{"id":1351,"date":"2006-08-04T01:29:26","date_gmt":"2006-08-04T04:29:26","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/eu-so-tenho-medo-do-abelao"},"modified":"2006-08-04T01:29:26","modified_gmt":"2006-08-04T04:29:26","slug":"eu-so-tenho-medo-do-abelao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/eu-so-tenho-medo-do-abelao\/","title":{"rendered":"Eu s\u00f3 tenho medo do Abel\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/ee.gif\" align=\"right\">T\u00e9cnico profissional desde 1982, Abel Braga \u00e9 um daqueles treinadores que conseguem grandes resultados, mas nunca conquistou grandes t\u00edtulos. Foram seis, todos estaduais: dois em Pernambuco (Santa Cruz), dois no Paran\u00e1 (Atl\u00e9tico Paranaense) e dois no Rio de Janeiro (Flamengo e Fluminense). Mas ningu\u00e9m lembra deles. A primeira imagem que qualquer torcedor tem de Abel Braga \u00e9 uma s\u00f3: a de um p\u00e9 muito, mas muito frio. Foi exatamente essa a imagem que fiz quando, no in\u00edcio do ano, anunciaram Abel\u00e3o como t\u00e9cnico do Internacional: &#8220;cacete, vamos morrer na praia outra vez&#8221;.<\/p>\n<p>Motivos n\u00e3o faltam. Em 1988, o Internacional chegava \u00e0 uma decis\u00e3o de Campeonato Brasileiro ap\u00f3s uma virada espetacular nas semifinais, na partida consagrada como o Gre-nal do s\u00e9culo. A equipe s\u00f3 precisava de dois resultados iguais diante do Bahia, do Bob\u00f4 (do Bob\u00f4!!!) para ser tetracampe\u00e3o. <s>Conseguiu vencer o primeiro jogo na Fonte Nova. Mas foi derrotado<\/s> Perdeu na Fonte Nova e s\u00f3 empatou sem gols no jogo de volta, no Beira-Rio (obrigado, Christian!) e o tricolor baiano conquistou seu t\u00edtulo. O t\u00e9cnico do Inter? Abel\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1989, o Internacional atingia a semifinal da Libertadores. Muitas coincid\u00eancias em rela\u00e7\u00e3o a 2006: era um time paraguaio (o Ol\u00edmpia) e o primeiro jogo foi no Defensores del Chaco. Com um gol de Lu\u00eds Fernando, o Inter fez 1 a 0 e s\u00f3 precisava de um empate no jogo de volta para decidir a competi\u00e7\u00e3o com o Atl\u00e9tico Medellin. No Beira-Rio lotado, o time perdeu por 3 a 2. O atacante Nilson (conhecido no Peru por Es\u00eddio) errou um p\u00eanalti no tempo normal e outro nas cobran\u00e7as que decidiram o finalista. 5 a 3 Ol\u00edmpia, na maior trag\u00e9dia da hist\u00f3ria do Inter. O t\u00e9cnico era Abel\u00e3o.<\/p>\n<p>Em abril de 2006, o Internacional disputou a final do Campeonato Ga\u00facho diante do Gr\u00eamio, e no primeiro jogo, arrancou um empate sem gols no est\u00e1dio Ol\u00edmpico. Em casa, precisava de uma vit\u00f3ria simples para garantir a ta\u00e7a. Por isso entrou em campo num ousado esquema com quatro atacantes, dominando o jogo e abrindo o placar no segundo tempo com Fernand\u00e3o. Mas o Gr\u00eamio se mexeu e Pedro J\u00fanior, que entrara para mudar a partida, empatou. O resultado favorecia o Gr\u00eamio, j\u00e1 que fizera mais gols fora de casa. O Colorado jogou fora o pentacampeonato estadual e o t\u00e9cnico, pela quarta vez em sua carreira, era Abel\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas fora do Inter tem mais. Em 2004, o Flamengo chegou \u00e0 final da Copa do Brasil e teve como advers\u00e1rio o surpreendente Santo Andr\u00e9. Apesar do esfor\u00e7o, o Ramalh\u00e3o n\u00e3o passou de um empate por 2 a 2 no Parque Ant\u00e1rctica. Assim, o Fla tinha em m\u00e3os uma vantagem de dois gols marcados fora de casa para o jogo no Maracan\u00e3. O time carioca conseguiu perder por 2 a 0 para o Santo Andr\u00e9 (o Santo Andr\u00e9!!!), e o t\u00e9cnico era Abel\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano seguinte, 2005, o Fluminense tinha uma grande equipe, e encarava mais uma zebra\u00e7a na decis\u00e3o da mesma Copa do Brasil: o