{"id":1540,"date":"2009-07-09T09:42:45","date_gmt":"2009-07-09T12:42:45","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/tina-oiticica-harris-e-eu"},"modified":"2009-07-09T09:42:45","modified_gmt":"2009-07-09T12:42:45","slug":"tina-oiticica-harris-e-eu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/tina-oiticica-harris-e-eu\/","title":{"rendered":"Tina Oiticica Harris e eu"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\" \/>N\u00e3o sei se um ano \u00e9 tempo suficiente para que um epis\u00f3dio seja esquecido, digerido ou provocado alguma reflex\u00e3o. Tamb\u00e9m nunca tive pretens\u00e3o em julgar o que os outros pensam ou fazem, apenas defendo o direito de todos eles em defender suas id\u00e9ias livremente. Na verdade, nada disso importa. O que voc\u00ea ver\u00e1 a seguir \u00e9 apenas uma descri\u00e7\u00e3o sobre como desenvolvi minha conex\u00e3o virtual com uma amiga que perdi h\u00e1 um ano, e o que aprendi com isso. Pode ser que n\u00e3o sirva para voc\u00ea, mas enfim.<\/p>\n<p>Em junho de 2006, fiz um textinho bem vagabundo sobre minha rotina durante a Copa. Fui surpreendido por um coment\u00e1rio, mmmhhh, complexo.<\/p>\n<p><tt>Um dos coment\u00e1rios seus leva o bol\u00e3o se dependesse de mim. Sou apaixonada por futebol. Nos tempos da FAU-UFRJ, \u00edamos dois amigos e eu para a geral tr\u00eas v\u00eazes por semana. Um \u00e9 Framengo, o outro \u00e9 Fluminense e eu sou Botafogo. H\u00e1 vinte anos moro na minha terra natal, os EUA. Perdi muito o interesse pelo futebol e pior: vi a sele\u00e7\u00e3o ao vivo em Pasadena contra a Su\u00e9cia; foi um purgante de jalapa aquele jogo. Recentemente colocamos a Rede Bobo pra dentro da casa. D\u00e1 pra ver o futebol do Brasil. Chego no ponto do bol\u00e3o j\u00e1-j\u00e1. O futebol jogado no Brasil mudou. N\u00e3o ligo pra campeonato nacional. Voc\u00ea venceu: tor\u00e7o \u00e9 pro Botafogo; ainda mais, o qu\u00ea me interessa \u00e9 o campeonato carioca. O escrete canarinho, dizer o qu\u00ea? Vi uns poucos jogos do Ga\u00facho, vi aquela vergonha contra a Fran\u00e7a, n\u00e3o gosto desde ent\u00e3o do Ronaldo Fen\u00f4meno. Jo\u00e3o Saldanha dizia que a camisa pesa. Cheguei aqui atrav\u00e9s do blog Pensar Enlouquece.<\/tt><\/p>\n<p>A quantidade de informa\u00e7\u00f5es encadeadas num \u00fanico par\u00e1grafo chama a aten\u00e7\u00e3o de qualquer um. Acabei que n\u00e3o dei qualquer retorno &#8211; sequer agradeci a visita, como normalmente fa\u00e7o. &#8220;\u00c9 por isso que seus visitantes somem&#8221;, pensei. N\u00e3o foi bem assim. Ela voltou em outubro, intervindo num texto meu de proposta bem clich\u00ea: resolva seus problemas chutando aquilo que n\u00e3o lhe faz bem.<\/p>\n<p><tt>Alhear-se de pensamentos negativos \u00e9 um exerc\u00edcio de for\u00e7a de vontade muito al\u00e9m da que tenho. Sou obsessiva, rem\u00f4o todos os lados da quest\u00e3o que me injuria, falo pra caramba, escrevo, acordo de volta ao assunto e n\u00e3o esque\u00e7o. Acho que s\u00f3 um Maracan\u00e3 de f\u00f3sforos pra mudar minha id\u00e9ia ou o Botafogo ser campe\u00e3o. Valeu a ret\u00f3rica, ao menos.