{"id":1345,"date":"2006-07-19T23:10:39","date_gmt":"2006-07-20T02:10:39","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/blogs-e-voce-algumas-questoes-palpitantes"},"modified":"2006-07-19T23:10:39","modified_gmt":"2006-07-20T02:10:39","slug":"blogs-e-voce-algumas-questoes-palpitantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/blogs-e-voce-algumas-questoes-palpitantes\/","title":{"rendered":"Blogs e voc\u00ea: algumas quest\u00f5es palpitantes"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/bloguiado.jpg\" align=\"right\">Recentemente fiquei com estes <a href=\"http:\/\/blog.fabioseixas.com.br\/archives\/2006\/06\/seu_blog_e_sobr.html\" target=\"_blank\"><b>dois<\/b><\/a> <a href=\"http:\/\/blog.fabioseixas.com.br\/archives\/2006\/07\/a_blogosfera_e_1.html\" target=\"_blank\"><b>posts<\/b><\/a> do Fabio Seixas na cabe\u00e7a. No primeiro, ele questiona seus visitantes a respeito da forma como cada um transforma suas impress\u00f5es em suas p\u00e1ginas pessoais. No outro, ele faz uma constata\u00e7\u00e3o interessante: quem tem blog gosta de ler sobre blogs e comentar sobre blogs, e parece que \u00e9 s\u00f3.<\/p>\n<p>Convenhamos: \u00e9 sempre muito interessante escrever sobre essa atividade, t\u00e3o nova a ponto de perdermos alguns minutos elaborando perguntas e respostas sobre o nosso comportamento, tanto escrevendo num blog quanto comentando por a\u00ed.<\/p>\n<p><u>Faz diferen\u00e7a se eu escrevo para mim ou pensando em algu\u00e9m? <\/u><\/p>\n<p>Pelo ponto de vista do texto, sim. Nem todo blogueiro pensa em uma \u201clinha editorial\u201d para seguir, imaginando um ou mais assuntos que sejam \u00fateis a outras pessoas. O neg\u00f3cio \u00e9 registrar uma id\u00e9ia moment\u00e2nea ou alguma not\u00edcia ou curiosidade encontrada por a\u00ed. Qualquer tema pode ser abordado de maneira pessoal ou impessoal, at\u00e9 em um mesmo blog. Uma zona, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre um blog e um jornal est\u00e1 a\u00ed: qualquer peri\u00f3dico, feito por muita gente, pretende fortalecer a postura da institui\u00e7\u00e3o, enquanto no blog, a imagem que se fortalece \u00e9 a do autor. \u00c9 a maneira \u00edntima e \u00fanica desse sujeito filtrar o mundo e exibi-lo em posts que torna o blog interessante, faz com que as pessoas se aproximem. Os artigos do <a href=\"http:\/\/www.brainstorm9.com.br\" target=\"_blank\"><b>Brainstorm #9<\/b><\/a> \u00e9 um dos mais conhecidos e elogiados pelo meio publicit\u00e1rio, mas quem conhece vai l\u00e1 para saber o que pensa o Carlos Merigo.<\/p>\n<p><u>A quantidade de leitores \u00e9 proporcional ao umbigo do blogueiro? <\/u><\/p>\n<p>A pergunta tem a ver com a id\u00e9ia acima: se pensarmos como qualquer ve\u00edculo informativo, \u00e9 preciso escrever \u201cpara os outros\u201d, sem pensar muito nas nossas experi\u00eancias pessoais, para gerar tr\u00e1fego e audi\u00eancia. O uso simples dessa ferramenta como \u201cdiarinho\u201d afugenta qualquer cidad\u00e3o inteligente, deixando a p\u00e1gina \u00e0s moscas.<\/p>\n<p>N\u00e3o acho que a coisa seja t\u00e3o extremada assim, justamente pela import\u00e2ncia que o \u201cumbigo\u201d tem na identidade de qualquer blog. Reiterando: n\u00e3o \u00e9 o assunto que atrai visitantes e gera tr\u00e1fego, mas a forma como os autores lidam com eles. E aqui ningu\u00e9m est\u00e1 descobrindo a roda: mesmo na TV, o que diferencia um programa de debates (as tais \u201cmesas redondas\u201d) s\u00e3o as pessoas. Estou errado?