{"id":1348,"date":"2006-07-31T13:19:57","date_gmt":"2006-07-31T16:19:57","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/berlim-ou-seria-istambul"},"modified":"2006-07-31T13:19:57","modified_gmt":"2006-07-31T16:19:57","slug":"berlim-ou-seria-istambul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/berlim-ou-seria-istambul\/","title":{"rendered":"Berlim. Ou seria Istambul?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-alemanha.jpg\" align=\"right\">Se um dia voc\u00ea tiver a oportunidade de conhecer <a href=\"http:\/\/www.berlin.de\" target=\"_blank\"><b>Berlim<\/b><\/a>, essa pequena por\u00e7\u00e3o de terra com muita hist\u00f3ria contempor\u00e2nea para contar, n\u00e3o esque\u00e7a dos pontos fundamentais e imperd\u00edveis. Anote-os e localize-os na indispens\u00e1vel <a href=\"http:\/\/www.bvg.de\" target=\"_blank\"><b>rede de transportes<\/b><\/a>: Reichstag, Port\u00e3o de Brandemburgo, Unter den Linden, Berliner Dom, Memorial do Holocausto, Tiergarten, Coluna da Vit\u00f3ria, Checkpoint Charlie, Alexanderplatz, Potsdamer Platz, East Side Gallery e as lojas da Kurfurstendamm (a popular Ku\u2019Damm).<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/berlimreichtag3107.jpg\"><\/div>\n<p>Com um pouco mais de tempo, por\u00e9m, n\u00e3o esque\u00e7a de fazer um passeio diferente. Escolha uma ter\u00e7a ou uma sexta, acorde cedo, localize a linha 2, 7 ou 15 do U-Bahn e siga para a esta\u00e7\u00e3o Kottbusser-Tor, em Kreuzberg. Caminhe alguns metros at\u00e9 encontrar a Maybachufer. De longe, voc\u00ea j\u00e1 vai encontrar uma movimenta\u00e7\u00e3o exagerada: trata-se do Turkenmarkt, o mercado turco de Berlim.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/barrale.jpg\"><\/div>\n<p>Nos anos 60, a Alemanha vivia um momento bem diferente do atual: escassez de m\u00e3o-de-obra no setor oper\u00e1rio. A partir de um programa de trabalho para imigrantes tempor\u00e1rios \u2013 os &#8220;Gastarbeiter&#8221;, os turcos chegaram. Era para ficar pouco tempo, mas os visitantes convidados decidiram ficar. Hoje s\u00e3o cerca de <a href=\"http:\/\/www.dw-world.de\/dw\/article\/0,,2071465,00.html\" target=\"_blank\"><b>tr\u00eas milh\u00f5es em todo o pa\u00eds<\/b><\/a>. \u00c9 a maior comunidade estrangeira na Alemanha, e isso n\u00e3o \u00e9 pouco.<\/p>\n<p>Em qualquer canto de Berlim, d\u00e1 para perceber a influ\u00eancia turca no dia-a-dia dos alem\u00e3es. A mais \u00f3bvia est\u00e1 no delicioso \u201cd\u00f6ner kebab\u201d, que lembra o nosso \u201cchurrasco grego\u201d, mas \u00e9 infinitamente melhor (o mais gostoso da cidade fica na entrada de um supermercado na Dircksenstrasse, na frente do Starbucks, em Hackescher Markt). Quem conhece um tiquinho a l\u00edngua local se surpreende ao encontrar um grupo de jovens descendentes turcos no metr\u00f4, por exemplo: o dialeto deles \u00e9 uma mistura de alem\u00e3o, turco e algumas g\u00edrias pr\u00f3prias do grupo. \u00c9 um outro mundo, que convive ainda com atos racistas dos nativos.