{"id":137,"date":"2008-02-28T23:59:58","date_gmt":"2008-02-29T02:59:58","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/cinco-coisas-que-carregava-em-minha-mochila-escolar"},"modified":"2008-02-28T23:59:58","modified_gmt":"2008-02-29T02:59:58","slug":"cinco-coisas-que-carregava-em-minha-mochila-escolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/cinco-coisas-que-carregava-em-minha-mochila-escolar\/","title":{"rendered":"Cinco coisas que carregava em minha mochila escolar"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/top5.gif\" align=\"right\" \/>A id\u00e9ia dessa listinha vagabunda veio quando soube hoje cedo que a borracha TK Plast, um dos xod\u00f3s da Faber Castell, <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/Noticias\/Vestibular\/0,,MUL330895-5604,00-ASSOCIACAO+DIZ+QUE+BORRACHA+TEM+SUBSTANCIA+TOXICA.html\" target=\"_blank\"><b>pode provocar c\u00e2ncer<\/b><\/a> gra\u00e7as a presen\u00e7a de uma subst\u00e2ncia de nome ftalato na composi\u00e7\u00e3o do produto. A empresa, uma das mais antigas e consagradas do ramo, j\u00e1 avisou que nenhuma borracha produzida a partir de setembro passado possui esta subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Isso significa que a minha gera\u00e7\u00e3o, que ostentava uma TK Plast na sala de aula, pode manifestar rea\u00e7\u00f5es adversas? Eu duvido, porque s\u00f3 usava ela. Achava infinitamente melhor que a vers\u00e3o verde-prancha, \u00fatil apenas combinada com o tubo de uma caneta bic (vira uma excelente zarabatana), ou a vers\u00e3o Gre-Nal, metade azul metade vermelha, que n\u00e3o apagava piciroca nenhuma &#8211; pelo contr\u00e1rio, s\u00f3 borrava ou rasgava as folhas do meu caderno.<\/p>\n<p>Parece rid\u00edculo &#8220;ostentar&#8221; uma TK Plast? Provavelmente porque nenhuma mo\u00e7a bonita da sua sala de aula virava para voc\u00ea e, com um sorriso meigo nos l\u00e1bios, perguntava graciosamente: &#8220;mimpresta uma borracha?&#8221;. At\u00e9 hoje os pais n\u00e3o entendem a necessidade de um estudante, especialmente a galera do prim\u00e1rio e gin\u00e1sio: material escolar \u00e9 pe\u00e7a fundamental para formar a identidade e contribuir com a sociabiliza\u00e7\u00e3o estudantil.<\/p>\n<p>Independente do ftalato (a empresa garante que a TK Plast sempre esteve em conformidade com as normas nacionais, sem falar na aus\u00eancia de estudos conclusivos a respeito da tal subst\u00e2ncia), a borrachinha entraria facilmente no Top 5. Para que ningu\u00e9m fique com vontade de enfiar uma na boca, vamos deix\u00e1-la apenas como men\u00e7\u00e3o honrosa. Os demais itens a seguir eram os desejos de consumo do meu &#8220;primeiro grau&#8221;.<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#5<\/font> <b>Caneta Kilom\u00e9trica<\/b> &#8211; Vamos esclarecer as coisas: sin\u00f4nimo de caneta vendida a rodo \u00e9 a Bic, e mesmo assim ela costuma estourar no bolso das camisas. Durante algum tempo, a Gillette do Brasil lan\u00e7ou um produto bacana, cuja campanha publicit\u00e1ria bateu de frente com a tradicional: chamava-se Kilom\u00e9trica. Era toda na cor da tinta e, em seu corpo, o desenho bacana que ilustrava o comercial de TV: &#8220;Kilom\u00e9trica, a caneta simp\u00e1tica por um pre\u00e7o milim\u00e9trico&#8221;.<\/p>\n<p>De fato, era mais barata. Mas era bem ruinzinha. Tanto que a modinha da Kilom\u00e9trica acabou assim que a Bic lan\u00e7ou a caneta que realmente pegou em qualquer sala de aula: a quatro cores. Ainda assim, vale registrar a presen\u00e7a de um produto que, certa vez, tentou peitar a caneta Bic.<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#4<\/font> <b>Lapiseira Poly<\/b> &#8211; Eu sempre odiei l\u00e1pis. Mesmo os coloridos: sempre fui um p\u00e9ssimo artista, escolhia sempre as piores cores da minha caixa de 32. Tamb\u00e9m n\u00e3o sabia acertar o apontador. Errava a m\u00e3o em todas as vers\u00f5es, inclusive na mais bacana de todos os tempos: aquele em formato de capacete, que armazenava os restos mortais dos l\u00e1pis.