{"id":1295,"date":"2004-03-09T03:51:30","date_gmt":"2004-03-09T06:51:30","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/marmota-e-o-futuro"},"modified":"2004-03-09T03:51:30","modified_gmt":"2004-03-09T06:51:30","slug":"marmota-e-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/marmota-e-o-futuro\/","title":{"rendered":"Marmota e o futuro"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-0304.gif\" align=\"right\">&#8211; Comecemos este \u00faltimo epis\u00f3dio da s\u00e9rie com a incr\u00edvel manchete de um peri\u00f3dico porto-alegrense do dia 3 de janeiro de 2004: &#8220;Repercute na imprensa internacional decis\u00e3o brasileira de fotografar e colher digitais de viajantes norte-americanos&#8221;. Sim, amigos jornalistas: esta era a manchete, em tr\u00eas linhas, seguido por uma foto est\u00fapida e sua legenda de oito linhas &#8211; esse &#8220;combo&#8221; ocupava 80% da primeira p\u00e1gina&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Mais do que a sensa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel, seguido por um &#8220;que coisa feia&#8221;, aquele jornal me trouxe algo ainda mais estranho: quem sabe algum dia esta este o meu local de trabalho. Antes de prosseguir, um alerta imprescind\u00edvel: apesar dos pesares, adoro o meu atual emprego. A quest\u00e3o da mudan\u00e7a envolve, entre outros fatores mais complexos, a possibilidade da minha fam\u00edlia voltar para a &#8220;quer\u00eancia&#8221;, o lugar de onde vieram.<\/p>\n<p>&#8211; Independente da fam\u00edlia ou mesmo dos tais fatores complexos, sempre cogitei seriamente uma mudan\u00e7a radical na minha vida: largar a agitada metr\u00f3pole paulistana e morar no sul do Brasil. Lugar bem menos agitado, por\u00e9m com um mercado de trabalho de dar medo. A come\u00e7ar pelo naipe dos ve\u00edculos &#8211; duvido que seja por culpa dos profissionais, provavelmente \u00e9 obra da mesma crise que, vez ou outra, faz barulho tamb\u00e9m no eixo Rio-S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8211; Diante disso, o \u00fanico alento para o olhar de um aventureiro \u00e9 a RBS. Grupo de comunica\u00e7\u00e3o mais poderoso daquelas bandas, \u00e9 a mais antiga afiliada da Rede Globo no pa\u00eds, al\u00e9m de liderar em audi\u00eancia tamb\u00e9m no r\u00e1dio (Ga\u00facha e Farroupilha no AM, Atl\u00e2ntida e, agora, tamb\u00e9m a Itapema no FM) e nas bancas (Zero Hora e o Di\u00e1rio Ga\u00facho, uma esp\u00e9cie de &#8220;Not\u00edcias Populares&#8221;).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/ferias0703.jpg\" align=\"right\">&#8211; Alento? &#8220;Estou aqui h\u00e1 quase oito anos, e todas as vagas que abriram na reda\u00e7\u00e3o foram absorvidas&#8221;, revelou um amigo do Zero Hora, num almo\u00e7o pr\u00e9-embarque para S\u00e3o Paulo. Ou seja, mesmo a RBS, em situa\u00e7\u00e3o melhor que as demais, parece seguir o mesmo caminho sem volta: enxugar custos e manter a produtividade com equipe reduzida. A coisa \u00e9 triste, minha gente.<\/p>\n<p>&#8211; E quem sabe em Pelotas, cidade provinciana mas grande o suficiente para exercer com galhardia a nobre arte da imprensa? Outra roubada: o \u00fanico jornal da cidade &#8211; j\u00e1 centen\u00e1rio &#8211; tem o carinhoso apelido de &#8220;O Corninho&#8221;, por ser sempre o \u00faltimo a saber das coisas. Dizem ainda que, em suas p\u00e1ginas, j\u00e1 foram vistos press-releases assinados por rep\u00f3rteres do peri\u00f3dico &#8211; traduzindo, um escreveu um texto e outro publica, dizendo que foi o autor.