<\/p>\n<p>Mas enfim, tive a felicidade de conhecer o mercado turco de Berlim no dia oito de novembro, ao lado de Lello Lopes e da Natalia, esposa do Danilo (que nos deu essa imperd\u00edvel indica\u00e7\u00e3o). Ao longe, se parece com qualquer feira livre que voc\u00ea j\u00e1 conhece. Um olhar mais atento traz cores, cheiros e gente diferente de tudo que j\u00e1 se viu. Tem frutas e verduras (algumas incomuns), carnes, queijos, vinhos, armarinhos, artesanatos, roupas, acess\u00f3rios&#8230; Tudo muito barato, se comparado com qualquer loja da cidade \u2013 a tradicional pechincha turca tamb\u00e9m \u00e9 produto de exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/berlimmercado3107.jpg\"><\/div>\n<p>O mercado \u00e9 turco, mas os alem\u00e3es j\u00e1 se sentem bem naquela \u201cpequena Istambul\u201d. Mas tem mais: comprei uma bolsa ex\u00f3tica artesanal de um italiano \u2013 que ainda arranhava um espanhol bem compreens\u00edvel. Tive a brilhante id\u00e9ia de comprar duas bandejas de pl\u00e1stico com motivos natalinos \u2013 no impulso do momento, sequer lembrava que passaria o dia inteiro (e o resto da viagem) carregando aquela coisa. Mas tava muito barato.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/barrale.jpg\"><\/div>\n<p>Entre outubro e novembro do ano passado, foram duas passagens por Berlim. Na primeira, ao lado dos amigos da Deutsche Welle, nossa concentra\u00e7\u00e3o era num hotel bem bacana na Meinekestrasse, travessa da Ku\u2019Damm, mesma rua do <a href=\"http:\/\/www.hardrock.com\/locations\/cafes\/Cafes.aspx?Lc=BERL\" target=\"_blank\"><b>Hard Rock Caf\u00e9<\/b><\/a>. Tive a impress\u00e3o que o centro magn\u00e9tico daquela cidade ficava mesmo nos arredores da esta\u00e7\u00e3o Zoologicher Garten, a mais importante da cidade \u2013 at\u00e9 a <a href=\"http:\/\/www.dw-world.de\/dw\/article\/0,,2032607,00.html\" target=\"_blank\"><b>inaugura\u00e7\u00e3o da Hauptbanhof<\/b><\/a> esses dias, bem perto do Reichstag.<\/p>\n<p>Naquela ocasi\u00e3o, o passeio mais marcante da turma foi em Gesunbrunnen, em uma das instala\u00e7\u00f5es da associa\u00e7\u00e3o Berliner Underwelten, respons\u00e1vel pelos <a href=\"\/blog\/2005\/10\/31\/1402\" target=\"_blank\"><b>subterr\u00e2neos da cidade (inclusive os bunkers)<\/b><\/a>. Isso foi antes da associa\u00e7\u00e3o descobrir a localiza\u00e7\u00e3o exata do bunker nazista \u2013 aquele do filme <i>A Queda<\/i>. Mas o de Gesunbrunnen lembra muito o do filme, que, diga-se, teve apoio hist\u00f3rico dessa associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/berlimalexander3107.jpg\"><\/div>\n<p>Na noite mais inusitada, ao lado do Patrick e da Regina, tive meu <a href=\"http:\/\/www.dw-world.de\/dw\/article\/0,2144,2061018,00.html\" target=\"_blank\"><b>primeiro contato com Kreuzberg<\/b><\/a> \u2013 mas ao contr\u00e1rio da movimenta\u00e7\u00e3o turca durante o dia, o bairro traz elementos bo\u00eamios, com bares muito simp\u00e1ticos. Antes de terminar a noite num bar com motivos mexicanos, tivemos um encontro inusitado com um casal \u2013 com seu alem\u00e3o fluente, Regina s\u00f3 soube que a mo\u00e7a era brasileira quando disse a ela de onde \u00e9ramos&#8230;<\/p>\n<p>Duas semanas depois, tive a felicidade de compartilhar mais momentos bacanas ao lado do trio Lello, Danilo e Natalia. Caminhamos bastante, mas paramos um bocado tamb\u00e9m: na frente da Universidade Humboldt, um monumento curioso lembra a queima de livros de Hitler, em 1933 (retratado em Indiana Jones e A \u00daltima Cruzada). Hoje, no lugar da fogueira, uma tampa de vidro e, l\u00e1 embaixo, estantes vazias. N\u00e3o precisa mais nada.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/berlimcaminhada3107.jpg\"><\/div>\n<p>A divers\u00e3o que se repetiu por dois dias foi a <a href=\"http:\/\/www.winterwelt-berlin.de\" target=\"_blank\"><b>Winterwelt<\/b><\/a>, feira tem\u00e1tica de inverno que ocupava parte da Potsdamerplatz no inverno \u2013 com direito a um tobog\u00e3 de gelo inofensivo, at\u00e9 eu fui.