{"id":151,"date":"2008-03-13T23:59:43","date_gmt":"2008-03-14T02:59:43","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/meus-cinco-vicios-ou-nao-existe-vicio-saudavel"},"modified":"2008-03-13T23:59:43","modified_gmt":"2008-03-14T02:59:43","slug":"meus-cinco-vicios-ou-nao-existe-vicio-saudavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/meus-cinco-vicios-ou-nao-existe-vicio-saudavel\/","title":{"rendered":"Meus cinco v\u00edcios (ou: n\u00e3o existe &#8220;v\u00edcio saud\u00e1vel&#8221;)"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/top5.gif\" align=\"right\" \/>Fiquei preocupado nesta quinta-feira, ao descobrir que o Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo abriu inscri\u00e7\u00f5es para tratar jovens <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/SaoPaulo\/0,,MUL348563-5605,00-HOSPITAL+DAS+CLINICAS+VAI+TRATAR+JOVENS+VICIADOS+EM+INTERNET.html\" target=\"_blank\" title=\"Deu no G1!\"><b>dependentes em Internet<\/b><\/a>. Mais do que isso: o HC j\u00e1 trata adultos que decidiram trocar a vida pessoal, os amigos, a fam\u00edlia e at\u00e9 mesmo o banheiro para permanecer online, jogando ou navegando na web.<\/p>\n<p>Juro que fiquei preocupado. Afinal de contas, passo praticamente todo o dia em frente a um computador. Tanto no escrit\u00f3rio quanto em casa. Mesmo em alguns finais de semana, quando teria condi\u00e7\u00f5es de abandonar o laptop, acabo dedilhando no teclado. Ser\u00e1 que sou mesmo um &#8220;viciado&#8221; em Internet?<\/p>\n<p>Procurei a defini\u00e7\u00e3o exata de &#8220;v\u00edcio&#8221;, pra saber at\u00e9 que ponto a palavra se aplica ao meu dia-a-dia. Atualmente, usa-se o termo para designar qualquer tend\u00eancia habitual, mas ele est\u00e1 ligado diretamente a algum tipo de &#8220;mecanismo de defesa&#8221;, algo que fazemos para fugir de responsabilidades, e isso implica em algum preju\u00edzo para o nosso corpo e mente.<\/p>\n<p>Traduzindo: se eu tiver capacidade de dizer algo como &#8220;eu posso parar de usar a qualquer momento, n\u00e3o vai me fazer falta&#8221;, n\u00e3o \u00e9 exatamente um v\u00edcio. Resumindo mais ainda: n\u00e3o existe nenhum &#8220;v\u00edcio saud\u00e1vel&#8221;. Se \u00e9 saud\u00e1vel, \u00e9 h\u00e1bito.<\/p>\n<p>Enfim, ainda n\u00e3o cheguei a uma conclus\u00e3o sobre o tema. Ser\u00e1 que o simples fato de estar juntando uma graninha para comprar um smartphone, justamente para responder e-mails fora do computador, faz com que eu seja um viciado em Internet? Bem, no dia que a rede me fizer mal de verdade, vou descobrir a resposta. Por hora, vou elencar cinco v\u00edcios que realmente podem me fazer mal.<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#5<\/font> <b>V\u00edcio em caf\u00e9<\/b> &#8211; Entre tantas comilan\u00e7as e bebelan\u00e7as, j\u00e1 n\u00e3o consigo mais viver sem caf\u00e9. Ganha por pouco de Coca-cola, pedida padr\u00e3o em qualquer bar ou restaurante. Mas mesmo depois das refei\u00e7\u00f5es, um cafezinho \u00e9 sempre bom. Sempre absolutamente sem a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>No trabalho, j\u00e1 virou lenda: acumulo pelo menos tr\u00eas ou nove copos descart\u00e1veis (dos grandes), sempre calibrados com altas talagadas de caf\u00e9. No fim da noite, ao limpar a mesa, vejo aquele pretume impregnado nas paredes dos copinhos, imaginando o estrago que aquilo faz nas paredes do meu sistema digestivo.<\/p>\n<p>\u00c9, eu sei que \u00e9 errado. Preciso parar de usar copinhos pl\u00e1sticos e trazer uma caneca maior. A natureza agradece.<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#4<\/font> <b>V\u00edcio em dormir<\/b> &#8211; Nem mesmo garrafadas intermin\u00e1veis de caf\u00e9 acabam com o meu sono. Se eu fosse um animal, estaria longe de uma marmota: seria um bicho-pregui\u00e7a nato. Daqueles que precisam realmente sair da cama rapidamente, mas mesmo assim enrolam bem al\u00e9m do limite aceit\u00e1vel para qualquer atraso.