{"id":1678,"date":"2010-08-08T20:05:37","date_gmt":"2010-08-08T23:05:37","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/da-minha-vontade-de-ser-pai"},"modified":"2010-08-08T20:05:37","modified_gmt":"2010-08-08T23:05:37","slug":"da-minha-vontade-de-ser-pai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/da-minha-vontade-de-ser-pai\/","title":{"rendered":"Da minha vontade de ser pai"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\" \/>Ainda tem quem se surpreenda com esses encontros que come\u00e7am casualmente pela Internet e acabam durando uma vida inteira. Mais distante ainda \u00e9 lembrar que, antes dos bits trocados por computadores, la\u00e7os parecidos eram constitu\u00eddos via ondas eletromagn\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Meg Ryan que o diga. Antes de dar um beijo apaixonado em Tom Hanks em <i>Mensagem pra Voc\u00ea<\/i> ap\u00f3s encontr\u00e1-lo na AOL, fez o mesmo anos antes ao ouvi-lo num programa de r\u00e1dio em <i>Sintonia de Amor<\/i>.<\/p>\n<p>Longe dos roteiros de Hollywood, temos a impress\u00e3o de que a vida escreve hist\u00f3rias ainda mais surpreendentes. Quem poderia imaginar que um desses pedidos apaixonados em ondas curtas seria capaz de dar ao velho Alencar Antunes, casado com a &#8220;tia&#8221; Maria, um final de vida t\u00e3o triste quanto sua exist\u00eancia, mas ao menos digno?<\/p>\n<p align=\"center\">***<\/p>\n<p>O tal &#8220;recadinho do cora\u00e7\u00e3o&#8221; foi propagado no in\u00edcio dos anos 90, mas \u00e9 preciso voltar \u00e0s primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado para entender o contexto. Os caminhos abertos entre Pelotas e cidades pr\u00f3ximas como Cangu\u00e7u, Bag\u00e9 e Jaguar\u00e3o mudaram a vida de fam\u00edlias consolidadas naqueles campos. Houve quem montou armaz\u00e9ns ou entrepostos, mas tamb\u00e9m casas \u00e0 beira da faixa que sempre representaram um mist\u00e9rio &#8211; especialmente num ambiente em que todos se conheciam e se tratavam pelo nome das fam\u00edlias. Era o Rui dos Maciel, a Helena dos Peter&#8230;<\/p>\n<p>E haviam os &#8220;filhos do pequeninho&#8221;. Sabia-se que mantinham um paradouro na estrada, mas nunca exatamente o que ofereciam aos viajantes que passavam por l\u00e1. Ou vai ver que sabiam, mas evitavam falar para n\u00e3o chocar as fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Pensando bem, talvez comentassem sim, carregando nas tintas e dando corpo a um ambiente ainda mais impr\u00f3prio para menores do que, de fato, era&#8230; Mas enfim, o fato \u00e9 que uma das &#8220;filhas do pequeninho&#8221; era tamb\u00e9m a m\u00e3e do Alencar.<\/p>\n<p>A ent\u00e3o Mariazinha nem desconfiava, mas provavelmente chegou a acenar para o jovem Alencar uma ou duas vezes, quando era incumbida de tocar as vacas de casa para o arroio do Passo das Pedras &#8211; o \u00fanico lugar onde era poss\u00edvel banhar os animais ap\u00f3s tratamento com veneno para carrapatos. E \u00e9 estranho imaginar que, se a aproxima\u00e7\u00e3o entre os dois fosse naquela \u00e9poca, o enredo poderia ser bem diferente. Jamais saberemos a raz\u00e3o pela qual Alencar cresceu num ambiente sem amor.