{"id":1358,"date":"2006-09-08T22:07:41","date_gmt":"2006-09-09T01:07:41","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/estadios-que-eu-fui-olympiastadion"},"modified":"2006-09-08T22:07:41","modified_gmt":"2006-09-09T01:07:41","slug":"estadios-que-eu-fui-olympiastadion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/estadios-que-eu-fui-olympiastadion\/","title":{"rendered":"Est\u00e1dios que eu fui: Olympiastadion"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-alemanha.jpg\" align=\"right\">\u00c9 vergonhoso, eu sei. Mas depois de uma viagem para a Europa em outubro\/novembro, j\u00e1 passou praticamente um ano, tempo para sair de f\u00e9rias novamente e acompanhar uma Copa perdida. Ainda assim, n\u00e3o consegui escrever tudo o que queria a respeito. Sinceramente, pensava at\u00e9 em abortar os par\u00e1grafos, j\u00e1 que ningu\u00e9m sentiria falta deles al\u00e9m de mim.<\/p>\n<p>Mas enfim, eu sentiria falta. Por isso, aqui vai.<\/p>\n<p>Em tempo: o Inagaki ficou de me mandar um texto sobre procrastina\u00e7\u00e3o. Mesmo quando ele lembrar disso, provavelmente eu n\u00e3o consiga ler de imediato.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/barrale.jpg\"><\/div>\n<p>Em uma das salas do <a href=\"http:\/\/www.sportmuseum.info\" target=\"_blank\"><b>Museu do Esporte e Olimp\u00edadas<\/b><\/a> em Col\u00f4nia, uma saleta branca exibe objetos referentes aos Jogos de 1936, al\u00e9m de trechos do filme Olympia, considerado um dos marcos da hist\u00f3ria do cinema \u2013 sem falar nas quest\u00f5es relacionadas \u00e0 propaganda nazista e \u00e0 vit\u00f3ria de Jess\u00e9 Owens sobre a ra\u00e7a ariana. Mas enfim. Foi a primeira refer\u00eancia que tive, em solo germ\u00e2nico, do magn\u00edfico est\u00e1dio ol\u00edmpico de Berlim, constru\u00eddo para aquela ocasi\u00e3o e que seria usado, setenta anos depois, na final da Copa do Mundo.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/berlimoli1008.jpg\"><\/div>\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.olympiastadion-berlin.de\" target=\"_blank\"><b>Olympiastadion<\/b><\/a>, evidentemente, fica bem melhor pessoalmente.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/barrale.jpg\"><\/div>\n<p>Nosso primeiro contato foi na noite de 26 de outubro de 2005. T\u00ednhamos passe de imprensa para acompanhar Hertha Berlin e Borussia M\u00f6nchengladbach, pela segunda rodada da Copa da Alemanha. Foi na mesma quarta-feira que t\u00ednhamos ido aos bunkers: de Gesundbrunnen, tomamos qualquer um dos S-Bahn que \u201cfazem a volta\u201d na cidade at\u00e9 Westkreuz, e de l\u00e1 tomamos outro trem, sentido Spandau, at\u00e9 a hist\u00f3rica esta\u00e7\u00e3o Olympiastadion. Outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 o metr\u00f4: as linhas 2 e 12 do U-Bahn passam por ali \u2013 \u00e9 o caminho mais r\u00e1pido a partir de Zoologicher Garten.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/berlimolimetro1008.jpg\"><\/div>\n<p>Mas enfim. Chegamos \u00e0s proximidades do est\u00e1dio pouco antes do sol ir embora, tempo suficiente para nos integrarmos aos torcedores dos dois times \u2013 e isso foi marcante em toda a Alemanha: mesmo nas esta\u00e7\u00f5es de trem em dias de rodada, onde os comboios traziam todas as cores club\u00edsticas poss\u00edveis, n\u00e3o havia um \u00fanico ind\u00edcio de briga. A uns 100 metros da entrada, pessoas de azul ou preto e verde conviviam harmoniosamente, tomando canecas de cerveja e comendo p\u00e3o com salsicha.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/berlimolinoite1008.jpg\"><\/div>\n<p>Dividimos o mesmo espa\u00e7o da imprensa naquela noite, com direito ao camarote especial, cheio de acepipes na mesa e bebidas \u00e0 vontade, al\u00e9m de assentos pr\u00f3ximos \u00e0s posi\u00e7\u00f5es do pessoal de r\u00e1dio e TV. Uma constata\u00e7\u00e3o chata: os postes da cobertura, um dos pontos altos da reforma do est\u00e1dio, atrapalhavam muito a vis\u00e3o de jogo em alguns poucos lugares. Enfim, essa foi a \u00fanica constata\u00e7\u00e3o chata da noite, \u00f3bvio. O lugar \u00e9 fora de s\u00e9rie, a torcida \u00e9 bem barulhenta e o Herta de Marcelinho Para\u00edba, em casa, fez 3 a 0 no Borussia M\u00f6nchengladbach, de Kah\u00ea.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/barrale.jpg\"><\/div>\n<p>No dia seguinte, a turma do curso voltou ao Olympiastadion, desta vez em outra condi\u00e7\u00e3o: sem torcedores, mas com acesso livre a outros setores. Se nas arquibancadas ou no gramado as imposi\u00e7\u00f5es dos novos tempos deram cara nova ao lugar, a hist\u00f3ria est\u00e1 presente em toda parte. Todas as depend\u00eancias, desde a sala de imprensa, vesti\u00e1rios, corredores, camarotes, etc., mant\u00eam preservados elementos originais, como o assoalho de madeira e alguns lustres. Do lado de fora, a mesma coisa: est\u00e1tuas do tempo de Hitler continuam ali, assim como a fachada original. Mais do que um palco preparado para uma Copa, o lugar preserva demais o seu passado.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/berlimolidentro1008.jpg\"><\/div>\n<p>Por ser um patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, a reforma do est\u00e1dio custou tanto quanto a constru\u00e7\u00e3o do nov\u00edssimo Allianz Arena, em Munique. Mais do que isso: a constru\u00e7\u00e3o levou dois anos (1934 a 1936), enquanto a moderniza\u00e7\u00e3o levou quatro (2000 a 2004). Uma das raz\u00f5es est\u00e1 no meticuloso e surpreendente m\u00e9todo usado para \u201cdesmontar\u201d e \u201cremontar\u201d alguns setores. Mais de 70 mil pedras foram numeradas, retiradas, restauradas e recolocadas da mesma forma. Impressionante.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/barrale.jpg\"><\/div>\n<p>Enfim, os alem\u00e3es apresentaram doze palcos impec\u00e1veis em seu Mundial, alguns com muita hist\u00f3ria para contar (como em Berlim ou Dortmund), outros t\u00e3o espetaculares e inovadores que nem precisam de um hist\u00f3rico (como em Gelsenkirchen). De todos os est\u00e1dios da Copa, tive a oportunidade de conhecer a metade. Todos pr\u00f3ximos ao metr\u00f4 ou ao trem, bem sinalizados, confort\u00e1veis e organizados. Olhando para cada um, tive a certeza de que o Brasil dificilmente conseguir\u00e1 fazer algo parecido.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m: <a href=\"http:\/\/www.gardenal.org\/balipodo\/2006\/08\/o_seculo_xx_passou_por_aqui.html\" target=\"_blank\"><b>O s\u00e9culo XX passou por aqui<\/b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 vergonhoso, eu sei. 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