{"id":1547,"date":"2006-04-19T23:52:24","date_gmt":"2006-04-20T02:52:24","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/sua-bicha-retire-meus-comentarios"},"modified":"2006-04-19T23:52:24","modified_gmt":"2006-04-20T02:52:24","slug":"sua-bicha-retire-meus-comentarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/sua-bicha-retire-meus-comentarios\/","title":{"rendered":"Sua bicha! Retire meus coment\u00e1rios!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"\/blog\/secoes\/alo.gif\" align=\"right\" \/>A blogosfera, assim como qualquer comunidade virtual, \u00e9 um reflexo do nosso povo. Essa turma desembarca na Internet gra\u00e7as ao processo de &#8220;inclus\u00e3o digital&#8221; (?) que se limita a colocar um computador conectado na frente do sujeito.<\/p>\n<p>Um desses &#8220;internautas-padr\u00e3o&#8221; passou por aqui e deixou um coment\u00e1rio no dia 22 de mar\u00e7o de 2004. Dois anos depois, ele entra <b>no mesmo post<\/b> (provavelmente chegou nele via Google) e pede para que eu remova o coment\u00e1rio. Claro que n\u00e3o vi o pedido &#8211; teria sido muito mais inteligente se mandasse um e-mail. Como percebeu que eu n\u00e3o dei bola, decidiu acrescentar outro recado, no mesmo lugar: &#8220;sua bicha, retire meus coment\u00e1rios&#8221;.<\/p>\n<p>Descobri esse \u00faltimo por acaso, na segunda. Dei risada e, contrariando minha habitual falta de tempo, decidi mandar um e-mail simp\u00e1tico.<\/p>\n<p><tt>Tudo bem, meu querido?<\/p>\n<p>Veja s\u00f3: acredito que voc\u00ea, como tem um blog e um fotolog, sabe como essas coisas funcionam. Assim: normalmente voc\u00ea publica um texto ou uma foto nova, e os textos antigos acabam caindo nos arquivos. Que s\u00e3o p\u00e1ginas pouco acessadas, que ningu\u00e9m v\u00ea - muitas vezes nem mesmo o autor do blog consegue enxergar.<\/p>\n<p>\u00c9 o meu caso em rela\u00e7\u00e3o ao link onde aparecem seus coment\u00e1rios. Repare numa coisa: a data \u00e9 22 de mar\u00e7o de 2004. S\u00e3o mais de dois anos.<\/p>\n<p>Seu primeiro coment\u00e1rio: \"Poxa! Nunca entrei em um blog t\u00e3o completo quanto o seu. Parab\u00e9ns!\", que ali\u00e1s agrade\u00e7o muito, \u00e9 do dia 23 de mar\u00e7o de 2004.<\/p>\n<p>De repente, surge um coment\u00e1rio assim: \"Retire meu coment\u00e1rio, por favor!\". Publicado em  11 de abril de 2006. Mas no mesmo lugar! E eu admito: n\u00e3o vi o que voc\u00ea escreveu!<\/p>\n<p>E eu pergunto a voc\u00ea: se algu\u00e9m entrasse no seu blog ou flog em tempos remotos, e lhe pedisse pra retirar um coment\u00e1rio, voc\u00ea ia encontrar o pedido?<\/p>\n<p>Enfim, nesta segunda decidi checar de uma vez todos os coment\u00e1rios perdidos nos arquivos. Encontrei aquele seu primeiro, o segundo (pedindo para retirar) e outro, assim: \"Sua bicha, retire meus coment\u00e1rios.\".<\/p>\n<p>Olha, teria sido bem mais interessante mandar um e-mail, mostrando a data, o que voc\u00ea escreveu, essas coisas. Pela raz\u00e3o que eu te expliquei: nem todo mundo conversa com arquivos de blogs, mas sim com o pr\u00f3prio blogueiro.