{"id":1321,"date":"2009-05-01T22:36:52","date_gmt":"2009-05-02T01:36:52","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/depois-da-tragedia-a-saudade"},"modified":"2009-05-01T22:36:52","modified_gmt":"2009-05-02T01:36:52","slug":"depois-da-tragedia-a-saudade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/depois-da-tragedia-a-saudade\/","title":{"rendered":"Depois da trag\u00e9dia, a saudade"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/backfut.gif\" align=\"right\">Era um s\u00e1bado ensolarado, dia do anivers\u00e1rio de um grande amigo meu, que morava em S\u00e3o Bernardo do Campo. Cursava o terceiro ano do curso t\u00e9cnico &#8211; lembro que s\u00f3 consegui &#8220;viajar&#8221; at\u00e9 l\u00e1 ap\u00f3s a aula do Vizmark, de eletricidade. Com o radinho ligado a bordo de um coletivo do Expresso Brasileiro, soube da morte de Roland Ratzemberger.<\/p>\n<p>O assunto permeou aquele churrasco de anivers\u00e1rio. O austr\u00edaco, piloto da Simtek, n\u00e3o era conhecido. Mas h\u00e1 muito tempo ningu\u00e9m ouvia falar em mortes na F\u00f3rmula 1 &#8211; a \u00faltima tinha sido doze anos antes. &#8220;E o Barrichello quase morreu ontem&#8221;, diziam, ampliando a discuss\u00e3o para quest\u00f5es sobre as mudan\u00e7as no regulamento. &#8220;Ano passado, a Williams era imbat\u00edvel, e esse ano o Senna parou em todas as corridas&#8221;, lembravam. O tema tirou parte da alegria daquela comemora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Milhares de quil\u00f4metros dali, no entanto, n\u00e3o havia clima para nenhuma festa. Se um jovem de 16 anos, do outro lado do oceano, estava impressionado com tanta desgra\u00e7a em um \u00fanico final de semana, imagine a cabe\u00e7a de quem estava em Imola naquele primeiro de maio. No dia seguinte, a fam\u00edlia acordou mais cedo, como em outros domingos nos \u00faltimos seis anos, para torcer pelo Senna. E ficamos impressionado com a fisionomia preocupada do tricampe\u00e3o, a bordo do cockpit.<\/p>\n<p>Logo na largada, uma batida violenta: pneus sobrevoando arquibancadas sinalizavam mais problemas. Minha m\u00e3e levantou do sof\u00e1 e decidiu ficar na cozinha: n\u00e3o suportava mais trag\u00e9dias. N\u00e3o viu a sa\u00edda do &#8220;carro-madrinha&#8221; da pista e o rein\u00edcio do duelo entre o brasileiro e Schumacher em San Marino. S\u00f3 voltou para a frente da TV quando Galv\u00e3o Bueno anunciou que &#8220;Senna bateu forte&#8221;.<\/p>\n<p>At\u00e9 o helic\u00f3ptero deixar o aut\u00f3dromo em dire\u00e7\u00e3o ao hospital, ningu\u00e9m se manifestou. Estavam todos at\u00f4nitos. A primeira coisa que ouvi foi um &#8220;filho, vai at\u00e9 a feira pra mim comprar batata, cebola e banana&#8221;. Outro ritual de domingo: minha m\u00e3e dizia apenas duas ou tr\u00eas coisas antes de me entregar uma lista extensa e dinheiro extra para o pastel com caldo de cana.<\/p>\n<p>A caminhada n\u00e3o foi suficiente para espairecer: era como se o mundo tivesse parado ap\u00f3s aquela pancada no muro da curva Tamburello. Aquela sensa\u00e7\u00e3o ruim ficou pior quando cheguei em casa e ouvi a not\u00edcia, na voz de Roberto Cabrini. E n\u00e3o se falou mais em outra coisa.<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira, dia tr\u00eas, sa\u00ed de casa na mesma hora em que o piloto chegava ao Brasil, no aeroporto de Guarulhos. Horas depois, a Escola T\u00e9cnica Federal &#8211; que fica algumas quadras da Avenida Tiradentes &#8211; decidiu parar. Centenas de alunos repetiram o ritual de outros milhares de paulistanos e aguardaram pelo cortejo. Sil\u00eancio, l\u00e1grimas, tristeza.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/senna0205.jpg\"><\/div>\n<p>N\u00e3o parece que j\u00e1 fazem <s>dez<\/s> quinze anos que estamos aturando as idas e vindas da F1, desde Schumacher at\u00e9 Barrichello. Podem me chamar de &#8220;viuvinha do Senna&#8221;, mas tenho saudades sim.<\/p>\n<p>E o seu primeiro final de semana de maio em 1994, voc\u00ea lembra como foi?<\/p>\n<p><i>(Postado em 02\/05\/2004)<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era um s\u00e1bado ensolarado, dia do anivers\u00e1rio de um grande amigo meu, que morava em S\u00e3o Bernardo do Campo. Cursava o terceiro ano do curso t\u00e9cnico &#8211; lembro que s\u00f3 consegui &#8220;viajar&#8221; at\u00e9 l\u00e1 ap\u00f3s a aula do Vizmark, de eletricidade. 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