{"id":145,"date":"2008-03-07T23:57:36","date_gmt":"2008-03-08T02:57:36","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/recados-do-coracao"},"modified":"2008-03-07T23:57:36","modified_gmt":"2008-03-08T02:57:36","slug":"recados-do-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/recados-do-coracao\/","title":{"rendered":"Recados do cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/alo.gif\" align=\"right\" \/>Ah, o amor. Sentimento que mais vassalos possui, como disse aquela poeta. Amar \u00e9 muito dif\u00edcil &#8211; tanto que Roberto Freire, em seu cl\u00e1ssico <i>Ame e D\u00ea Vexame<\/i>, lembra da defini\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria imposta pela sociedade: uma rela\u00e7\u00e3o de troca complementar, ou seja, algo que se prende a uma depend\u00eancia cruel e sufocante. Para atenuar seus efeitos, criamos adjetivos que complicam ainda mais sua defini\u00e7\u00e3o: amor de m\u00e3e, amor de amigo, amor de namorada, amor de marido, amor de militante do PT&#8230;<\/p>\n<p>O mundo transformou o amor. Tentou dar-lhe uma orienta\u00e7\u00e3o, mas acabou deixando-o perdido. Esquecemos que o amor n\u00e3o depende de ningu\u00e9m para existir, nem mesmo dos valores culturais, geogr\u00e1ficos ou religiosos de fulano ou beltrano. Mas sim do que h\u00e1 dentro de n\u00f3s. Deixar o amor ditar as regras, livre para simplesmente amar cada vez mais, \u00e9 um desafio gigantesco. At\u00e9 porque, tamb\u00e9m transformamos o conceito de liberdade.<\/p>\n<p>Mas enfim. Por essas e outras, as pessoas se convencem que o amor acaba &#8211; como naquela cr\u00f4nica do Paulo Mendes Campos. N\u00e3o lhes parece evidente? \u00c9 s\u00f3 escorar o amor em algu\u00e9m para v\u00ea-lo cair e se desencantar. Como aconteceu com uma de nossas visitantes, que registrou aqui um triste testemunho:<\/p>\n<p><tt>O amor acaba sim! O meu acabou de acabar. O que sinto agora pelo ser que antes amava \u00e9 um misto de pena e desprezo. O amor acabou assim, repentinamente. Motivo? n\u00e3o sei o motivo, s\u00f3 sei que acabou.<\/tt><\/p>\n<p>Poderia ter indicado a ela uma boa dose de Roberto Freire, mas preferi responder de outra forma, mais direta e despretensiosa:<\/p>\n<p><tt>Fico triste por voc\u00ea, afinal de contas, n\u00e3o \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o boa descobrir que aquele sujeito que representava tanto na sua vida, de repente, n\u00e3o signifique nada. Mas lamento tamb\u00e9m por ele - ainda mais se ele de fato amar voc\u00ea.<\/p>\n<p>Agora tente imaginar algu\u00e9m que ama demais outra pessoa e, num primeiro momento, foi convencida de que havia reciprocidade. De repente, o amor acaba de um lado. E o outro fica sem saber o que se passa: o que era amizade, e que virou namoro, e que virou algo m\u00e1gico, de repente virou algo ruim, at\u00e9 virar nada.<\/p>\n<p>Tenho absoluta convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 mole pra ningu\u00e9m passar por isso. Mas a melhor coisa a fazer \u00e9 ser sincero. Sempre. Esclarecer tudo e n\u00e3o deixar d\u00favidas pode doer no in\u00edcio, mas essa dor passa, cicatriza e vira uma recorda\u00e7\u00e3o positiva. Passar o resto da vida imaginando \"se poderia ser diferente\" \u00e9 bem pior.<\/p>\n<p>Grande abra\u00e7o, e obrigado pela visita!