<\/tt><\/p>\n<p>Se n\u00e3o havia motivo para ignor\u00e1-la da primeira vez, agora havia. &#8220;Deve ser dif\u00edcil lidar com essa mulher&#8221;. Ah, v\u00e1! Demorou mais algumas semanas at\u00e9 surgir a primeira cutucada. Lembro quando ela reapareceu em janeiro de 2007, quando escrevi um texto simplinho sobre a cratera do Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo. Cheguei a conversar com a <a href=\"http:\/\/dialetica.org\/agridoce\/2008\/07\/10\/tina\" target=\"_blank\"><b>Luciana<\/b><\/a>: &#8220;ei, j\u00e1 ouviu falar na Tina? Olha esse coment\u00e1rio aqui e me diz: ela n\u00e3o \u00e9 maluca?&#8221;. Aqui, al\u00e9m das m\u00faltiplas informa\u00e7\u00f5es encadeadas, veio uma atropelada leve.<\/p>\n<p><tt>Multiplique por v\u00e1rios milhares e voc\u00ea ter\u00e1 a cobertura do 9\/11. S\u00f3 soube hoje porque a Time Warner \u00e9 malvada e nos deixou sem Internet; todos aqui no sul da California estamos com problemas. O buraco? Provavelmente erro na constru\u00e7\u00e3o, desleixo no estudo geol\u00f3gico... A ponte Rio-Niter\u00f3i deu problema porque os pe\u00f5es embuxavam os furos na estrutura com jornal, segundo um dos meus professores na FAU-UFRJ. Houve aqueles pr\u00e9dios na Barra, foi erro na constru\u00e7\u00e3o, gan\u00e2ncia. Meus votos de dias melhores a toda S\u00e3o Paulo. Isso n\u00e3o tem a ver com Serra ou PT. A ind\u00fastria de constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 fogo na estopa. Olha s\u00f3 o bode de Nova Orleans e foi o ex\u00e9rcito USA quem construiu a prote\u00e7\u00e3o te\u00f3rica da cidade. Para mim a palavra mais apropriada, com sua licen\u00e7a, \u00e9 responsabilidade, n\u00e3o culpa. Culpa \u00e9 coisa de religi\u00e3o. Com todo respeito.<\/tt> <\/p>\n<p>Devo ressaltar aqui minha admira\u00e7\u00e3o aos que, mesmo diante da interface eletr\u00f4nica que a rede oferece, agem exatamente como se o interlocutor estivesse diante dos seus olhos. Conhe\u00e7o quem goste de entrar em uma boa discuss\u00e3o&#8230;  H\u00e1 quem elabore argumentos como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3 e sinta prazer quando percebe o oponente partir para a ofensa, demonstrando fraqueza.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o meu caso. Minha cota de intera\u00e7\u00e3o com pessoas esquentadas costuma esgotar no \u00e2mbito profissional, onde &#8220;conviv\u00eancia&#8221; vira sin\u00f4nimo de &#8220;sobreviv\u00eancia&#8221;. Preferi ser educado, agradecendo finalmente a visita e sinalizando um ajuste no texto. Novo coment\u00e1rio dela no texto seguinte, mais um e-mail simp\u00e1tico de retorno. No primeiro e-mail que recebi dela, pincei uma entre in\u00fameras id\u00e9ias descritas &#8211; creio que nunca mais verei algu\u00e9m com estilo de texto parecido ao dela.<\/p>\n<p><tt>Muito obrigada pelas palavras gentis. Sou petista e Libelu. Espero que n\u00e3o mude sua opini\u00e3o sobre mim. Tenho fama de barraqueira entre os blogueiros. Treteira. Pois \u00e9.<\/tt><\/p>\n<p>Decidi ignorar solenemente os adjetivos que ela usou, mantendo a cordialidade &#8211; o que fez com que eu descobrisse mais a respeito dela. Ao redigir uma mensagem para qualquer pessoa, costumo come\u00e7ar com &#8220;espero que esteja tudo bem com voc\u00ea&#8221;, ou algo assim. Logo percebi que devia ter deixado isso bem claro a ela.