{"id":1493,"date":"2009-05-15T19:53:08","date_gmt":"2009-05-15T22:53:08","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/meu-curriculo-de-midia-social"},"modified":"2009-05-15T19:53:08","modified_gmt":"2009-05-15T22:53:08","slug":"meu-curriculo-de-midia-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/meu-curriculo-de-midia-social\/","title":{"rendered":"Meu curr\u00edculo de m\u00eddia social"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\">Li h\u00e1 algum tempo, no twitter de algu\u00e9m, algo como &#8220;no gibi da Turma da M\u00f4nica Jovem, o Chico Bento vai para a cidade grande e se torna analista de m\u00eddias sociais&#8221;. Talvez piadinhas como esta explique a rea\u00e7\u00e3o da <a href=\"http:\/\/casadagabi.com\" target=\"_blank\"><b>Gabi Bianco<\/b><\/a> esta semana, diante de uma d\u00favida genuinamente sincera que tive ao encontrar uma oportunidade de emprego nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>A vaga denota uma demanda irrevers\u00edvel. O mercado de trabalho est\u00e1 aquecido diante do interesse das empresas em estar onde as pessoas passam boa parte do tempo: diante do computador ou ao celular, trocando mensagens com sua rede de contatos. Mas parece que nem todos enxergam este novo neg\u00f3cio com bons olhos. &#8220;Algumas pessoas gostam de tirar sarro da minha profiss\u00e3o e isso \u00e9 horr\u00edvel. Como se o que fazemos fosse digno de chacota&#8221;, desabafou a Gabi.<\/p>\n<p>Mas enfim. A pergunta que fiz diz respeito a um requisito da vaga: &#8220;mandem CVs de midia social&#8221;. A d\u00favida foi puramente sem\u00e2ntica: eu posso interpretar o pedido de duas formas, desde o envio por e-mail de um documento tradicional ou minhas interven\u00e7\u00f5es em blogs, redes sociais, ferramentas colaborativas, enfim. Como meu Twibble em meu celular defasado n\u00e3o permite explica\u00e7\u00f5es maiores, fui simplista: &#8220;\u00e9 um link pro meu perfil do Orkut ou um doc relatando minha experi\u00eancia?&#8221;.<\/p>\n<p>O retorno que recebi foi: &#8220;se voc\u00ea acha que midia social \u00e9 s\u00f3 Orkut, n\u00e3o precisa mandar o CV&#8221;.<\/p>\n<p>Enfim, eu realmente n\u00e3o tenho interesse na vaga (que, a essa altura, j\u00e1 foi preenchida) e n\u00e3o estava fazendo gracinha. Tanto que, mesmo esclarecido o mal entendido e valorizando este novo modelo de neg\u00f3cio, poderia interpretar perfeitamente o tal &#8220;curr\u00edculo de m\u00eddia social&#8221; assim:<\/p>\n<p><tt>Oi. Meu nome \u00e9 <b>Andr\u00e9<\/b>, e este \u00e9 meu <b>curr\u00edculo de m\u00eddia social<\/b>. Bom, antes de estranhar o formato, \u00e9 importante ressaltar que a express\u00e3o <b>\"curriculum vitae\"<\/b>, originalmente em latim, quer dizer <b>\"trajet\u00f3ria de vida\"<\/b>. Ali\u00e1s, a amplitude de interpreta\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para \"trajet\u00f3ria de vida\" se aplica aos termos \"m\u00eddia\" e \"social\". De uns tempos pra c\u00e1, qualquer <b>meio de comunica\u00e7\u00e3o de massa<\/b> virou <b>\"m\u00eddia\"<\/b> - inclusive a web, que at\u00e9 cai bem para as massas, mas funciona melhor em nichos. J\u00e1 <b>\"social\"<\/b> \u00e9 praticamente qualquer <b>coisa que o homem pode fazer<\/b>, como naquela velha express\u00e3o do Governo Sarney: \"tudo pelo social\". Ent\u00e3o juntamos as duas express\u00f5es e, a grosso modo, falamos em <b>ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o utilizadas por pessoas<\/b>. O que nos deixa algumas d\u00favidas: eu mantive um <b>fanzine<\/b> com os