<\/p>\n<p>E fica como sugest\u00e3o para outros contatos, com outras pessoas que encontrar na web: o espa\u00e7o de coment\u00e1rios normalmente funciona como um f\u00f3rum de discuss\u00f5es, limitado ao assunto do post. Dificilmente seria visto de outra forma. Antes de fazer qualquer pedido, veja se o site possui algum e-mail para contato. Seu retorno \u00e9 muito mais garantido, e voc\u00ea n\u00e3o faz papel de bobo.<\/tt><\/p>\n<p>N\u00e3o demorou para vir a resposta educada.<\/p>\n<p><tt>Pra qu\u00ea mandar tantas explica\u00e7\u00f5es? S\u00f3 quero o comentario fora do seu blog. Tive que te chamar de bicha pra voc\u00ea atender.<\/tt><\/p>\n<div align=\"center\">***<\/div>\n<p>Devia ter aprendido a n\u00e3o perder meu tempo com qualquer cururu. At\u00e9 porque, n\u00e3o foi a primeira vez. Em 2003, apareceu por essas bandas um desocupado. Da primeira vez, comentou algo como &#8220;cara&#8230; Voc\u00ea escreveu tanto que me deu sono. E fiquei duas horas esperando o seu site abrir&#8221;. Em outra apari\u00e7\u00e3o, ele foi mais longe: &#8220;seguindo o seu conselho, li os seus escritos. N\u00e3o, \u00e9 muito dizer isso. Apenas dei uma passada de olho. Para ser sincero, n\u00e3o me agradou. Mas nada pessoal. Sinceramente, tamb\u00e9m n\u00e3o sou refer\u00eancia&#8230; Esses blogs parecem v\u00e1rios mundos kafkanianos. Tudo muito absurdo. \u00c0s vezes, devo dizer, parece orbitar em torno de um mundo egoc\u00eantrico e simpl\u00f3rio&#8221;.<\/p>\n<p>Novamente, mandei um e-mail simp\u00e1tico, agradecendo a visita e etc. O retorno do sujeito foi impublic\u00e1vel. Ainda tive a paci\u00eancia de escrever uma \u00faltima mensagem, dizia basicamente: ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a gostar de tudo, e quando algo n\u00e3o agrada, \u00e9 s\u00f3 n\u00e3o dar bola ao inv\u00e9s de criticar por criticar &#8211; especialmente se isso n\u00e3o mudar em nada o curso da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A \u00faltima bobagem do cara \u00e9 muito interessante. Guardei porque dificilmente vou encontrar algo parecido.<\/p>\n<p><tt>Eu n\u00e3o fiquei irritado com o que voc\u00ea disse. Sou uma pessoa de cabe\u00e7a fria. Apenas queria brincar contigo. Mas sei que os meus escritos s\u00e3o fortes. Muitas vezes mal compreendidos. Quando escrevo, meu caro marmota, escrevo  sibilando tal qual um r\u00e9ptil. Apesar de ser mais velho que voc\u00ea, fique frio, sou uma crian\u00e7a. Para ser sincero, adoro a imaturidade. Ser adulto n\u00e3o presta, acredite.<\/p>\n<p>Concordo com muitas coisas do que voc\u00ea disse. Apenas discordo de poucas. Entre as que discordo est\u00e1 o fato de voc\u00ea achar que devemos nos silenciar diante de algo que n\u00e3o gostamos. Realmente n\u00e3o acho. Voc\u00ea, por exemplo, deveria ter dito no meu blog (algo que j\u00e1 t\u00e1 morto, pois foi divers\u00e3o passageira), enfim, deveria ter dito que ele \u00e9 uma merda ou algo parecido. Isto me faria rir do mesmo modo que estou rindo agora. O que tem demais numa critica destrutiva?   Voc\u00ea, quando publicou algo, deu a cara para bater! Isto \u00e9 normal. Apenas use a sua intelig\u00eancia para crescer, aprender ou, caso seja, criticar o seu oponente. O que tem de t\u00e3o cruel nisto?