<\/p>\n<p>Isso traz impacto direto a qualquer planejamento pr\u00e9vio de atividades, especialmente aos finais de semana ou nas poucas horas dom\u00e9sticas, que poderiam ser \u00fateis para exerc\u00edcios f\u00edsicos, tarefas rotineiras ou o desenvolvimento de projetos pessoais. Normalmente, prefiro dormir.<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#3<\/font> <b>V\u00edcio em trabalho<\/b> &#8211; At\u00e9 setembro passado, andava preocupado com minhas atividades profissionais. Estava envolvido com o trabalho at\u00e9 o pesco\u00e7o. Sa\u00eda pra jantar e conversava sobre as peculiaridades da reda\u00e7\u00e3o. Antes de sair de casa, checava e-mails para antecipar o que deveria fazer durante o dia. E em longos per\u00edodos de tempo, ignorava convites ou qualquer outro tipo de bate-papo, em fun\u00e7\u00e3o das atribui\u00e7\u00f5es na reparti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o mudei de emprego, imaginando que, diante de desafios e fun\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, seria diferente. Mas me enganei: continuo at\u00e9 o pesco\u00e7o tentando encontrar solu\u00e7\u00f5es para melhorar indicadores e atingir as metas propostas. Em resumo: continuo t\u00e3o enrolado quanto antigamente. Sinal que o problema n\u00e3o est\u00e1 no emprego, mas sim no meu estilo &#8220;workahoolic&#8221;. Entre todos os v\u00edcios, talvez este seja o pior deles.<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#2<\/font> <b>V\u00edcio em procrastinar<\/b> &#8211; Eu quero fazer um podcast. Eu quero escrever um texto in\u00e9dito neste blog por dia. Eu quero fazer gin\u00e1stica. Eu quero colocar ordem nas tarefas e estabelecer rotinas e processos claros para a minha equipe. Eu quero viajar mais. Eu quero sair mais com os amigos. Enfim, tenho uma lista intermin\u00e1vel de quereres.<\/p>\n<p>Sei que um dia talvez eu consiga fazer isso. Certamente vai ser no mesmo per\u00edodo da vida em que vou conseguir, ao lado de amigos, fundar o <a href=\"http:\/\/www.interney.net\/blogs\/marmota\/2007\/08\/08\/clube_dos_procrastinadores_anonimos\" target=\"_blank\"><b>Clube dos Procrastinadores An\u00f4nimos<\/b><\/a>. Eu quero junt\u00e1-los qualquer hora dessas pra finalmente concretizarmos isso. Um dia eu consigo.<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#1<\/font> <b>V\u00edcio em ser ogro<\/b> &#8211; As pessoas que me conhecem pessoalmente, ou acostumadas a esse turbilh\u00e3o de v\u00edcios, j\u00e1 devem ter sido v\u00edtimas de alguma &#8220;ogrice&#8221; minha. Seja um coment\u00e1rio mal colocado, uma furada em compromissos ou o simples fato de trocar elogios singelos por algum feedback mais realista, que acaba desestabilizando as coisas. J\u00e1 me disseram v\u00e1rias vezes para ter cuidado com essa dosagem horrenda entre aus\u00eancias e sinceridades em excesso.<\/p>\n<p>Enfim, s\u00f3 coloquei como primeiro item por saber que essas rea\u00e7\u00f5es j\u00e1 fazem parte da minha personalidade, a ponto de muitas vezes n\u00e3o perceber a sutileza das minhas atitudes, especialmente quando me refiro a pessoas mais pr\u00f3ximas. Talvez o grande mal que esse v\u00edcio possa trazer \u00e9 o de magoar ou afastar pessoas queridas. Talvez eu s\u00f3 perceba o quanto isso \u00e9 prejudicial quando a velha m\u00e1xima &#8220;perco o amigo mas n\u00e3o perco a piada&#8221; resulte em perdas de verdade. Ou quando sentir necessidade violenta de &#8220;ficar em casa para fugir dos amigos&#8221;&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fiquei preocupado nesta quinta-feira, ao descobrir que o Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo abriu inscri\u00e7\u00f5es para tratar jovens dependentes em Internet. Mais do que isso: o HC j\u00e1 trata adultos que decidiram trocar a vida pessoal, os amigos, a fam\u00edlia e at\u00e9 mesmo o banheiro para permanecer online, jogando ou navegando na web. 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