<\/p>\n<p><u>Por que a pessoas preferem comentar quando o assunto \u00e9 a blogosfera? <\/u><\/p>\n<p>Da mesma forma que, fora da rede, as pessoas preferem comentar futebol. Tentem estimular os cidad\u00e3os brasileiros a discutir fidelidade partid\u00e1ria, os bombardeios israelenses no L\u00edbano, as \u00faltimas tend\u00eancias de marketing viral ou os meandros do julgamento da Suzane. Nem todo mundo se interessa por esse tipo de coisa (obviamente, se houvesse interesse, talvez nosso pa\u00eds fosse diferente).<\/p>\n<p>Mas enfim. Com blogs \u00e9 a mesma coisa: o n\u00famero de coment\u00e1rios varia com o assunto do texto. Utilize o \u201cm\u00e9todo Jorge Kajuru\u201d e polemize sobre qualquer coisa. Ou conte alguma experi\u00eancia sexual, bem sucedida ou n\u00e3o. Sua caixa de coment\u00e1rios vai fazer barulho. Da mesma forma, especifique ao m\u00e1ximo uma discuss\u00e3o e veja o feedback apenas daqueles que possuem alguma base para concordar ou retrucar. N\u00e3o importa: diga algo ressonante ao p\u00fablico e o retorno vir\u00e1 na mesma medida.<\/p>\n<p>E por que as pessoas comentam mais quando o assunto s\u00e3o blogs? Simples. Como as pessoas s\u00f3 opinam sobre o que conhecem, s\u00f3 quem tem blog l\u00ea e comenta.<\/p>\n<p><u>S\u00f3 quem tem um blog sabe como participar? Como assim?<\/u><\/p>\n<p>Vejamos. Existem dois tipos de visitantes de blogs: o casual e o constante. Os \u00faltimos s\u00e3o aqueles que se encaixam no perfil acima: identifica\u00e7\u00e3o e aproxima\u00e7\u00e3o com o autor e suas id\u00e9ias. O outro cai no blog via Google. E a\u00ed as rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o as mais imprevis\u00edveis. Procuram por \u201cParis Hilton pelada\u201d e caem num emaranhado de textos ordenados por data \u2013 um sobre a capital francesa, outro sobre a rede de hot\u00e9is e um ultimo sobre futebol de v\u00e1rzea. Muito obrigado.<\/p>\n<p>Tem ainda o n\u00f3 cego, que procura por \u201cfernando vanucci chapado\u201d, encontra o texto exato, l\u00ea informa\u00e7\u00f5es relacionadas e v\u00ea na primeira linha um link apontando para o v\u00eddeo. N\u00e3o obstante, registra na caixa de coment\u00e1rios: \u201cei, voc\u00ea pode passar o link pra mim\u201d? N\u00e3o necessariamente em portugu\u00eas leg\u00edvel. \u00c9 aquela velha hist\u00f3ria: inclus\u00e3o digital n\u00e3o \u00e9 botar computador barato com Internet pro pov\u00e3o: \u00e9 disponibilizar cultura.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o sejamos injustos. De repente, surge algu\u00e9m inteligente no seu blog via Google e encontra n\u00e3o um, mas v\u00e1rios textos sobre diversos assuntos. O que essa pessoa faz? Pensa tr\u00eas vezes antes de mandar um e-mail. Normalmente n\u00e3o manda. Mas quando faz, \u00e9 por essa via direta \u2013 \u201cn\u00e3o vou me expor na caixa de coment\u00e1rios\u201d, pensa.<\/p>\n<p><u>Falar sobre blogs n\u00e3o \u00e9 \u201ccanibalismo\u201d? N\u00e3o enfraquece a rede? <\/u><\/p>\n<p>Esse risco existe desde que todas as cabe\u00e7as pensantes da blogosfera acordem e pensem: \u201cpuxa, ningu\u00e9m comentou meu longo texto homenageando o Raul Cortez&#8230; Quer saber? Vou falar s\u00f3 sobre rela\u00e7\u00f5es sociais atrav\u00e9s dos blogs\u201d. Acho dif\u00edcil esse dia chegar.<\/p>\n<p>Enquanto isso, n\u00e3o h\u00e1 problema algum em criar e responder quest\u00f5es relacionadas a esse fen\u00f4meno. At\u00e9 porque, livrar-se de d\u00favidas \u00e9 o verdadeiro sentido da vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente fiquei com estes dois posts do Fabio Seixas na cabe\u00e7a. No primeiro, ele questiona seus visitantes a respeito da forma como cada um transforma suas impress\u00f5es em suas p\u00e1ginas pessoais. No outro, ele faz uma constata\u00e7\u00e3o interessante: quem tem blog gosta de ler sobre blogs e comentar sobre blogs, e parece que \u00e9 s\u00f3. 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