<\/p>\n<p>Pode ser cruel para quem n\u00e3o gosta de usar a intelig\u00eancia. E acredite, meu caro, uma critica destrutiva ir\u00e1 fazer seu cerebro funcionar! Enfim, vejo todo esse processo como um excelente aprendizado. Vou dizer exatamente o que aconteceu. Entrei no seu site e escrevi algo que n\u00e3o me lembro. Voc\u00ea respondeu algo que me foge a mem\u00f3ria. E eu retornei com uma resposta que n\u00e3o sei nem o come\u00e7o.<\/p>\n<p>Fique frio. Estou apenas curtindo. Pe\u00e7o desculpas se fui muito duro contigo, mas sei que voc\u00ea pode aguentar. N\u00e3o s\u00f3, como responder a altura.<\/p>\n<p>Vamos fazer o seguinte... Entre qualquer dia no meu blog em decomposi\u00e7\u00e3o. Depois de ler, gostando ou n\u00e3o, ir\u00e1 descobrir que na verdade eu sou um grande moleque. Voc\u00ea deve fazer esse sacrif\u00edcio, afinal eu fiz o mesmo. Li o que estava escrito logo na frente do seu site! Isto foi torturante, mas cheguei vivo at\u00e9 o fim. Fique frio! Eu sinto simpatia por voc\u00ea, e falo com sinceridade!<\/tt><\/p>\n<div align=\"center\">***<\/div>\n<p>A verdade \u00e9 que tem muita gente bacana, disposta a conversar e debater assuntos pertinentes e, por tabela, produzir conhecimento. Mas isso vai acontecer lentamente, tudo porque ainda existem imbecis que n\u00e3o acrescentam em nada, ficam conversam com arquivos &#8211; e que, pra piorar, <a href=\"http:\/\/www.link.estadao.com.br\/index.cfm?id_conteudo=7114\"><b>certamente n\u00e3o pensariam duas vezes antes de mandar fotos de amigas em situa\u00e7\u00f5es \u00edntimas pelo orkut<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a selvageria em uma faculdade (?) por causa dessa hist\u00f3ria merece um cap\u00edtulo extra.<\/p>\n<div align=\"center\">***<\/div>\n<p>A prop\u00f3sito do &#8220;Internet n\u00e3o \u00e9 tecnologia, s\u00e3o pessoas&#8221;, estou com uma vontade enorme de meter meu bedelho em um dos topos da agenda setting desta semana: a for\u00e7a dos blogs como ferramenta de conversa\u00e7\u00e3o &#8211; assunto que o Hernani Dimantas passa a vida insistindo <a href=\"http:\/\/www.burburinho.com\/20030207.html\" target=\"_blank\"><b>tanto online quanto em livro<\/b><\/a>, e que foi devidamente explorado &#8211; e de maneira brilhante &#8211; pelo <a href=\"http:\/\/blog.fabioseixas.com.br\/archives\/2006\/04\/o_que_falta_e_c.html\" target=\"_blank\"><b>F\u00e1bio Seixas<\/b><\/a>, <a href=\"http:\/\/brunotorres.net\/2006\/04\/19\/minha-terra-tem-blogueiros-que-nao-sabem-conversar\" target=\"_blank\"><b>Bruno Torres<\/b><\/a> e <a href=\"http:\/\/www.revolucao.etc.br\/archives\/o-que-esta-faltando-nos-blogs-brasileiros\" target=\"_blank\"><b>Henrique Costa Pereira<\/b><\/a> (clique e leia tudo). Infelizmente, abril est\u00e1 longe de ser o m\u00eas mais sossegado da minha vida. Assim, o assunto vai para a pasta &#8220;em breve&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A blogosfera, assim como qualquer comunidade virtual, \u00e9 um reflexo do nosso povo. Essa turma desembarca na Internet gra\u00e7as ao processo de &#8220;inclus\u00e3o digital&#8221; (?) que se limita a colocar um computador conectado na frente do sujeito. Um desses &#8220;internautas-padr\u00e3o&#8221; passou por aqui e deixou um coment\u00e1rio no dia 22 de mar\u00e7o de 2004. 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