<\/p>\n<p align=\"center\">***<\/p>\n<p>Alencar n\u00e3o fazia id\u00e9ia de quem era o seu pai &#8211; nem sua m\u00e3e, desconfia-se. Entendeu mais ou menos o conceito de &#8220;fam\u00edlia&#8221; quando a enigm\u00e1tica &#8220;filha do pequeninho&#8221; decidiu casar com o Antunes, dono de um emp\u00f3rio bem sucedido, vi\u00favo e com quatro filhos. Generoso, assumiu o enteado, registrando-o em seu nome. Imaginava encontrar gente que poderia acolh\u00ea-lo, mas se viu sob o jugo da tresloucada m\u00e3e. A casa nova virou sin\u00f4nimo de masmorra, com direito a toda sorte de maus tratos f\u00edsicos e verbais.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou para que abandonasse logo seu lar. Trocou uma vida de sopapos por uma carreira de gar\u00e7om em diversos bares e bail\u00f5es das redondezas, uma das poucas divers\u00f5es daquela juventude rural. Ali\u00e1s, foi assim que meus pais se conheceram e, l\u00f3gico, fofocavam com os amigos &#8211; entre eles, Maria.<\/p>\n<p>As mesas e balc\u00f5es se tornaram a sala de aula do Alencar. A clientela faceira e bailarina, seus professores. A bebida e o cigarro, seus melhores amigos. Desenvolveu na bo\u00eamia seu estilo, sua prosa, virtude que levou por toda a vida. Tamb\u00e9m foi ali que o \u00e1lcool e a fuma\u00e7a come\u00e7aram a minar sua for\u00e7a de vontade: n\u00e3o faltavam relatos de companheiros, preocupados Alencar atirado em uma cadeira ao fim da noite. N\u00e3o \u00e0 toa, a jovem Maria nunca daria bola para um sujeito desses.<\/p>\n<p>Incr\u00edvel como situa\u00e7\u00f5es inesperadas (h\u00e1 quem as definas simplesmente como &#8220;Deus&#8221;) tentam abrir novos caminhos. Foi gra\u00e7as a sua longa presen\u00e7a na noite que Alencar conheceu sua primeira mulher. Dessa rela\u00e7\u00e3o, nasceu Rosana.<\/p>\n<p>S\u00f3 que esse epis\u00f3dio n\u00e3o teve l\u00e1 um destino dos melhores: desorientada, a mo\u00e7a largou companheiro e filha. Mais desorientado ainda, Alencar fez o que esteve em seu curto alcance: Rosana ficava um tempo com a fam\u00edlia dela, outro com os irm\u00e3os adotivos&#8230;<\/p>\n<p align=\"center\">***<\/p>\n<p>Alencar nunca teve um pai, muito menos algu\u00e9m que o amasse. Natural que entregasse apenas isso para sua primeira filha, que n\u00e3o demorou para seguir a sina dos pais e sumir do mapa. Dif\u00edcil perceber quem sentiu mais solid\u00e3o e desprezo.<\/p>\n<p>Alencar era a personifica\u00e7\u00e3o do que podemos chamar de aus\u00eancia. A tia Maria, curiosamente, era exatamente o oposto: enquanto via seus irm\u00e3os deixarem a casa para casarem e constru\u00edrem seus pr\u00f3prios lares, ela continuava ali, dedicada aos pais. Quando a rela\u00e7\u00e3o entre o trabalho no campo e os dividendos passou a ser desfavor\u00e1vel, esteve ao lado deles na mudan\u00e7a para a cidade.<\/p>\n<p>Sempre que eu passava o final de ano em Pelotas, dava um jeito de visitar a &#8220;tia&#8221; Maria. E era impressionante como, a cada ano, as coisas estavam exatamente iguais. Hoje eu fico me perguntando o que faltou para que ela pudesse &#8220;soltar as amarras&#8221;, ao menos um tiquinho, e aproveitar melhor sua vida&#8230;<\/p>\n<p>Enfim, agora n\u00e3o \u00e9 momento para perguntas complexas. Porque n\u00e3o muito longe dali, o Alencar buscava por uma guinada em sua vida. Sua forma\u00e7\u00e3o como gar\u00e7om o motivou a tentar a carreira de vendedor. Investia cada centavo conquistado em novas mercadorias para comercializar. Como empreendedor, mostrou ter boa l\u00e1bia, mas p\u00e9ssima estrat\u00e9gia: era comum acumular mais quinquilharias do que cruzeiros.