Paulista de Jundia\u00ed. Ah, sim, o t\u00e9cnico do Flu era Abel\u00e3o, que imaginava: &#8220;um raio n\u00e3o cai duas vezes no mesmo lugar&#8221;. Mas caiu. O tricolor carioca perdeu a primeira partida por 2 a 0 e, no Maracan\u00e3, fez o jogo da vida. Teve um volume de ataque monstruoso. Mas n\u00e3o conseguiu marcar gols e perdeu o t\u00edtulo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/abel0308.jpg\" align=\"right\">O mesmo Fluminense de 2005 disputava o Campeonato Brasileiro, permanecendo nas primeiras posi\u00e7\u00f5es durante toda a competi\u00e7\u00e3o. At\u00e9 disputava o t\u00edtulo, mas ficaria feliz com uma vaga na Libertadores no ano seguinte. Nas \u00faltimas quatro rodadas, tinha pela frente o cl\u00e1ssico com o Vasco, o trope\u00e7ante Atl\u00e9tico Mineiro, o modesto Fortaleza, o ajeitado Juventude e o Palmeiras em ascens\u00e3o. Conseguiu perder todas elas e entregar a vaga na Libertadores para o Palmeiras. Mais uma do Abel\u00e3o.<\/p>\n<p>Nessa Libertadores, no entanto, a sina tr\u00e1gica de Abel\u00e3o ainda n\u00e3o apareceu. Nas oitavas, o time passou sem sustos diante do Nacional, algoz colorado na final da Libertadores de 1980. Nas quartas-de-final, um trope\u00e7o contra a LDU em Quito: 2 a 1. Mas a Copa do Mundo passou e o Inter se garantiu com 2 a 0 no Beira-Rio, um gola\u00e7o do &#8220;saci&#8221; Renter\u00eda e uma defesa de outro azarado, Clemer, no \u00faltimo minuto, ap\u00f3s cobran\u00e7a de falta.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o chegaram as semifinais contra o Libertad. O empate sem gols na \u00faltima quinta-feira foi visto com ressalvas, j\u00e1 que os paraguaios poderiam se classificar com um empate com gols em Porto Alegre. Por outro lado, o Inter viu uma bola bater no travess\u00e3o, no calcanhar de Clemer e, milagrosamente, ir para fora. Em uma &#8220;abelada&#8221; normal, a bola teria entrado.<\/p>\n<p>Finalmente, nesta quinta-feira, a partida mais importante desde 1989. Para ter a chance de disputar a partida mais importante desde 1980. Para tirar da camisa vermelha aquele ran\u00e7o de &#8220;time local&#8221;, como adoram lembrar os esnobes gremistas &#8211; que, sejamos justos, j\u00e1 sentiram o gosto de ser o melhor da Am\u00e9rica do Sul duas vezes. Mas voltando. Diante de 50 mil no est\u00e1dio (e mais alguns mil longe dele), o time s\u00f3 conseguiu chutar uma bola ao gol depois de uma hora de partida. Quatro minutos depois, mais um.<\/p>\n<p>Felizmente, <a href=\"http:\/\/esporte.uol.com.br\/futebol\/ultimas\/2006\/08\/03\/ult59u103342.jhtm\" target=\"_blank\"><b>foram dois chutes e dois gols<\/b><\/a>. E Abel\u00e3o deixa o campo emocionado, crente que a mar\u00e9 de azar acabou. &#8220;De repente a gente n\u00e3o pode mudar o come\u00e7o, mas podemos mudar o fim&#8221;, dizia, nos vesti\u00e1rios.<\/p>\n<p>N\u00f3s tamb\u00e9m acreditamos, Abel. E gra\u00e7as a minha confian\u00e7a (e a <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/dinheiro\/ult91u109845.shtml\" target=\"_blank\"><b>sensacional promo\u00e7\u00e3o da Gol<\/b><\/a>) estarei no Beira-Rio no dia 16 de agosto, para quem sabe ver meu time superar o excelente S\u00e3o Paulo e ser campe\u00e3o sul-americano, e assim gritar como nunca e festejar na Avenida Goethe a noite toda, ao lado da massa colorada.<\/p>\n<p>Mas na boa, Abel\u00e3o: ainda tenho medo de voc\u00ea.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00e9cnico profissional desde 1982, Abel Braga \u00e9 um daqueles treinadores que conseguem grandes resultados, mas nunca conquistou grandes t\u00edtulos. Foram seis, todos estaduais: dois em Pernambuco (Santa Cruz), dois no Paran\u00e1 (Atl\u00e9tico Paranaense) e dois no Rio de Janeiro (Flamengo e Fluminense). Mas ningu\u00e9m lembra deles. 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