{"id":1546,"date":"2009-07-17T13:02:38","date_gmt":"2009-07-17T16:02:38","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/atari-nao-meu-primeiro-videogame-foi-um-odyssey"},"modified":"2009-07-17T13:02:38","modified_gmt":"2009-07-17T16:02:38","slug":"atari-nao-meu-primeiro-videogame-foi-um-odyssey","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/atari-nao-meu-primeiro-videogame-foi-um-odyssey\/","title":{"rendered":"Atari? N\u00e3o, meu primeiro videogame foi um Odyssey."},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/backfut.gif\" align=\"right\" \/>Vou confessar uma fraqueza pessoal: h\u00e1 semanas coloquei na cabe\u00e7a minha necessidade em planejaro segundo semestre, dedicando um bom tempo a atividades acad\u00eamicas e projetos pessoais. Mas uma brincadeirinha saudosista est\u00e1 me desconcentrando um bocado. O atraso n\u00e3o se limita aos afazeres, mas tamb\u00e9m \u00e0 tecnologia envolvida: um console que nada tem a ver com Playstation 3, Nintendo Wii ou simuladores de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma revirada nas minhas gavetas me levou de volta ao dia das crian\u00e7as de 1984. Meu pai chegou em casa com uma caixa enorme, embalada com o papel vermelho e branco da Ultralar. Arregalei os olhos, comemorei e o abracei bem forte quando vi do que se tratava: um videogame absolutamente diferente daqueles que invejava dos amiguinhos.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/odyssey160709.jpg\"><\/div>\n<p>Dentro da caixa do meu Odyssey Phillips, uma &#8220;m\u00e1quina de escrever eletr\u00f4nica&#8221; com fonte de alimenta\u00e7\u00e3o e controles embutidos &#8211; os fabricantes n\u00e3o imaginavam como seria f\u00e1cil desplugar essas coisas ou substitu\u00ed-las em caso de pane. O manual do propriet\u00e1rio apresentava o trambolho em letras garrafais. &#8220;Parab\u00e9ns, voc\u00ea acaba de comprar a \u00faltima palavra em videogames! Ele \u00e9 mais sofisticado que a maioria dos jogos de fliperama, empregando um microprocessador que executa fun\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas complexas, tecnologia de ponta inimagin\u00e1vel h\u00e1 alguns anos!&#8221;.<\/p>\n<p>Aquele manual dizia que meu videogame, bem conservado, seria divers\u00e3o garantida durante anos. Talvez o engenheiro mais otimista sequer imagine que eu (e certamente outros nost\u00e1lgicos doentes) ainda vibrem com tamanha a\u00e7\u00e3o em oito bits. N\u00e3o exatamente diante do aparelho, mas sim ao <a href=\"http:\/\/bannister.org\/software\/o2em.htm\" target=\"_blank\"><b>emulador<\/b><\/a> para Mac OS <a href=\"http:\/\/bannister.org\/software\/o2em.htm\" target=\"_blank\"><b>(vers\u00e3o pra PC aqui)<\/b><\/a>. N\u00e3o tenho vergonha em dizer: poderia buscar simuladores que remetem ao meu passado nerd, como Mega Drive, Super Nintendo ou mesmo Atari. Preferi aquele que me d\u00e1 mais saudade.<\/p>\n<p><b>Alguns mil cruzados<\/b> &#8211; Minha estr\u00e9ia foi diante do jogo de F\u00f3rmula 1 (esp\u00e9cie de &#8220;Enduro&#8221; do Atari, mas contra o rel\u00f3gio e com fundo lil\u00e1s). Tinha outros dois jogos no mesmo cartucho: Interlagos (para duas pessoas, disputa automobil\u00edstica que chegou a ser prova do Bozo) e Criptologic (jogo da forca, um dos tr\u00eas ou quatro jogos onde o teclado alfanum\u00e9rico fazia sentido).<\/p>\n<p>Cada cartucho, extremamente bem acabado e com um preocupado manual de instru\u00e7\u00f5es, custava o equivalente a meio sal\u00e1rio do meu pai. Com um agravante: a infla\u00e7\u00e3o que adorava pregar pe\u00e7as, mesmo com os fiscais do Sarney tentando segurar o Plano Cruzado. Por conta disso, tinha poucas op\u00e7\u00f5es. Come-Come (variante batuta do Pac Man), Demon Attack e Q-Bert (vers\u00f5es do Atari), Serpente do Poder (horr\u00edvel, tremenda compra perdul\u00e1ria!)&#8230;<\/p>\n<p>Com o emulador devidamente instalado, tratei de rev\u00ea-los todos, al\u00e9m de testar alguns que sempre quis ver como \u00e9, mas passei a inf\u00e2ncia sem saber como \u00e9. Senhor das Trevas, Tartarugas, Abelhas Assassinas, Popeye, Batalha Medieval&#8230;<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/odydidi160709.jpg\"><\/div>\n<p><b>\u00c9 isso a\u00ed, pissit!<\/b> &#8211; Nenhum deles conseguiu reacender o mesmo fasc\u00ednio do cl\u00e1ssico <a href=\"http:\/\/odysseymania.classicgaming.com.br\/ody9437.html\"><b>Didi na Mina Encantada<\/b><\/a>, uma bela mistura de Pitfal com Donkey Kong. Se hoje qualquer jogo \u00e9 capaz de proporcionar experi\u00eancias gr\u00e1ficas bem reais, imaginar um enredo diante de linhas e pixels limitadas pode parecer idiota. Mas n\u00e3o importa: era uma del\u00edcia.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o com o filme &#8220;Os Trapalh\u00f5es na Serra Pelada&#8221;, de 1982, foi perfeita: com uma picareta em m\u00e3os, Renato Arag\u00e3o se transforma em um aventureiro em busca de ouro. Al\u00e9m de atingir pedras que rolam sem parar, o trapalh\u00e3o caminha, salta e se agacha, movimentando-se entre escadas e crateras. Em pouco tempo, sua ferramenta quebra: para continuar a saga, \u00e9 preciso aten\u00e7\u00e3o: o choque entre duas rochas pode revelar uma nova picareta ou uma chave, que lhe abre passagem para outra \u00e1rea da mina.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/odydidib160709.jpg\"><\/div>\n<p>Esque\u00e7a os games com diferentes cen\u00e1rios, desenvolvimento, &#8220;chef\u00f5es&#8221; a cada n\u00edvel e desfecho feliz: a mina \u00e9 intermin\u00e1vel. Quer dizer: s\u00f3 acaba quando o cearense \u00e9 atingido por uma pedra sem picareta. Uma compara\u00e7\u00e3o do que se v\u00ea na tela com a capa do manual explicam o que, nos anos 80, poucos sabiam: tanto na vers\u00e3o europ\u00e9ia quanto na norte-americana, lan\u00e7ada no final dos anos 70, o jogo chamava-se Pick Axe Pete (Pedro Picareta). Como era, na verdade, um &#8220;boneco de pauzinho&#8221;, a Phillips poderia ter licenciado com qualquer famos\u00e3o da \u00e9poca &#8211; Menudos na Mina Encantada, Fof\u00e3o na Mina Encantada, Gugu Liberato na Mina Encantada&#8230;<\/p>\n<p>Enfim, talvez n\u00e3o deixasse tanta saudade, a ponto de tomar meu tempo 25 anos depois.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/odymacos160709.jpg\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vou confessar uma fraqueza pessoal: h\u00e1 semanas coloquei na cabe\u00e7a minha necessidade em planejaro segundo semestre, dedicando um bom tempo a atividades acad\u00eamicas e projetos pessoais. 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