{"id":139,"date":"2008-03-01T23:55:05","date_gmt":"2008-03-02T02:55:05","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/muito-alem-do-cidadao-kane"},"modified":"2008-03-01T23:55:05","modified_gmt":"2008-03-02T02:55:05","slug":"muito-alem-do-cidadao-kane","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/muito-alem-do-cidadao-kane\/","title":{"rendered":"Muito al\u00e9m do Cidad\u00e3o Kane"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\" \/>Quem fez jornalismo, direito ou mesmo outra faculdade na \u00e1rea de humanas, j\u00e1 deve ter ouvido falar de um document\u00e1rio chamado <i>Brazil, Beyond Citizen Kane<\/i>. Produzido no come\u00e7o da d\u00e9cada de 90 por uma produtora inglesa, a id\u00e9ia era explicar para os brit\u00e2nicos de que maneira um conhecido cidad\u00e3o deste pa\u00eds tropical conseguiu criar um imp\u00e9rio da comunica\u00e7\u00e3o e, de quebra, influenciar a sociedade &#8211; sabem de quem estou falando, certo?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/kane1103.gif\" align=\"right\" \/>A alus\u00e3o com o Cidad\u00e3o Kane, magnata da m\u00eddia criado por Orson Wells, n\u00e3o veio ao acaso. Por outro lado, o document\u00e1rio mais bate do que apanha. Quer dizer, isoladamente, um relato afiado, somado a entrevistas de inimigos declarados do conglomerado, como Leonel Brizola, Armando Falc\u00e3o, ou ainda um ent\u00e3o candidato derrotado \u00e0 presid\u00eancia, ap\u00f3s um malfadado debate, cuja edi\u00e7\u00e3o exibida no seu grande jornal de alcance nacional praticamente determinou os rumos daquela elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora imagine se um document\u00e1rio como esse em rede nacional, naquela \u00e9poca. Mr. Bob of Sea pensou nisso e travou uma verdadeira batalha judicial com o canal ingl\u00eas. Mais tarde, o v\u00eddeo foi exibido e, de maneira clandestina, foi trazido ao Brasil. A fita, que chegou a ser exibida &#8211; sem causar muito estardalha\u00e7o &#8211; foi confiscada na \u00e9poca do governador Fleury, o mesmo que, apesar dos problemas em sua administra\u00e7\u00e3o, hoje \u00e9 procurador da Rep\u00fablica no Congresso.<\/p>\n<p>Realmente, hoje os tempos s\u00e3o outros. A V\u00eanus Platinada mostrou maturidade em seu jornalismo com a cobertura das elei\u00e7\u00f5es no ano passado, fazendo com que todos esquecessem da maneira como ela tratou as Diretas, em 1984. E o tal document\u00e1rio confiscado, cujas c\u00f3pias piratas circulam nas faculdades e at\u00e9 mesmo em alguns lares, pode ser encontrado na Internet facilmente. Quem j\u00e1 baixou de guardar para si um documento datado e  discut\u00edvel, mas bastante interessante. E quem n\u00e3o viu ainda tem a chance de assistir algo bem melhor e mais inteligente que a cobertura carnavalesca da Rede TV.<\/p>\n<p><i>(Postado em 11\/03\/2003. No \u00faltimo final de semana, <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/brasil\/ult96u375398.shtml\" target=\"_blank\"><b>a Folha entrevistou John Ellis<\/b><\/a>, s\u00f3cio de Simon Hartog, diretor do filme. Al\u00e9m de dizer que &#8220;o Brasil demorou para criar uma TV p\u00fablica&#8221;, revelou que tanto a Globo quanto a Record tentaram comprar os direitos do document\u00e1rio. Ele tamb\u00e9m recomenda: &#8220;essa \u00e9 uma hist\u00f3ria importante e deveria ser conhecida pelo menos por todos que est\u00e3o estudando a m\u00eddia nas universidades e qualquer pessoa que estiver interessada na hist\u00f3ria pol\u00edtica do Brasil&#8221;.)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem fez jornalismo, direito ou mesmo outra faculdade na \u00e1rea de humanas, j\u00e1 deve ter ouvido falar de um document\u00e1rio chamado Brazil, Beyond Citizen Kane. 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