{"id":1368,"date":"2006-10-11T13:55:48","date_gmt":"2006-10-11T16:55:48","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/temos-todo-o-tempo-do-mundo"},"modified":"2006-10-11T13:55:48","modified_gmt":"2006-10-11T16:55:48","slug":"temos-todo-o-tempo-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/temos-todo-o-tempo-do-mundo\/","title":{"rendered":"Temos todo o tempo do mundo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/backfut.gif\" align=\"right\">Em dez anos, minha vida mudou muito \u2013 era muito gostoso ter dezenove anos. Em 1996, experimentava a dif\u00edcil tarefa de tocar uma vida dupla: t\u00e9cnico em eletrot\u00e9cnica e funcion\u00e1rio de um laborat\u00f3rio de calibra\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas de dia, aluno do primeiro ano de jornalismo \u00e0 noite. J\u00e1 tinha me enturmado com o pessoal do fund\u00e3o, mas mesmo \u00e0 vontade, ainda alimentava d\u00favidas sobre meu futuro \u2013 ser um oscilante profissional de humanas ou permanecer na estabilidade de exatas.<\/p>\n<p>Foi no dia 12 de outubro daquele ano, um s\u00e1bado, que sa\u00ed com o Marmoturbo pela primeira vez sozinho, ainda que j\u00e1 tivesse habilita\u00e7\u00e3o desde fevereiro. Um dia antes, na sexta-feira, o assunto tanto no laborat\u00f3rio quanto na faculdade era um s\u00f3. Tema que, s\u00f3 para contrariar a juventude dos anos 80 e 90, n\u00e3o era dos meus preferidos.<\/p>\n<table align=\"right\">\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/adilsonfuzo2509.jpg\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><i>Esse n\u00e3o \u00e9 o Renato<br \/>Russo, mas sim seu<br \/>clone Adilson Fuzo!<\/i><\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p>Para ser mais claro: eu n\u00e3o era f\u00e3 de Legi\u00e3o Urbana. Admirava a banda, sabia da sua influ\u00eancia na musica brasileira e conhecia muitos amigos que idolatravam Renato Russo&#8230; Mas eu nunca me entusiasmei. Pelo contr\u00e1rio: quando a banda lan\u00e7ou \u201cAs Quatro Esta\u00e7\u00f5es\u201d, minha vizinha tocava \u201cPais e Filhos\u201d umas dez vezes por dia, e aquilo me irritava profundamente.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em setembro de 96, veio A Tempestade, talvez a coisa mais melanc\u00f3lica que a Legi\u00e3o Urbana criou em seus quase quinze anos de exist\u00eancia. Era aquela coisa meio \u201cn\u00e3o se preocupe, voc\u00ea vai morrer, n\u00e3o precisa dizer nada, nem chorar quando eu for embora\u201d&#8230; Alguns dias depois desse lan\u00e7amento, em 11 de outubro, Renato Manfredini J\u00fanior deixou seus fas \u00f3rf\u00e3os. Durante todo o dia, as r\u00e1dios paulistanas tocaram muitas vezes o triste hit \u201cA Via L\u00e1ctea\u201d.<\/p>\n<p>O mais impressionante \u00e9 que n\u00e3o parecem dez anos desde aquela sexta-feira \u2013 e n\u00e3o digo isso apenas pelos sete discos p\u00f3stumos, cinco da Legi\u00e3o e dois de Renato Russo. Mesmo quem atravessa a adolesc\u00eancia hoje venera \u201ca melhor banda de todos os tempos\u201d como se o compositor estivesse ainda mais vivo. \u00c9 ineg\u00e1vel que as letras permanecem atuais, sejam elas retratos dos nossos sentimentos ou dos males enraizados em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou a pessoa certa para escrever sobre a perda desse poeta talentoso, intenso e revolucion\u00e1rio, cuja mensagem e atitude ainda inspiram o Brasil. Talvez eu devesse abrir espa\u00e7o para o Lello ou qualquer outro cuja vida tenha sido influenciada por ele. Ou que ainda influencie. Afinal, temos nosso pr\u00f3prio tempo&#8230; O que foi escondido \u00e9 o que se escondeu, o que foi prometido, ninguem prometeu, nem foi tempo perdido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em dez anos, minha vida mudou muito \u2013 era muito gostoso ter dezenove anos. Em 1996, experimentava a dif\u00edcil tarefa de tocar uma vida dupla: t\u00e9cnico em eletrot\u00e9cnica e funcion\u00e1rio de um laborat\u00f3rio de calibra\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas de dia, aluno do primeiro ano de jornalismo \u00e0 noite. 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