{"id":1354,"date":"2006-08-17T02:34:09","date_gmt":"2006-08-17T05:34:09","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/nao-nao-estive-no-beira-rio"},"modified":"2006-08-17T02:34:09","modified_gmt":"2006-08-17T05:34:09","slug":"nao-nao-estive-no-beira-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/nao-nao-estive-no-beira-rio\/","title":{"rendered":"N\u00e3o, n\u00e3o estive no Beira-Rio"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/ee.gif\" align=\"right\"><b>Porto Alegre (RS)<\/b> &#8211; Ter\u00e7a-feira, pouco depois das dez da manh\u00e3. Apesar do bom n\u00famero de vendedores nas ruas oferecendo camisas, fitas e bandeiras, a cidade ainda n\u00e3o respirava completamente a final\u00edssima da Libertadores. A verdade \u00e9 que, desde que S\u00e3o Paulo e Internacional conquistaram o direito de fazer a festa, Porto Alegre manteve sua rotineira bipolaridade. \u201cSou paulista desde criancinha\u201d, disse um taxista, surpreso quando eu disse que torceria para o Inter. \u201cMas bah, tu vem de S\u00e3o Paulo e vai torcer pro Colorado?\u201d. Pois \u00e9.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da fila de s\u00f3cios do clube ga\u00facho, que tinham ingresso garantido para a partida, uns cinco ou seis cambistas davam o ar de sua gra\u00e7a nos arredores da Avenida Padre Cacique. Meu sotaque paulistan\u00eas n\u00e3o ajuda em nada nessas horas: mesmo que eu force, nunca vou dizer \u201cpilas\u201d (sin\u00f4nimo de \u201creais\u201d) do mesmo jeito. O primeiro ofereceu quinhentos pilas por um ingresso. Outro fez um pre\u00e7o melhor: trezentos pilas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/interbandeira1708.jpg\" align=\"right\">\u201cEu vendi dois ingressos por dois mil\u201d, comemorou um simp\u00e1tico vendedor de bandeiras. \u201cFiquei o dia todo na fila e paguei cento e cinq\u00fcenta pilas. Agora estou sem, mas o cara era rico, tinha que vender\u201d, concluiu, enquanto tentava me oferecer seu produto, a partir de oitenta pilas. A maioria delas j\u00e1 profetizava: Campe\u00e3o da Am\u00e9rica de 2006. \u201cObrigado, mas isso d\u00e1 azar\u201d, respondi.<\/p>\n<p>Vontade de assistir ao jogo in loco, no est\u00e1dio, era realmente um sonho. Mas eu n\u00e3o era o \u00fanico. Quarenta mil s\u00f3cios tinham os seus passes para a grande noite garantidos. Membros das torcidas organizadas tamb\u00e9m tinham \u2013 mas ao contr\u00e1rio das partidas anteriores, desta vez a diretoria colorada cedeu a quantidade exata de entradas. Os outros dois mil e poucos seriam vendidos nas bilheterias, que viram as filas come\u00e7arem na quinta-feira. Tamanha ansiedade obrigou a venda antecipada no s\u00e1bado, quando os ingressos j\u00e1 estavam esgotados.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/interigreja1708.jpg\" align=\"right\">A bem da verdade, quando desembarquei na cidade, as chances de entrar no est\u00e1dio como um torcedor comum era muito pequena. Poderia ter aproveitado um momento de ora\u00e7\u00e3o na Igreja de Nossa Senhora das Dores para, quem sabe, pedir uma for\u00e7a aos c\u00e9us. Preferi o de sempre: agradecer a Deus por essas coisas todas. A Libertadores, no entanto, continuava na minha cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Ter\u00e7a-feira \u00e0 tarde, por volta das dezoito horas. Os cambistas ainda estavam l\u00e1, mas diante do treino aberto \u00e0 imprensa, muitos torcedores e as tradicionais marias-chuteira \u2013 que nem precisavam entrar no jogo, bastava enxergar um dos \u201cliiindos\u201d jogadores do Inter. O clima de decis\u00e3o estava se instalando definitivamente, e n\u00e3o sairia mais da cidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/intertreino1708.jpg\" align=\"left\">A quarta-feira amanheceu chuvosa, e o dia permaneceu com a temperatura sempre em torno dos dez graus. Logo nas primeiras horas do dia, os primeiros colorados foram para a fila dos port\u00f5es. Eu s\u00f3 decidi circular pelos arredores por volta das quatro da tarde. A partir do shopping Praia de Belas, tradicional ponto de encontro da torcida, infestado de gente vestindo a camisa vermelha.<\/p>\n<p>No caminho para o Beira-Rio, garoa, barro, tr\u00e2nsito, muitos torcedores&#8230; Policiais (aqui chamados \u201cbrigadianos\u201d), fiscais da prefeitura, vendedores de bebidas, r\u00e1dios, faixas, mais fitas, mais bandeiras&#8230; E mais ingressos, alguns chegando aos mil reais. \u201cNunca vi esse lugar t\u00e3o cheio\u201d, conclui, por volta das seis e meia da tarde. A essa altura, os port\u00f5es, que abririam \u00e0s seis, permaneciam fechados. Com o cora\u00e7\u00e3o partido e a roupa molhada de chuva, desisti oficialmente do est\u00e1dio.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/intertorcida1708.jpg\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/interteve1708.jpg\" align=\"right\">S\u00f3 me restava algum bar bacana, com a torcida reunida. A sugest\u00e3o foi o bar Cavanhas, na Lima e Silva, cidade baixa, tradicional reduto da torcida colorada. E o bar estava lotado de gente bonita, alegre e vibrante. Guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, era como se estiv\u00e9ssemos nas arquibancadas. Destaque especial para os gritos de \u201cfuma\u00e7a, fuma\u00e7a\u201d. Realmente, a fumaceira provocada pelos sinalizadores foi decisiva: gra\u00e7as a ela, Clemer arrumou uma boa desculpa diante do seu primeiro erro no jogo.<\/p>\n<p>O segundo erro veio no final do jogo, bem depois de Fernand\u00e3o ter aproveitado a sobra no primeiro tempo, Fab\u00e3o (Fab\u00e3o!!!) ter empatado j\u00e1 na etapa complementar e Tinga, de cabe\u00e7a, ter feito 2 a 1 para o Internacional. O camisa um colorado, que fez uma boa Libertadores, voltou a sua velha forma quase no momento errado: Lenilson fez o gol de empate por 2 a 2 num momento em que o S\u00e3o Paulo, praticamente com quatro atacantes, chegou para o tudo ou nada.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/intercomemora1708.jpg\"><\/div>\n<p>Felizmente deu em nada para o ainda tricampe\u00e3o, e depois de alegrias e sofrimentos, quem estava no Beira-Rio, na Lima e Silva ou em qualquer lugar do Brasil torcendo pelo t\u00edtulo in\u00e9dito, <a href=\"http:\/\/www.gazetaesportiva.net\/reportagem\/futebol\/rep606_inter.php\" target=\"_blank\"><b>finalmente comemora<\/b><\/a>. A essa hora, quem est\u00e1 em casa em Porto Alegre ouve o som dos roj\u00f5es, das buzinas e dos gritos campe\u00f5es da Am\u00e9rica. Essa noite ningu\u00e9m vai dormir.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Alegre (RS) &#8211; Ter\u00e7a-feira, pouco depois das dez da manh\u00e3. Apesar do bom n\u00famero de vendedores nas ruas oferecendo camisas, fitas e bandeiras, a cidade ainda n\u00e3o respirava completamente a final\u00edssima da Libertadores. 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