"http:\/\/www.facasper.com.br\/pesquisas\/pesquisa\/index.php\/analise-de-processos-comunicacionais-assincronos-para-colaboracao-em-um-ambiente-virtual-de-aprendizagem-aberto,111.html\" title=\"Baixe e, se tiver alguma d\u00favida, d\u00ea um al\u00f4!\"><b>do resultado final<\/b><\/a>. Tanto que j\u00e1 penso seriamente em como vai ser meu doutorado &#8211; definitivamente, j\u00e1 fui mais inteligente algum dia.<\/p>\n<p>Ah, sim. Nesse meio tempo, como todo castigo pra pobre \u00e9 pouco, fui levado a outra investiga\u00e7\u00e3o de cunho acad\u00eamico: levantar hip\u00f3teses e aplica\u00e7\u00f5es emp\u00edricas relacionadas ao desejo das grandes mulheres. \u00c9 uma arapuca sem fundo, mas j\u00e1 redigi a conclus\u00e3o. Cabe em cinco palavras: &#8220;elas sempre querem outra coisa&#8221;.<\/p>\n<p>Olho para frente e vejo ao longe perspectivas interessantes. Mas tamb\u00e9m gosto muito de olhar para tr\u00e1s, e este blog \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de fragmentos que, em um clique, emergem do passado e reaparecem. Enquanto passava as \u00faltimas semanas brincando de aparar a grama, varrer o quintal, <a href=\"http:\/\/dialetica.org\" title=\"D\u00ea uma navegada por a\u00ed e veja o que andei fazendo!\"><b>ajustar templates<\/b><\/a> e atualizar wordpress, encontrei coment\u00e1rios perdidos e sem aprova\u00e7\u00e3o nos cantos da sala. Como as jovens admiradas com a <a href=\"http:\/\/dialetica.org\/marmota\/o-taurino-na-festa-da-aquariana\" title=\"Baseado em fatos quase reais\"><b>rela\u00e7\u00e3o de um taurino com uma aquariana<\/b><\/a>, compartilhando suas experi\u00eancias similares &#8211; e pensar que a mo\u00e7a que inspirou essa trama j\u00e1 \u00e9 m\u00e3e. Ou na legi\u00e3o de pilotos, aeromo\u00e7as e passageiros divergindo sobre a experi\u00eancia de <a href=\"http:\/\/dialetica.org\/marmota\/pantanal-como-e-voar-num-onibus-com-asas\" title=\"\u00d4nibus com asas!\"><b>voar num ATR-42 da Pantanal<\/b><\/a>. E os mais injuriados, que frequentam o link mais acessado em todo o Dialetica.org: gente frustrada ao esbarrar na minha receita para <a href=\"http:\/\/dialetica.org\/marmota\/como-fazer-um-carrinho-de-controle-remoto\" title=\"N\u00e3o leve a vida t\u00e3o a s\u00e9rio\"><b>fazer um carrinho de controle remoto<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>Foi assim que percebi duas coisas. A primeira: entre as muitas formas de se aproveitar um blog, agrada-me a possibilidade de escrever despretensiosamente sobre o que der na telha (como agora), criar la\u00e7os com quem aparece para dar uma lida ou mesmo conversar, reunir cada uma destas palavras num reposit\u00f3rio capaz de compor minha identidade e, acima de tudo, n\u00e3o ter pressa para fazer nada disso.<\/p>\n<p>A segunda: estava com saudades disso aqui&#8230; \u00c9 como voltar ao nosso lar depois de um tempo viajando, minhas malas colocar no ch\u00e3o e meu cachorro me sorrir latindo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de mais nada, um breve coment\u00e1rio. Dias atr\u00e1s recebi um e-mail. Era de um desses novos profetas do maravilhoso universo moldado com a esfarelenta massinha de modelar da m\u00eddia social. 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