<\/p>\n<p>Foi como vendedor que Alencar conheceu sua segunda mulher &#8211; e dessa vez fez o poss\u00edvel para acertar. Casou-se no papel, como manda o figurino. Foram morar numa bela casa alugada &#8211; a garagem, l\u00f3gico, virou dep\u00f3sito de bugigangas. Tiveram tr\u00eas filhos e, finalmente, uma fam\u00edlia que parecia encaminhada.<\/p>\n<p>N\u00e3o fosse por um detalhe: sua mulher faleceu, quando o filho mais novo tinha tr\u00eas anos. As m\u00e1s l\u00ednguas dizem que foi puro desgosto, j\u00e1 que Alencar nunca soube o que \u00e9 amar algu\u00e9m de verdade. Nada disso importa: ao contr\u00e1rio da irm\u00e3 doidivanas Rosana, os tr\u00eas outros filhos de Alencar foram morar com parentes da m\u00e3e &#8211; cada um com um tio, ao que parece. Melhor para as crian\u00e7as, apesar de Alencar se ver, mais uma vez, sozinho.<\/p>\n<p align=\"center\">***<\/p>\n<p>Pe\u00e7o ajuda e desculpas aos meus amigos psic\u00f3logos pela simplifica\u00e7\u00e3o grosseira. Mas ouvi certa vez que, dentro de uma das filosofias poss\u00edveis, todo ser humano pode ser categorizado entre psic\u00f3ticos, neur\u00f3ticos, geol\u00f3gicos, narc\u00f3ticos&#8230; N\u00e3o vou lembrar exatamente, mas entre estes r\u00f3tulos, \u00e9 poss\u00edvel identificar pessoas que, inconscientemente, estar\u00e3o predispostas a preencher vazios. Outras, da mesma forma, esperam encontrar algu\u00e9m que o preencha. Normalmente, s\u00e3o perfis cuja atra\u00e7\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Lembrei disso agora ao me dar conta que a tia Maria \u00e9 tudo. E Alencar, o nada. Fatalmente seria um encontro explosivo, um &#8220;big bang&#8221;. Eles s\u00f3 precisariam de algum daqueles truques inexplic\u00e1veis &#8211; aquilo que muitos definem como &#8220;Deus&#8221;, lembra?<\/p>\n<p>A tia Maria era ouvinte de um programa noturno, repleto de m\u00fasicas grudentas e recadinhos rom\u00e2nticos. Em uma realidade sem aglomera\u00e7\u00f5es ego\u00edstas, telefone ou Internet, \u00e9 poss\u00edvel entender que algumas destas mensagens eram enviadas por solteiros e solteiras em busca de um amor. Pois \u00e9, garotada: antes do disque-amizade ou da sala de chat, os &#8220;encontros no escuro&#8221; funcionavam com cartas ao locutor da esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela nunca falou abertamente sobre isso, mas \u00e9 fato que foram alguns os pretendentes encontrados desta forma. Em um dos finais de ano que estive l\u00e1, ela estava namorando um rapaz muito falante e divertido. Parecia um sujeito boa pra\u00e7a, carinhoso e amigo. Soou maluquice quando soube, antes do Natal seguinte, que o namoro havia acabado &#8211; e que ela j\u00e1 havia marcado casamento com outro!