<\/tt><\/p>\n<p>Quando recebi a resposta de nossa ex-apaixonada, me dei conta: aquelas palavras simples tiveram um resultado formid\u00e1vel:<\/p>\n<p><tt>Hoje ao ler seu e-mail aconteceu algo muito estranho. Fiquei refletindo mais que o nescess\u00e1rio sobre as coisas que escreveu. Mais do que eu supunha que ficaria. Suas palavras me impressionaram muito, tocaram meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Comecei a pensar no qu\u00e3o egoista tenho sido e tenho sido at\u00e9 mesmo uma pessoa cruel. Jamais havia pensado no sentimento daquela pessoa, que afinal de contas fez parte de minha vida por quatro anos. Vivemos momentos m\u00e1gicos, de muita felicidade.<\/p>\n<p>T\u00e1 certo, o amor acabou. Mas isso n\u00e3o me d\u00e1 o direito de ser cruel com esta pessoa s\u00f3 porque j\u00e1 n\u00e3o a amo mais. Vou seguir seu conselho: serei, acima de tudo, sincera, mas tab\u00e9m serei humana. O desprezo que vinha demonstrando por ele n\u00e3o \u00e9 algo justo, \u00e9 algo muito desumano. Dar um fim a essa rela\u00e7\u00e3o sim, mas farei com que as coisas sejam menos doloridas.<\/p>\n<p>O mundo virtual nos traz muitas surpresas, e para mim o dia de hoje me trouxe o seu e-mail. Talvez n\u00e3o tenhas a dimens\u00e3o do quanto me ajusdastes. Sinceramente, quero que encontres a felicidade, que s\u00f3 pessoas maravilhosas trilhem seu caminho!<\/p>\n<p>Muito Obrigada!<\/tt><\/p>\n<p>Eu \u00e9 que agrade\u00e7o. E s\u00f3 trouxe a hist\u00f3ria aqui porque nenhum de n\u00f3s aprendeu a amar de verdade. E isso \u00e9 um bom come\u00e7o.<\/p>\n<div align=\"center\">***<\/div>\n<p>Obviamente, h\u00e1 formas e formas de ajudar aquele que passa por percal\u00e7os do amor. Pe\u00e7o licen\u00e7a ao <a href=\"http:\/\/editordouoltabloide.blog.uol.com.br\" target=\"_blank\"><b>Editor do UOL Tabl\u00f3ide<\/b><\/a> para trazer at\u00e9 voc\u00eas outro exemplo bem sucedido.<\/p>\n<p><i>Tenho muitas qualidades e alguns defeitos. Entre os defeitos, uma maldita humildade da qual n\u00e3o consigo me livrar, mas isso \u00e9 outra hist\u00f3ria. O que eu quero contar \u00e9 que neste final de semana eu descobri mais uma qualidade, ou quase isso: a de Conselheiro Amoroso.<\/p>\n<p>Loser, um amigo meu de apelido auto-explicativo, tomou um fora da namorada. Ele podia beber, desabafar com os amigos, ir ao cinema, ligar pra psic\u00f3loga, fingir que n\u00e3o era com ele&#8230; Em vez disso, foi para numa mesa de sinuca comigo. (Sim, sou bom de taco. Sem piadinhas de duplo sentido, por favor.)<\/p>\n<p>Loser queixou-se que sua ex terminou por telefone. Eu disse &#8220;Calma, Loser, que a catraca vai girar novamente&#8221;.<\/p>\n<p>Loser queixou-se que sua ex n\u00e3o &#8220;discutiu a rela\u00e7\u00e3o&#8221;, j\u00e1 chegou terminando e ele n\u00e3o teve como tentar melhorar. Eu disse &#8220;Calma, Loser, que a catraca vai girar novamente&#8221;.<\/p>\n<p>Loser queixou-se que sua ex quis terminar como &#8220;amiguinha&#8221; dele. Eu disse &#8220;Calma, Loser, que a catraca vai girar novamente&#8221;.<\/p>\n<p>Loser queixou-se que sua ex nunca o elogiou, s\u00f3 depois que a droga da rela\u00e7\u00e3o acabou. Eu disse &#8220;Calma, Loser, que a catraca vai girar novamente&#8221;.<\/p>\n<p>Enfim, Loser queixou-se que sua ex terminou com ele. Eu disse &#8220;Calma, Loser, que a catraca vai girar novamente&#8221;.