<\/p>\n<p><tt>Esses dias perguntei um lance e quando voc\u00ea tiver tempo me responda, por favor.  Por qu\u00ea voc\u00ea tomou a iniciativa, duas vezes, de saber como estou? Fiquei intrigada, \u00e9 s\u00f3 isso.<\/tt><\/p>\n<p>Minha explica\u00e7\u00e3o resultou em algo que n\u00e3o se v\u00ea todos os dias. Ela me respondeu como estava de maneira sincera, aberta, surpreendente. Usou para isso um longo arquivo em word, onde revelou muitos detalhes sobre sua vida.  Contou suas idas e vindas entre Estados Unidos e Rio de Janeiro, hist\u00f3rias permeadas com a ditadura militar e sua carreira como professora de ingl\u00eas. Detalhou seus problemas de sa\u00fade, de origem nervosa, e suas cirurgias. Uma delas explica seu discurso peculiar: como tinha dificuldades para digitar, seus textos eram concebidos por um programa de reconhecimento de voz.<\/p>\n<p>Ah, sim. A segunda parte do mesmo arquivo trouxe uma hist\u00f3ria envolvendo sua rela\u00e7\u00e3o tensa com alguns blogs, algo que ela levava a s\u00e9rio demais &#8211; infelizmente. Considerei que a primeira parte do relato explica o fato de sua mente criar conex\u00f5es estranhas entre express\u00f5es aparentemente inocentes, pregando-lhe pe\u00e7as. Uma vez, por exemplo, coloquei um link para a Ana Brambilla &#8211; cujo blog chama-se Libellus. E n\u00e3o \u00e9 que a Tina veio brigar comigo, sentindo-se perseguida e ofendida por ter sido da Libelu?<\/p>\n<p>Sim, a Tina era uma pessoa dif\u00edcil de lidar. Mas eu a respeitava, exatamente por identificar o que estava por tr\u00e1s disso. Segui ignorando o que a pudesse fazer mal: limit\u00e1vamo-nos a conversar sobre os assuntos de nossos blogs. Eu aprendi a lidar com seu temperamento, e admito que n\u00e3o era tarefa simples.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria <a href=\"http:\/\/dialetica.org\/agridoce\/2008\/07\/10\/tina\" target=\"_blank\"><b>Luciana<\/b><\/a> (que tamb\u00e9m adora um barraquinho, vai) perdia a paci\u00eancia facilmente. Em boa parte dos casos, bastava parodiar o Bal\u00e3o M\u00e1gico para seguirmos em frente, dando risada: &#8220;dizem que \u00e9 lel\u00e9 da cuca, mas a Tina \u00e9 gente fina e companheira&#8221;. Na briga mais feia que elas tiveram, ela desabafou e, ao final, perguntei:<\/p>\n<p>&#8211; Lu, a Tina \u00e9 mau-car\u00e1ter?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9&#8230; <\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o releve, Lu.<\/p>\n<p>Nunca soube se a Tina gostava ou n\u00e3o dessa vida de implicante. Ela n\u00e3o parava de se enrolar, mas ao mesmo tempo pedia, vez ou outra, conselhos para sair destas saias justas. Foi assim quando proliferaram alguns posts com tem\u00e1tica &#8220;essa tina \u00e9 louca&#8221; na mesma semana que, coincidentemente, a m\u00e3e dela faleceu. No fundo, sinto que ela queria apenas ser ouvida por algu\u00e9m. Era o que eu fazia, al\u00e9m de respond\u00ea-la sempre de um jeito parecido.