<\/p>\n<p>A essa altura, eu fico pensando: provavelmente a tia Maria deve ter sa\u00eddo com uma por\u00e7\u00e3o de galanteadores ap\u00f3s sintoniz\u00e1-los em casa \u00e0 noite. Evidentemente, nenhum deles era perfeito, e nessas circunst\u00e2ncias, \u00e9 f\u00e1cil criar confus\u00e3o. Talvez aquele cara bacana n\u00e3o tenha lhe dado flores, n\u00e3o sa\u00eda para beber, nem dito palavras doces ou algo assim. Pior pra ele. Enfim, n\u00e3o me admira que nosso inconsciente possa identificar op\u00e7\u00f5es diversas e decidir, inexplicavelmente, apenas pelo simples fato de que &#8220;eu posso preencher o vazio dele&#8221; e vice-versa.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio assim: o autor das palavras doces, que deve ter entregue flores \u00e0 tia Maria e acabou casando com ela h\u00e1 vinte anos, era o Alencar.<\/p>\n<p align=\"center\">***<\/p>\n<p>Ganha um brinde, comprado na loja de R$ 1,99 e comercializado pelo Alencar, quem puder dizer como foi a rela\u00e7\u00e3o entre os dois pombinhos. O pai da tia Maria pouco a aconselhou: morreu dois anos depois, semanas ap\u00f3s o nascimento do Fernando, uma das crian\u00e7as mais queridas que j\u00e1 conheci.<\/p>\n<p>O Alencar sempre gostou muito de seu quinto filho, mas n\u00e3o demorou para a tia Maria conhec\u00ea-lo de verdade&#8230; E n\u00e3o foi f\u00e1cil. As vendas iam mal, mas problemas de sa\u00fade o impediam de procurar um trabalho. Acabava em casa, diante da TV, enquanto a mulher sustentava a fam\u00edlia. A rela\u00e7\u00e3o com os parentes degringolou quando foi a vez da m\u00e3e dela padecer, debilitada. Na tentativa de se dividir entre seu trabalho, a casa e os cuidados da m\u00e3e, Alencar chegou a dizer que &#8220;ela devia receber, dos outros irm\u00e3os, um sal\u00e1rio para cuidar da sogra&#8221;. <\/p>\n<p>Cheguei a visit\u00e1-los uma vez. Tudo o que fiz foi brincar e dar risada com o F\u00ea, enquanto meus pais, na cozinha, se impressionavam com os modos de Alencar. Maltratava n\u00e3o s\u00f3 os convidados, mas tamb\u00e9m a pr\u00f3pria. Eram frequentes os coment\u00e1rios inacredit\u00e1veis dos conhecidos: &#8220;fomos l\u00e1 na Maria e o Alencar n\u00e3o saiu da cama sequer pra dizer oi&#8221;. Ou &#8220;antes de se retirar, o Alencar ainda disse pra Maria guardar as panelas e parar de comer, pois estava gorda como uma porca&#8221;&#8230; Humilhante assim.<\/p>\n<p>Eu me sinto at\u00e9 mal em lembrar que, em qualquer comemora\u00e7\u00e3o reunindo fam\u00edlia e amigos, s\u00f3 a tia Maria e o Fernando apareciam&#8230; E n\u00e3o me importava com a aus\u00eancia do Alencar. Na \u00fanica festa de reveillon que participamos juntos, n\u00e3o consegui abra\u00e7a-los \u00e0 meia-noite, pois precisavam &#8220;voltar logo para casa&#8221;. Mas&#8230; Por que ele n\u00e3o estava l\u00e1? Pois o amargurado n\u00e3o media palavras ao confidenciar para a esposa que &#8220;odiava toda essa gente&#8221;. Ent\u00e3o t\u00e1.<\/p>\n<p align=\"center\">***<\/p>\n<p>Quando estive em Pelotas em janeiro deste ano, para o casamento de uma prima, vi a tia Maria e o Fernando rapidamente, na cerim\u00f4nia. Eles n\u00e3o puderam ir \u00e0 festa, pois queriam ficar em casa com o Alencar. O pr\u00f3prio foi busc\u00e1-los, de carro, em frente \u00e0 catedral. Fui at\u00e9 eles para me despedir dos dois e, ao menos, dar um aperto de m\u00e3o no sujeito &#8211; ele podia me odiar, mas eu n\u00e3o tinha nada com isso.