<\/p>\n<p>Sou ou n\u00e3o sou um bom conselheiro amoroso?<\/i><\/p>\n<div align=\"center\">***<\/div>\n<p>J\u00e1 diria aquele velho deitado: casa de ferreiro, espeto de pau. A verdade \u00e9 que mesmo eu, voc\u00ea ou o s\u00e1bio <a href=\"http:\/\/editordouoltabloide.blog.uol.com.br\" target=\"_blank\"><b>Editor do UOL Tabl\u00f3ide<\/b><\/a>, capazes de enxergar a solu\u00e7\u00e3o para a vida alheia, consegue consertar a pr\u00f3pria. H\u00e1 alguns dias, outra jovem apareceu por aqui, registrando um coment\u00e1rio mais ousado. Disse que, se eu for o mesmo sujeito que aparece nas fotos, eu era um gatinho. Perguntou se eu tinha namorada e deixou seu e-mail para resposta. Mas antes, uma frase curiosa: &#8220;eu achei seu blog criativo, mas n\u00e3o legal. Fazer o qu\u00ea, n\u00e9?&#8221;<\/p>\n<p>Como quase n\u00e3o chove na minha horta, caprichei na resposta.<\/p>\n<p><tt>Tudo bem, broto?<\/p>\n<p>Antes de mais nada, muit\u00edssimo obrigado pelos elogios - n\u00e3o \u00e9 todo dia que aparece algu\u00e9m e diz que eu sou um gatinho. S\u00e3o os seus olhos - ou talvez o impacto dessas fotos, muitas delas antigas o suficiente para retratar a realidade.<\/p>\n<p>A bem da verdade \u00e9 que eu fico com os dois p\u00e9s atr\u00e1s toda vez que aparece algu\u00e9m do \u00e9ter e, mesmo sem me conhecer, demonstra segundas inten\u00e7\u00f5es. A web \u00e9 um ambiente repleto de gente estranha, muitas delas incapazes de agir da mesma forma quando desliga o computador. Seja por timidez ou por raz\u00f5es est\u00e9ticas mesmo.<\/p>\n<p>Mas enfim. Voltando ao seu coment\u00e1rio, franzi a testa ao constatar que voc\u00ea n\u00e3o acha o blog legal, apesar de criativo. Conv\u00e9m avis\u00e1-la: normalmente as pessoas que me encontram pessoalmente ap\u00f3s passar pelo blog dizem que \"sou exatamente como estou aqui\". Ou mais engra\u00e7ado.<\/p>\n<p>Ou seja: imagino o dia que marcarmos para tomar um caf\u00e9 e jogar conversa fora. Depois de duas ou tr\u00eas risadas, voc\u00ea vira e diz: \"sabe, achei voc\u00ea um sujeito criativo... Mas n\u00e3o legal. Fazer o qu\u00ea, n\u00e9...\".<\/p>\n<p>Bom, se isso acontecer, ao menos voc\u00ea n\u00e3o vai dizer que \"eu era melhor nas fotografias...\" \ud83d\ude00<\/p>\n<p>Respondendo \u00e0 sua pergunta, n\u00e3o tenho namorada. Ali\u00e1s, faz tanto tempo que n\u00e3o me lembro mais como \u00e9 ter uma. Vou mais longe: ultimamente, todas as pessoas interessantes e inteligentes que conhe\u00e7o moram longe ou j\u00e1 est\u00e3o comprometidas. As outras n\u00e3o querem saber do termo \"namoro\", acham que eu sou rom\u00e2ntico demais para bancar o canalha e satisfazer suas necessidades f\u00edsicas. De repente, o destino prova que eu estou errado.<\/p>\n<p>Ah, se voc\u00ea responder a essa mensagem e dizer que gostaria de continuar a prosa, prepare-se: na maioria das vezes, escrevo bem mais que isso. Aproveite pra me contar o que voc\u00ea faz da vida (e com a vida), e o mais importante: o seu signo.<\/p>\n<p>Grande beijo pra ti!<\/tt><\/p>\n<p>Estranho, mas ainda n\u00e3o tive resposta. Ser\u00e1 que eu disse alguma besteira?<\/p>\n<p><i>(Postado em 30\/06\/2005)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ah, o amor. Sentimento que mais vassalos possui, como disse aquela poeta. 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