{"id":1363,"date":"2006-09-20T19:48:54","date_gmt":"2006-09-20T22:48:54","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/modulo-para-paulistadas-no-navegador-gps"},"modified":"2006-09-20T19:48:54","modified_gmt":"2006-09-20T22:48:54","slug":"modulo-para-paulistadas-no-navegador-gps","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/modulo-para-paulistadas-no-navegador-gps\/","title":{"rendered":"M\u00f3dulo para paulistadas no navegador GPS"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\">Motoristas de S\u00e3o Paulo v\u00e3o ganhar neste m\u00eas um novo aliado para a guerra di\u00e1ria do tr\u00e2nsito: um navegador por GPS port\u00e1til, <a href=\"http:\/\/quatrorodas.abril.com.br\/autoservico\/cumpre\/conteudo_164741.shtml\" target=\"_blank\"><b>lan\u00e7ado pelo Guia Quatro Rodas<\/b><\/a>, equipamento semelhante ao que j\u00e1 existe em outras regi\u00f5es do mundo. Vi o brinquedinho pela primeira vez num t\u00e1xi em Paris, e o motorista n\u00e3o teve a menor dificuldade para seguir do aeroporto de Orly at\u00e9, a rue Saint-Antoine, perto da esta\u00e7\u00e3o Saint-Paul do metr\u00f4, no centro do Marais.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, os taxistas da capital paulista deviam ser obrigados a instalar o co-piloto via sat\u00e9lite. Costumo dizer que h\u00e1 uma diferen\u00e7a conceitual entre os motoristas de t\u00e1xi no Rio e em S\u00e3o Paulo. Os primeiros costumam questionar \u201cqual caminho prefere\u201d: pela praia, pelo aterro, pelo centro&#8230; Os segundos perguntam \u201chmmmm, qual \u00e9 mesmo o caminho\u201d, tentando lembrar de que lado fica a rua ou o bairro desejado, sem sucesso. Obviamente, tanto aqui como em qualquer lugar, o GPS poderia inibir o espertalh\u00e3o, aquele que d\u00e1 cento e duzentas voltas para percorrer alguns quarteir\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas enfim. O navegador port\u00e1til vai custar R$ 2.300, praticamente cem vezes mais que o bom, velho e indispens\u00e1vel guia de ruas tradicional. No atual est\u00e1gio, a rela\u00e7\u00e3o entre custo e benef\u00edcio n\u00e3o compensa, j\u00e1 que o novo equipamento faz o mesmo servi\u00e7o de um colega treinado no banco do passageiro. E sem a voz metalizada na frase \u201cvire na pr\u00f3xima \u00e0 direita\u201d.<\/p>\n<p>A coisa deve mudar, evidentemente, com a evolu\u00e7\u00e3o do navegador. Um acordo com a CET, por exemplo, pode fazer com que o aparelho ajude os motoristas a fugirem das vias congestionadas, tra\u00e7ando rotas alternativas no mesmo instante. Como ainda \u00e9 poss\u00edvel sonhar sem multas ou pontos na carteira, por que n\u00e3o um equipamento programado para executar as irremedi\u00e1veis paulistadas?<\/p>\n<p>Aqui cabe uma defini\u00e7\u00e3o para derrubar qualquer m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o. Paulistada n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de barbeiragem, ou seja l\u00e1 como voc\u00ea define. A barbeiragem tradicional \u00e9 inconsciente. Acontece quando o cururu n\u00e3o sinaliza, ignora os retrovisores, acelera ou freia na hora errada&#8230; Situa\u00e7\u00f5es provocadas por imprud\u00eancia, imper\u00edcia ou ingenuidade.<\/p>\n<p>A aut\u00eantica paulistada \u00e9 consciente. Todo paulistano, especialista no complexo tr\u00e2nsito de S\u00e3o Paulo, acredita que sabe quais s\u00e3o os melhores momentos para ignorar o sinal vermelho, o aviso de retorno ou convers\u00e3o proibidos, mudar de faixa ou piscar a luz alta sem pedir licen\u00e7a&#8230; Normalmente a paulistada funciona, aumentando a confian\u00e7a \u2013 e, porque n\u00e3o dizer, a arrog\u00e2ncia \u2013 do motorista, que sempre vai ter raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Claro que, de acordo com a lei, esses momentos nunca deveriam existir. Mas j\u00e1 que a paulistada \u00e9 inevit\u00e1vel, ao menos que seja com seguran\u00e7a, garantida pelo sistema de navega\u00e7\u00e3o via sat\u00e9lite. \u201cPara chegar ao seu destino, siga sempre em frente, vire \u00e0 direita a 500 metros, depois \u00e0 direita e novamente \u00e0 direita. Aguarde no cruzamento e espere o sinal verde. Agora, como s\u00e3o tr\u00eas e meia da manh\u00e3&#8230; Quer mesmo saber? Encoste antes do sem\u00e1foro \u00e0 esquerda, ligue \u00e0 seta e espere o sinal vermelho&#8230; N\u00e3o, n\u00e3o precisa, agora n\u00e3o vem ningu\u00e9m. Vai, agora, ningu\u00e9m est\u00e1 vendo mesmo&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>Tudo bem, depois que o pa\u00eds inteiro se comoveu com <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/cotidiano\/ult95u125797.shtml\" target=\"_blank\"><b>cinco jovens mortos num acidente<\/b><\/a>, algu\u00e9m pode dizer que o \u201cm\u00f3dulo paulistada para o GPS\u201d n\u00e3o seja uma boa id\u00e9ia. Concordo. Talvez fosse mais \u00fatil um \u201cbloqueador et\u00edlico\u201d&#8230; Enfim, n\u00e3o se trata de uma apologia ao crime no volante, mas sim uma constata\u00e7\u00e3o seguida por uma mensagem: mantenha a responsabilidade ao dirigir por voc\u00ea e pelos demais motoristas, e assuma os riscos de suas paulistadas, especialmente as aparentemente inofensivas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Motoristas de S\u00e3o Paulo v\u00e3o ganhar neste m\u00eas um novo aliado para a guerra di\u00e1ria do tr\u00e2nsito: um navegador por GPS port\u00e1til, lan\u00e7ado pelo Guia Quatro Rodas, equipamento semelhante ao que j\u00e1 existe em outras regi\u00f5es do mundo. 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