<\/p>\n<p><tt>Oi, Tina! Sei que j\u00e1 passou um tempo desde que aquela multid\u00e3o chegou ao seu blog por causa de alguns posts a\u00ed. Confesso que estava um pouco atarefado, por isso n\u00e3o acompanhei essa repercuss\u00e3o. Ao mesmo tempo, n\u00e3o presto aten\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00f5es virtuais quando elas n\u00e3o passam de simples troca de links ou tuitadas.<\/p>\n<p>Mas enfim, como j\u00e1 te disse antes, a melhor coisa a fazer sempre nessas situa\u00e7\u00f5es todas \u00e9 ignorar completamente as pessoas que nos fazem mal. Eu tamb\u00e9m ando bastante entediado com pessoas que medem seu valor numa escala fraca - fulano \u00e9 top te linha porque Fud\u00eancio falou nele... Batizei essas rela\u00e7\u00f5es de \"sufl\u00ea\": s\u00e3o infladas, mas sem sust\u00e2ncia, entende?<\/p>\n<p>Sabe, \u00e0s vezes sinto em voc\u00ea uma necessidade (muito positiva) em responder com firmeza, demonstrando seu ponto de vista com veem\u00eancia. S\u00f3 que, dependendo de quem estiver do outro lado, os efeitos dessa argumenta\u00e7\u00e3o podem te fazer mal. E sabe o que mais? Ficar incomodada com \"rela\u00e7\u00f5es sufl\u00ea\" \u00e9 perder um tempo que poderia ser ocupado com coisas melhores.<\/p>\n<p>No seu lugar, Tina, eu pensaria assim: \"bom, at\u00e9 esses dias, fulano conversava comigo por alguma raz\u00e3o. Agora me agride, me dispensa... Ou vai ver que est\u00e1 se dedicando a outras prioridades, o que pode ser bom pra ele. Se qualquer dessas coisas o faz feliz, viva. Eu vou seguir minha vida, cultivando aquilo que me faz bem\".<\/p>\n<p>Resumidamente: n\u00e3o tem como agradarmos a todos, e espero realmente que voc\u00ea use esse epis\u00f3dio como uma excelente oportunidade: limpe sua caixa de entrada e largue quem te decepciona. Valores baseados em \"rela\u00e7\u00f5es sufl\u00ea\" n\u00e3o fazem bem. Rela\u00e7\u00f5es verdadeiras, baseadas na amizade e no respeito, sim.<\/tt><\/p>\n<p>Acredito que ela nunca tenha conseguido ignorar rela\u00e7\u00f5es virtuais. Pode ser que ela realmente identificasse relev\u00e2ncia em se aproximar de conex\u00f5es e insufl\u00e1-las, pegando carona em &#8220;hubs sociais&#8221;. Mas como disse, nada disso importa. H\u00e1 pouco mais de um ano, a <a href=\"http:\/\/dialetica.org\/agridoce\/2008\/07\/10\/tina\" target=\"_blank\"><b>Luciana<\/b><\/a> me estimulou a fazer algo que j\u00e1 tinha vontade h\u00e1 tempos: &#8220;por que n\u00e3o gravamos um podcast especial com a Tina?&#8221;.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos alguns bons pretextos: a Tina ouvia constantemente nosso experimento, o <a href=\"http:\/\/www.dialetica.org\/lovelive\" target=\"_blank\"><b>LoveLive<\/b><\/a>. Ao mesmo tempo, o anivers\u00e1rio dela estava pr\u00f3ximo. Assim, formalizamos o convite e, via Skype, ficamos umas tr\u00eas horas jogando conversa fora. Tive uma certeza: a &#8220;Tina oral&#8221; n\u00e3o se aproxima em nada da &#8220;Tina verbal&#8221;, a ponto de me arrepender por n\u00e3o ter tomado essa iniciativa h\u00e1 mais tempo.