{"id":160,"date":"2008-03-20T23:55:10","date_gmt":"2008-03-21T02:55:10","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/antonio-rocha-neto-e-o-autor-de-duvidas-pascoais"},"modified":"2008-03-20T23:55:10","modified_gmt":"2008-03-21T02:55:10","slug":"antonio-rocha-neto-e-o-autor-de-duvidas-pascoais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/antonio-rocha-neto-e-o-autor-de-duvidas-pascoais\/","title":{"rendered":"Antonio Rocha Neto \u00e9 o autor de &#8220;D\u00favidas Pascoais&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/alo.gif\" align=\"right\" \/>Dois fen\u00f4menos de explica\u00e7\u00f5es controversas costumam povoar blogs iniciantes e caixas de e-mail em todo o mundo: a figura do &#8220;autor desconhecido&#8221; ou o texto ruim assinado misteriosamente por escritores consagrados. Independente das raz\u00f5es, a verdade \u00e9 que n\u00e3o existe palavra encadeada sem algu\u00e9m por tr\u00e1s dela. E s\u00e3o centenas (ou mesmo milhares) de casos em que a \u00f3bvia presen\u00e7a do respons\u00e1vel pelo texto simplesmente n\u00e3o apare\u00e7a, ou esteja assinado como Verissimo, Jabor ou Drummond. E pior: as pessoas continuam espalhando textos dessa forma.<\/p>\n<p>H\u00e1 casos em que as mensagens praticamente ganham vida pr\u00f3pria, aparecendo como por encanto onde menos se espera. Especialmente em festividades pontuais, como a P\u00e1scoa. Acompanhe o texto a seguir, que n\u00e3o tem nada de in\u00e9dito: desde os prim\u00f3rdios do e-mail, recebo o mesmo texto algumas dezenas de vezes, sempre na Semana Santa.<\/p>\n<p><i>&#8211; Papai, o que \u00e9 P\u00e1scoa?<br \/>&#8211; Ora, P\u00e1scoa uhm&#8230; Bem &#8230; Bom, \u00e9 uma festa religiosa.<br \/>&#8211; Igual Natal?<br \/>&#8211; \u00c9 parecido. S\u00f3 que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na P\u00e1scoa, se n\u00e3o me engano, comemora-se a sua ressurrei\u00e7\u00e3o.<br \/>&#8211; Ressurrei\u00e7\u00e3o?<br \/>&#8211; \u00c9, ressurrei\u00e7\u00e3o. Marta, vem c\u00e1!<br \/>&#8211; Sim?<br \/>&#8211; Explica pra esse garoto o que \u00e9 ressurrei\u00e7\u00e3o pra eu poder ler o meu jornal.<br \/>&#8211; Bom, meu filho, ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 tornar a viver ap\u00f3s ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, tr\u00eas dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos c\u00e9us. Entendeu?<br \/>&#8211; Mais ou menos &#8230; Mam\u00e3e, Jesus era um coelho?<br \/>&#8211; Que \u00e9 isso menino? N\u00e3o me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo \u00e9 o Papai do C\u00e9u! Nem parece que esse menino foi batizado&#8230; Jorge, esse menino n\u00e3o pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. At\u00e9 parece que n\u00e3o lhe demos uma educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3! J\u00e1 pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanh\u00e3 mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!<br \/>&#8211; Mam\u00e3e, mas o Papai do C\u00e9u n\u00e3o \u00e9 Deus?<br \/>&#8211; \u00c9 filho, Jesus e Deus s\u00e3o a mesma coisa. Voc\u00ea vai estudar isso no catecismo. \u00c9 a Trindade. Deus \u00e9 Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo.<br \/>&#8211; O Esp\u00edrito Santo tamb\u00e9m \u00e9 Deus?<br \/>&#8211; \u00c9 sim.<br \/>&#8211; E Minas Gerais?<br \/>&#8211; Sacril\u00e9gio!!!<br \/>&#8211; \u00c9 por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Esp\u00edrito Santo?<br \/>&#8211; N\u00e3o \u00e9 o Estado do Esp\u00edrito Santo que comp\u00f5e a Trindade, meu filho, \u00e9 o Esp\u00edrito Santo de Deus. \u00c9 um neg\u00f3cio meio complicado, nem a mam\u00e3e entende direito. Mas se voc\u00ea perguntar no catecismo a professora explica tudinho!<br \/>&#8211; Bom, se Jesus n\u00e3o \u00e9 um coelho, quem \u00e9 o coelho da P\u00e1scoa?<br \/>&#8211; Eu sei l\u00e1! \u00c9 uma tradi\u00e7\u00e3o. \u00c9 igual a Papai Noel, s\u00f3 que ao inv\u00e9s de presente ele traz ovinhos.<br \/>&#8211; Coelho bota ovo?<br \/>&#8211; Chega! Deixa eu ir fazer o almo\u00e7o que eu ganho mais!<br \/>&#8211; Papai, n\u00e3o era melhor que fosse galinha da P\u00e1scoa?<br \/>&#8211; Era, era melhor, ou ent\u00e3o urubu.<br \/>&#8211; Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, n\u00e3o? Que dia que ele morreu?