amigos no col\u00e9gio; \u00e9 m\u00eddia social? Eu montei um <b>quadro de corti\u00e7a<\/b> no meu primeiro emprego, permitindo qualquer funcion\u00e1rio postar mensagens para o acesso de todos; \u00e9 m\u00eddia social? Eu contratei v\u00e1rias vezes uma ag\u00eancia de <b>telemensagem<\/b> para disparar uma grava\u00e7\u00e3o bonitinha feita em casa pra muitas pretendentes; \u00e9 m\u00eddia social? Enfim, tenho a impress\u00e3o que <b>algum gaiato<\/b> usou as duas palavras para aproveitar uma oportunidade e definir essa caracter\u00edstica exclusivamente em redes como a Internet, que subverte o conceito tradicional de m\u00eddia ao permitir a <b>participa\u00e7\u00e3o<\/b> de todos e proporcionar um <b>comportamento emergente<\/b> - ao inv\u00e9s da comunica\u00e7\u00e3o de massa. Se n\u00e3o tiver express\u00e3o melhor, <b>posso dizer<\/b> que j\u00e1 convidei amigos para abrir um site vagabundo no <b>GeoCities<\/b>, onde o fluxo de id\u00e9ias circulava a ponto da coisa evoluir para um <b>dom\u00ednio pr\u00f3prio<\/b> (que infelizmente n\u00e3o existe mais). Nesse servi\u00e7o pr\u00f3prio, subvertemos um sistema arcaico de gerenciamento de sites para bolar um <b>publicador de artigos<\/b>. J\u00e1 experimentei blog num sistema gratuito que, ao consider qualquer Z\u00e9 Ruela um autor batuta, listava dez endere\u00e7os not\u00e1veis por semana, fazendo-os sentir um gostinho artificial de \"m\u00eddia de massa\" e acirrando as primeiras briguinhas por <b>m\u00e9rito e relev\u00e2ncia<\/b> nessa gigantesca feira livre. J\u00e1 transportei o conte\u00fado desse espa\u00e7o algumas vezes, entre <b>sistemas e databases<\/b> diversos, mas nunca acreditei na for\u00e7a da tecnologia isoladamente, e sim na das <b>pessoas<\/b> que cercavam tanto conte\u00fado. Com isso na cabe\u00e7a, j\u00e1 experimentei outras formas de estimular essa troca de informa\u00e7\u00f5es a partir de perfis criados nas mais diversas <b>redes sociais e comunidades<\/b>. Com tantas interfaces poss\u00edveis, cheguei a conclus\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 concorr\u00eancia entre m\u00eddia tradicional, m\u00eddia social, m\u00eddia eletr\u00f4nica ou qualquer dessas: a rela\u00e7\u00e3o entre as id\u00e9ias que pretendo compartilhar \u00e9 com o <b>tempo de cada indiv\u00edduo<\/b>, representado por arestas conectadas nas minhas redes e nas dos outros. Afinal, enquanto voc\u00ea dedica alguma import\u00e2ncia a qualquer informa\u00e7\u00e3o transmitida a voc\u00ea (como este meu breve curr\u00edculo), dezenas de links se perdem em sua conta no Twitter, em suas leituras no agregador de feeds, entre ouras fontes. Diante disso, assumo minha ignor\u00e2ncia: sem controle do tempo, n\u00e3o consigo conversar como gostaria, aperfei\u00e7oando t\u00e9cnicas para canalizar minha mensagem e fortalecer meus contatos. Quem conseguiu isso j\u00e1 se considera <b>\"evangelista\"<\/b>, como proliferam aos montes. Evangelizar \u00e9 uma profiss\u00e3o de f\u00e9, quase uma religi\u00e3o. Logo, definiria meu curr\u00edculo de m\u00eddia social em uma palavra: <b>agn\u00f3stico<\/b>.<\/tt><\/p>\n<p>Mmmhhh&#8230; Tenho a impress\u00e3o que, com um curr\u00edculo desses, \u00e9 melhor ir vender churros no Ibirapuera.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Li h\u00e1 algum tempo, no twitter de algu\u00e9m, algo como &#8220;no gibi da Turma da M\u00f4nica Jovem, o Chico Bento vai para a cidade grande e se torna analista de m\u00eddias sociais&#8221;. 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