<\/p>\n<p>Joguei tudo fora quando descobri minha primeira lapiseira. Era uma Compactor, que usava aqueles grafit\u00e3os bem grossos, que vinham com um apontador na ponta superior. Talvez indignado com o apontador, migrei para a vers\u00e3o 0.5 assim que a Faber Castell (sempre ela) lan\u00e7ou a simp\u00e1tica Poly &#8211; tamb\u00e9m anunciada com alarde na m\u00eddia, gra\u00e7as a um bichinho animado e sorridente (cujos passos eram acompanhados pela onomatop\u00e9ia bonachona &#8220;poly&#8221;).<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#3<\/font> <b>Liquid Paper<\/b> &#8211; Eu sempre adorei caneta. Carregava um peso, uma responsabilidade infinitamente superior a do l\u00e1pis: &#8220;se errou, n\u00e3o d\u00e1 pra apagar&#8221;. Quer dizer, h\u00e1 quem acredite na efic\u00e1cia daquela borracha Gre-Nal at\u00e9 hoje. Mas enfim. \u00d3bvio que eu errava usando caneta. E muito. Meus cadernos eram repletos de riscos e borr\u00f5es desconexos com trechos pretensiosamente intelig\u00edveis.<\/p>\n<p>O mundo mudou quando a Paper Mate trouxe para o Brasil, j\u00e1 no final dos anos 80, a primeira vers\u00e3o do Liquid Paper. Tinha o criativo slogan &#8220;\u00e9 l\u00edquido e certo&#8221;. Era uma embalagem de vidro, com r\u00f3tulo preto. E o tal &#8220;branquinho&#8221; tinha cheiro de tinta (tenho certeza de que muita gente ficou doidona cheirando aquele vidrinho). A f\u00f3rmula era realmente avan\u00e7ada para a \u00e9poca: al\u00e9m da vers\u00e3o &#8220;branquinho&#8221;, eera poss\u00edvel comprar o &#8220;solvente&#8221;, caso o produto ressecasse de vez.<\/p>\n<p>E era batata, claro. Em poucas semanas, a rosca do Liquid Paper esfarelava, e pra resolver s\u00f3 com solvente. Sem falar que, por ser novidade, a patota praticamente &#8220;rebocava&#8221; os cadernos com o neg\u00f3cio. No fim do ano, os cadernos eram verdadeiras &#8220;lazanhas&#8221; de papel, palavras e corretor ortogr\u00e1fico l\u00edquido&#8230;<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#2<\/font> <b>Estojo com compartimentos<\/b> &#8211; Durante todo o prim\u00e1rio, mantive at\u00e9 o fim um companheiro de madeira para transportar meus l\u00e1pis, canetas, TK Plast e apontador. A partir da quinta s\u00e9rie, troquei por um estojo mais male\u00e1vel, desses de tecido emborrachado. Entrei no curso t\u00e9cnico bastante satisfeito com os meus dois recept\u00e1culos velhos de guerra.<\/p>\n<p>Agora, se existia algo capaz de causar inveja em qualquer moleque eram os estojos mais invocados, repleto de z\u00edperes e portinholas fechadas com im\u00e3s, el\u00e1stico prendedores de l\u00e1pis, apontadores embutidos ou saltitantes&#8230; Uma festa ainda mais intensa que o festival de lancheiras dos tempos \u00e1ureos de inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p><font size=\"4\" color=\"#CC0000\">#2<\/font> <b>Caderno universit\u00e1rio Salesiano<\/b> &#8211; Sem qualquer contexto, o nome &#8220;brochura&#8221; j\u00e1 transmite uma sensa\u00e7\u00e3o ruim, desagrad\u00e1vel. Uma brochura. Quando me libertei da obriga\u00e7\u00e3o dos cadernuchos encapados com papel pardo ou dobradura, parti para os cadernos em espiral. Quando o gin\u00e1sio chegou, fiz quest\u00e3o de levar o mais bacana de todos: o caderno de dez mat\u00e9rias Salesiano, da linha &#8220;Imagem &amp; Mensagem&#8221;. aquele com cores e lacunas semicirculares nas folhas.<\/p>\n<p>O tempo passou e a marca mudou na \u00e9poca que a Kalunga entrou no neg\u00f3ocio, trocando o nome para Spiral. Mas as capas diferentes e tem\u00e1ticas nunca sa\u00edram de moda. E pensando nele, no meu estojo manchado de corretor, nas canetas estouradas e na caixinha de grafites em pedacinhos, d\u00e1 at\u00e9 vontade de voltar para a quinta s\u00e9rie, onde tudo parecia mais f\u00e1cil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A id\u00e9ia dessa listinha vagabunda veio quando soube hoje cedo que a borracha TK Plast, um dos xod\u00f3s da Faber Castell, pode provocar c\u00e2ncer gra\u00e7as a presen\u00e7a de uma subst\u00e2ncia de nome ftalato na composi\u00e7\u00e3o do produto. 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