<\/p>\n<p>Alencar estava irreconhec\u00edvel. Abatido. Sombrio. Eram n\u00edtidos os efeitos implac\u00e1veis do \u00e1lcool e do cigarro no decorrer dos anos. Perguntei a ele se, ao menos naquela noite, n\u00e3o valeria a pena esquecer qualquer coisa e curtir uma festinha ao lado de gente querida. A negativa, junto com uma breve despedida, foram as \u00faltimas palavras que troquei com ele.<\/p>\n<p>Soube esses dias que Alencar havia sido internado na UTI, com enfisema pulmonar em estado muito avan\u00e7ado. Nos \u00faltimos dias, tinha sido transferido para um quarto, onde ficou at\u00e9 dar seu \u00faltimo suspiro essa semana.<\/p>\n<p>Numa prosa que teve conosco h\u00e1 pouco, a tia Maria revelou todos estes e muitos outros detalhes da vida deste homem, que passou a vida inteira tentando descobrir o que \u00e9 o amor. Ao que tudo indica, teve uma li\u00e7\u00e3o definitiva antes de morrer. Nas palavras dela, um dos \u00faltimos di\u00e1logos, que partiu de Alencar:<\/p>\n<p>&#8211; Sabe&#8230; Agora eu me pergunto por que eu agi assim&#8230; De um jeito t\u00e3o&#8230; T\u00e3o desumano, menosprezando tanta gente&#8230; Eu tamb\u00e9m me surpreendo porque, mesmo comigo agindo assim, voc\u00ea cuidou de mim&#8230; Sempre esteve ao meu lado&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Ah, eu te amo, e voc\u00ea sabe&#8230; E sinto uma saudade muito grande da gente junto.<\/p>\n<p>E seguraram a m\u00e3o um do outro, bem forte. N\u00e3o era preciso dizer mais nada.<\/p>\n<p align=\"center\">***<\/p>\n<p>Alencar foi embora lamentando n\u00e3o ter feito muita coisa boa em sua vida. Partiu sem se despedir direito da m\u00e3e ou dos parentes emprestados de sua primeira fam\u00edlia num passado muito distante. Deixou este plano sabendo que sua primeira filha, a Rosana, morreu numa pris\u00e3o na Espanha, ap\u00f3s ser presa por tr\u00e1fico, e que seus tr\u00eas filhos do segundo casamento est\u00e3o encaminhados, formados, felizes.<\/p>\n<p>Nunca soube, no entanto, quem era o seu verdadeiro pai. Nasceu e morreu com essa m\u00e1goa. Enfim, dos males, o mais t\u00eanue: se dependesse apenas de seu hist\u00f3rico, o velho Alencar Antunes talvez n\u00e3o tivesse um vel\u00f3rio, ou sequer uma hist\u00f3ria para ser lembrada.<\/p>\n<p>Queria muito dar um abra\u00e7\u00e3o na tia Maria e outro no Fernand\u00e3o, que agora precisa lembrar que \u00e9 o homem da casa. Por fim, esse longo epis\u00f3dio nos deixa uma li\u00e7\u00e3o: ao inv\u00e9s de se arrepender por algo que fez ou deixou de fazer, a melhor coisa do mundo \u00e9 viver.<\/p>\n<p>E hoje, mais do que nunca, acordei com vontade de ser pai.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda tem quem se surpreenda com esses encontros que come\u00e7am casualmente pela Internet e acabam durando uma vida inteira. Mais distante ainda \u00e9 lembrar que, antes dos bits trocados por computadores, la\u00e7os parecidos eram constitu\u00eddos via ondas eletromagn\u00e9ticas. Meg Ryan que o diga. 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