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/berlimnoite3107.jpg\"><\/div>\n<p>Na \u00faltima noite, tinha que rolar um jantar especial. A escolha foi um restaurante indiano muito bacana na Oranienburgerstrasse (tamb\u00e9m perto do Hackescher Markt), onde ali\u00e1s n\u00e3o faltam sugest\u00f5es para comer bem.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/barrale.jpg\"><\/div>\n<p>Nosso traslado entre Berlim e Potsdam, onde mora o casal, levava pouco menos de uma hora. T\u00ednhamos duas op\u00e7\u00f5es: os trens regionais, saindo de Zoologicher Garten, e as linhas 1 e 7 do S-Bahn, com mais pontos de parada e algumas baldea\u00e7\u00f5es. Uma delas na esta\u00e7\u00e3o Berlin Wansee \u2013 foi perto dali, em janeiro de 1942, que Hitler decidiu pelo exterm\u00ednio dos judeus em campos de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/berlimpotsdam3107.jpg\"><\/div>\n<p>Longe de ser apenas uma cidade-dormit\u00f3rio, <a href=\"http:\/\/www.potsdam.de\" target=\"_blank\"><b>Potsdam<\/b><\/a> \u00e9 um dos \u201cpasseios de um dia\u201d preferidos dos turistas que v\u00e3o a Berlim. Destaque para o pacato centro hist\u00f3rico, o enorme parque Sansoucci e os pal\u00e1cios dos arredores, al\u00e9m do Neue Garten, onde fica o pal\u00e1cio Cecilienhof, onde foi feita a Confer\u00eancia de Potsdam, decidindo o futuro da Alemanha ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/barrale.jpg\"><\/div>\n<p>Em Berlim e Potsdam \u00e9 poss\u00edvel esbarrar em hist\u00f3ria a qualquer momento. Mas mesmo em locais onde n\u00e3o h\u00e1 hist\u00f3ria alguma, \u00e9 poss\u00edvel vivenciar uma. No dia nove de novembro, Danilo e Natalia convidaram a dupla brazuca para uma festinha no apartamento de um amigo norte-americano, do curso de alem\u00e3o. O rapaz se despediria da turma para uma temporada no Tibete.<\/p>\n<p>O lugar, perto da esta\u00e7\u00e3o Rathaus-Steglitz, era o verdadeiro apartamento de Babel. Al\u00e9m do norte-americano e dos quatro brasileiros, havia um turco (torcedor do Fenerbahce), uma ucraniana, duas sul-coreanas (uma delas nem ingl\u00eas sabia), uma colombiana e um chileno (que, obviamente, nos entenderam mais). Cada um foi falando de suas experi\u00eancias pessoais dentro e fora de seus pa\u00edses. O grande momento da noite foi o quarteto sem ritmo batucando \u201cTrem das Onze\u201d, seguido da tradu\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/berlimultima3107.jpg\"><\/div>\n<p>Inesquec\u00edvel at\u00e9 o fim: o papo continuou do lado de fora, na despedida, em voz alta \u2013 para azar de um alem\u00e3o mal-educado (pleonasmo), que foi at\u00e9 a janela reclamar. Engra\u00e7ado que ningu\u00e9m entendia exatamente o que o pobre homem dizia&#8230;<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/barrale.jpg\"><\/div>\n<p>Ah, sim, eu fui ao est\u00e1dio ol\u00edmpico. Mas como escrevi muito aqui (Berlim merece), vamos falar dele depois &#8211; ainda d\u00e1 pra falar, n\u00e3o d\u00e1?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se um dia voc\u00ea tiver a oportunidade de conhecer Berlim, essa pequena por\u00e7\u00e3o de terra com muita hist\u00f3ria contempor\u00e2nea para contar, n\u00e3o esque\u00e7a dos pontos fundamentais e imperd\u00edveis. 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