{"id":1392,"date":"2007-01-18T12:12:32","date_gmt":"2007-01-18T15:12:32","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/passei-no-teste-da-goiabinha"},"modified":"2007-01-18T12:12:32","modified_gmt":"2007-01-18T15:12:32","slug":"passei-no-teste-da-goiabinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/passei-no-teste-da-goiabinha\/","title":{"rendered":"Passei no teste da Goiabinha"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\">Eu nunca sei o que fazer diante dos milhares que compartilham suas dificuldades em sem\u00e1foros, cal\u00e7adas e afins. Fazem malabarismo, limpam o p\u00e1ra-brisa, deixam balas e mensagens penduradas no retrovisor&#8230; Ou simplesmente oferecem balinhas, chocolates, frutas, bugigangas, enfim. O <a href=\"http:\/\/www.fiapodejaca.com.br\" target=\"_blank\"><b>Tuca<\/b><\/a> me disse uma vez que, diante de tamanha concorr\u00eancia, ele j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 mais esmola, mas paga couvert art\u00edstico: dependendo da performance, ele encontra algumas moedas.<\/p>\n<p>Minha postura \u00e9 mais radical. Como eu nunca sei qual o destino desses trocados, prefiro n\u00e3o dar nunca. Quer dizer, quase nunca. Nessa semana, algo inexplic\u00e1vel aconteceu enquanto eu via a vida passar sentado no escad\u00e3o da Gazeta, na Paulista.<\/p>\n<p>Surgiu repentinamente um homem, devia ter uns cinq\u00fcenta, quase sessenta anos. Tinha bigode, usava uma camisa p\u00f3lo verde e trazia nas m\u00e3os uma caixa de Goiabinha \u2013 aquela da Bauducco, com poucas calorias. \u201cOi, me ajuda. Duas por um real\u201d, pediu, com o rosto fechado e a voz para dentro. \u201cHoje n\u00e3o, meu amigo\u201d, respondi. N\u00e3o sei quem estou querendo enganar: normalmente \u00e9 nem hoje, nem nunca.<\/p>\n<p>O semblante daquele senhor se transformou. \u201cMeu Deus do c\u00e9u, n\u00e3o sei o que fazer. Eu j\u00e1 ofereci isso a cinq\u00fcenta pessoas, e ningu\u00e9m quis comprar. Ser\u00e1 que eu vou ter que fazer alguma coisa errada?\u201d. Essa \u00faltima frase soou como uma amea\u00e7a: ele faria uma coisa errada com o primeiro imbecil que recusasse a compra. E seria eu.<\/p>\n<p>Se bem que, no fundo, acreditava que, se o sujeito tivesse um bom cora\u00e7\u00e3o, dificilmente poderia fazer algum mal. \u201cEi, amigo, cinq\u00fcenta pessoas na Avenida Paulista \u00e9 um n\u00famero baixo. E quer saber mais? De repente, o problema n\u00e3o est\u00e1 no seu produto, mas no seu marketing pessoal. J\u00e1 experimentou um sorriso, uma apar\u00eancia simp\u00e1tica? Essas coisas fazem uma grande diferen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Ele esbo\u00e7ou um sorriso \u2013 o que, diante daquela primeira impress\u00e3o, era um esfor\u00e7o tremendo. Decidi resgatar algumas moedas na bolsa at\u00e9 somar um real. \u201cA\u00ed, t\u00e1 vendo?\u201d, retrucou o bigode. \u201cOpa! Lembra o que eu disse sobre ser simp\u00e1tico?\u201d, devolvi. Quase desisti das Goiabinhas.<\/p>\n<p>Algumas moedas de cinco, dez e vinte e cinco centavos depois, fizemos a t\u00e3o esperada troca: um real por duas Goiabinhas. O homem guardou os trocos, parou alguns minutos na minha frente e, sem encontrar palavras, parou por poucos instantes antes de dizer: \u201cvoc\u00ea vai ser muito feliz\u201d. Apertou a minha m\u00e3o e saiu. Perdeu-se no meio da multid\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias, procurei o homem da Goiabinha pelos arredores, mas n\u00e3o o encontrei mais. Num relance, tive a impress\u00e3o de que ele, na verdade, era alguma entidade enviada por alguma for\u00e7a celestial divina, simplesmente para testar a capacidade do meu cora\u00e7\u00e3o. Devo ter sido aprovado, acho.<\/p>\n<p>Apesar que, ultimamente, ando respondendo as alternativas erradas em outras provas. Se isso foi realmente mais um teste, minha m\u00e9dia continua baixa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu nunca sei o que fazer diante dos milhares que compartilham suas dificuldades em sem\u00e1foros, cal\u00e7adas e afins. Fazem malabarismo, limpam o p\u00e1ra-brisa, deixam balas e mensagens penduradas no retrovisor&#8230; Ou simplesmente oferecem balinhas, chocolates, frutas, bugigangas, enfim. 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