<\/p>\n<p>Talvez por isso eu tenha ficado t\u00e3o chocado com a s\u00fabita morte da Tina, dois dias depois daquela conversa t\u00e3o rica, t\u00e3o cheia de vida, de planos futuros (sobre isso, <a href=\"http:\/\/dialetica.org\/agridoce\/2008\/07\/10\/tina\" target=\"_blank\"><b>Luciana<\/b><\/a> e o <a href=\"http:\/\/www.interney.net\/blogs\/hedonismos\/2008\/07\/11\/tina_oiticica_harris\" target=\"_blank\"><b>Doni<\/b><\/a> j\u00e1 disseram o que eu penso). Fiquei mais triste ainda pelo marido Nicolas e o filho Gabriel, que diante de tantos elos enfraquecidos na web, eram suas conex\u00f5es mais valiosas. Foi assim que a Tina se despediu, horas depois do nosso bate-papo:<\/p>\n<p><tt>Quero agradecer pelo papo no Skype, que deixou de incluir v\u00e1rios dos temas propostos mas foi super-legal pra mim. Espero poder v\u00ea-los LIVE aqui em Santa Monica, onde nossas portas est\u00e3o abertas para voc\u00eas.<\/p>\n<p>Duas coisas que aprendi sobre o Andr\u00e9, confirme ou n\u00e3o Luciana pois voc\u00ea o conhece bem melhor que eu. Primeiro, a mem\u00f3ria dele me assustou, pois \u00e9 t\u00e3o boa e detalhista quanto a minha. Segundo, me parece que ele exerce sua lideran\u00e7a usando a lei do menor esfor\u00e7o. Ele n\u00e3o briga, n\u00e3o for\u00e7a a barra, apenas caga e anda, o que minha tchurma chamava de \"lesmar\" para o que v\u00e1 desgast\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Finalmente, vai ser uma puta tranqueira (meu) editar tr\u00eas horas e doze minutos de papo. Estou com pena adiantada dele.<\/p>\n<p>Para mim foi muita emo\u00e7\u00e3o. Luciana, volte a blogar por favor porque sinto falta dos teus posts. Andr\u00e9, desculpe-me pelo abuso do seu tempo. Seja incisivo e me corte de sa\u00edda na pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>Beijos pra voc\u00eas e at\u00e9 breve nos coment\u00e1rios da vida na blogosfera.<\/tt><\/p>\n<p>A Tina nem imagina o trabalho que tive para editar&#8230; Preferi n\u00e3o mexer nessa grava\u00e7\u00e3o, esperar nossas vidas seguirem. At\u00e9 para convidar a todos para guardarem todos os adjetivos para si, sejam eles bons ou ruins, e simplesmente curtir as boas vibra\u00e7\u00f5es propagadas por nossas gargalhadas. E j\u00e1 que voc\u00ea conseguiu ler at\u00e9 aqui, n\u00e3o custa nada <a href=\"http:\/\/dialetica.org\/lovelive\/0009-tina-para-sempre\"><b>ouvir mais uns setenta minutos<\/b><\/a> e, ao final, cantar &#8220;parab\u00e9ns a voc\u00ea&#8221; ao som do Talking Heads.<\/p>\n<p>Sim, ela era uma pessoa dificil de lidar. Isso explica facilmente os muitos coment\u00e1rios negativos que ela recebeu &#8211; tanto em vida quanto depois. Tamb\u00e9m cometo minhas gafes, n\u00e3o sou perfeito. Sem falar que, como Tina bem disse no LoveLive, de perto ningu\u00e9m \u00e9 normal. Sem julgamentos, encerro com uma das reflex\u00f5es poss\u00edveis, tomando emprestado a mensagem mais feliz que recebi sobre o tema, h\u00e1 um ano.<\/p>\n<p><tt>Eu nem sabia quem era a Tina. Mas por causa de seu falecimento, aprendi uma li\u00e7\u00e3o sua que nunca mais vou esquecer. Agora toda vez que estou brigando ou irritada com algu\u00e9m, penso: \"essa pessoa \u00e9 mau-car\u00e1ter?\". Isso p\u00f5e as coisas em perspectiva. Sempre.<\/tt><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei se um ano \u00e9 tempo suficiente para que um epis\u00f3dio seja esquecido, digerido ou provocado alguma reflex\u00e3o. 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