<br \/>&#8211; Isso eu sei: na sexta-feira santa.<br \/>&#8211; Que dia e que m\u00eas?<br \/>&#8211; Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu s\u00f3 aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou tr\u00eas dias depois, no s\u00e1bado de aleluia.<br \/>&#8211; Um dia depois?<br \/>&#8211; N\u00e3o, tr\u00eas dias.<br \/>&#8211; Ent\u00e3o morreu na quarta-feira.<br \/>&#8211; N\u00e3o, morreu na sexta-feira santa &#8230; Ou ter\u00e1 sido na quarta-feira de cinzas? Ah, garoto, v\u00ea se n\u00e3o me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no s\u00e1bado, tr\u00eas dias depois!<br \/>&#8211; Como?<br \/>&#8211; Ah, Pergunte para a sua professora de catecismo!<br \/>&#8211; Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano l\u00e1 na rua?<br \/>&#8211; \u00c9 que hoje \u00e9 s\u00e1bado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malha\u00e7\u00e3o do Judas. Judas foi o ap\u00f3stolo que traiu Jesus.<br \/>&#8211; O Judas traiu Jesus no s\u00e1bado?<br \/>&#8211; Claro que n\u00e3o! Se ele morreu na sexta!!!<br \/>&#8211; Ent\u00e3o por que eles n\u00e3o malham o Judas no dia certo?<br \/>&#8211; \u00c9, boa pergunta. Filho, atende o telefone pro papai. Se for um tal de Rog\u00e9rio diz que eu sa\u00ed. <br \/>&#8211; Al\u00f4, quem fala?<br \/>&#8211; Rog\u00e9rio Coelho Pascoal. Seu pai est\u00e1?<br \/>&#8211; N\u00e3o, foi comprar ovo de P\u00e1scoa. Ligue mais tarde, tchau.<br \/>&#8211; Papai, qual era o sobrenome de Jesus?<br \/>&#8211; Cristo. Jesus Cristo.<br \/>&#8211; S\u00f3?<br \/>&#8211; Que eu saiba sim, por qu\u00ea?<br \/>&#8211; N\u00e3o sei n\u00e2o, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. S\u00f3 assim esse neg\u00f3cio de coelho da P\u00e1scoa faz sentido, n\u00e3o acha?<br \/>&#8211; Coitada!<br \/>&#8211; Coitada de quem?<br \/>&#8211; Da sua professora de catecismo!!!<\/i><\/p>\n<p>Agora que voc\u00ea j\u00e1 releu, segue uma informa\u00e7\u00e3o que talvez voc\u00ea n\u00e3o saiba. A mensagem a seguir, que recebi h\u00e1 algum tempo, \u00e9 semelhante a outras do mesmo teor, comentadas em in\u00fameros espa\u00e7os que j\u00e1 reproduziram o mesmo texto.<\/p>\n<p><tt>O motivo deste meu contato \u00e9 o de apresentar-me como <b>autor da cr\u00f4nica \u201cD\u00favidas Pascoais\u201d<\/b>.<\/p>\n<p>Sou mineiro de Coronel Fabriciano- MG, mas moro, desde os 12 anos em Vit\u00f3ria- ES. Esta cr\u00f4nica, eu a escrevi j\u00e1 h\u00e1 um bom tempo, deve ter sido em 1986 ou 1987, e j\u00e1 a publiquei em um livro de contos editado pela LITTERIS EDITORA, do Rio de Janeiro, em 1994.<\/p>\n<p>Sou graduado em economia e em filosofia, e mestre em filosofia. Trabalho como economista na Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo e dou aulas de filosofia em duas faculdades particulares da Grande Vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Esclare\u00e7o que a cr\u00f4nica \u201cD\u00favidas Pascoais\u201d est\u00e1 sendo, em muitas p\u00e1ginas da internet em que aparece, atribu\u00edda a um autor desconhecido, ou mesmo ao Luiz Fernando Ver\u00edssimo - o que, no final das contas, me enche de orgulho, pois ser confundido com o Ver\u00edssimo n\u00e3o \u00e9 para qualquer um.<\/p>\n<p>Tenho outras cr\u00f4nicas na mesma linha de humor. Caso queiram conhecer, \u00e9 s\u00f3 entrar em contato.<\/p>\n<p>Um abra\u00e7o,<\/p>\n<p>Antonio Rocha Neto<br \/>rocha(a)prppg.ufes.br<\/tt><\/p>\n<p>Provavelmente a experi\u00eancia do professor Rocha com esse texto deve ter influenciado um bocado em uma suposta decis\u00e3o em criar um blog para publicar suas cr\u00f4nicas&#8230; Mas enfim, independente disso, fa\u00e7a um favor a todos que lhe encaminharem esse texto: responda algo como &#8220;esse texto chama-se D\u00favidas Pascoais, e \u00e9 de Antonio Rocha Neto. Da pr\u00f3xima vez, lembre-se de verificar quem \u00e9 o verdadeiro autor antes de passar o texto para frente&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois fen\u00f4menos de explica\u00e7\u00f5es controversas costumam povoar blogs iniciantes e caixas de e-mail em todo o mundo: a figura do &#8220;autor desconhecido&#8221; ou o texto ruim assinado misteriosamente por escritores consagrados. 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