<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;Existe espa\u00e7o na cidade para mais um grande jornal&#8221;, conclui uma das testemunhas do descaso com a imprensa local, a <a href=\"http:\/\/www.pontomidia.com.br\/raquel\" target=\"_blank\"><b>Raquel Recuero<\/b><\/a>. Mais do que isso, a professora acredita ainda que um portal de not\u00edcias locais, com uma cobertura em tempo real, tamb\u00e9m seria muito bem recebido. Quem me dera ter o poder de explorar esse nicho! Mas a pergunta que ficou no ar durante nossa conversa, no encontro blogueiro do Otto Taberna: quem investiria nisso em um lugar cuja economia n\u00e3o cresce?<\/p>\n<p>&#8211; Por essas e outras, tanto a Raquel quanto os outros her\u00f3icos estudantes daquele lugar precisam sair de l\u00e1 para buscar um lugar ao sol. Foi assim com o meu pai em 1974, \u00e9 ainda pior nos dias de hoje. O mais absurdo \u00e9 ter que cogitar a hip\u00f3tese de fazer o caminho inverso ao da maioria&#8230; &#8220;S\u00e3o Paulo ainda \u00e9 a terra da oportunidade&#8221;, lembra bem o meu amigo do ZH. &#8220;Se voc\u00ea est\u00e1 satisfeito com o que voc\u00ea faz, n\u00e3o tem o que inventar&#8221;, complementa a Raquel.<\/p>\n<p>&#8211; Divaga\u00e7\u00f5es, teorias&#8230; Formas de ocupar minha cabe\u00e7a enquanto n\u00e3o trabalho. Seja no Rio Grande ou no Leme, torrando os miolos no sol: &#8220;por que n\u00e3o largar o jornalismo e importar para o sul estes deliciosos &#8220;bixcoitox globo&#8221; ou o espetinho de queijo tostado, que s\u00f3 existe aqui nas praias do Rio?&#8221;, pensava.<\/p>\n<p>&#8211; A vida \u00e9 uma sucessiva apari\u00e7\u00e3o de clich\u00eas: recordar \u00e9 viver, a vida continua, amanh\u00e3 \u00e9 um novo dia e tudo pode mudar. Quem sabe n\u00e3o estarei daqui um ano, na s\u00e9rie especial 2004\/2005, contando como foram minhas f\u00e9rias em S\u00e3o Paulo?<\/p>\n<table width=\"80%\" border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\" class=\"links\">\n<tr>\n<td bgcolor=\"#66CCFF\"><b>Trilha Sonora<\/b><\/p>\n<p>Agora que a s\u00e9rie especial acabou, convido voc\u00ea a <a href=\"\/blog\/archives\/cat_especial_20032004.html\"><b>rever meu relato de f\u00e9rias<\/b><\/a>, mas com fundo musical. Abra o seu programa p2p preferido ou a sua r\u00e1dio online e arme a sequ\u00eancia sugerida abaixo, onde cada faixa corresponde a um epis\u00f3dio diferente. Som na caixa!<\/p>\n<p>01. No Doubt &#8211; It&#8217;s My Life<br \/>02. Rio Negro &amp; Solim\u00f5es &#8211; Bate o P\u00e9<br \/>03. DJ Ross &#8211; Emotion<br \/>04. Jos\u00e9 Mendes Jr. &#8211; Tristeza<br \/>05. Nenhum de N\u00f3s &#8211; Voc\u00ea vai lembrar de mim<br \/>06. Evanescence &#8211; Going Under<br \/>07. Os Serranos &#8211; De Ch\u00e3o Batido<br \/>08. Eve Feat Drag-On &#8211; Got What You Need<br \/>09. Skank &#8211; Vou Deixar<br \/>10. Erika &#8211; I Don&#8217;t Known<\/p>\n<p>Bonus Tracks<\/p>\n<p>11. OutKast &#8211; Hey Ya!<br \/>12. Dido &#8211; White Flag<\/p>\n<p>Se quiser fechar o CD, preencha com as m\u00fasicas que lhe agradam mais. Se quiser seguir no clima deste fim de ano, procure por bandas ga\u00fachas como Tch\u00ea Guri, que tiveram a coragem de regravar forr\u00f3 (do calibre de Frank Aguiar) para popularizar o estilo. At\u00e9 o Ga\u00facho da Fronteira regravou uma do Falamansa&#8230; Fala s\u00e9rio.<\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; Comecemos este \u00faltimo epis\u00f3dio da s\u00e9rie com a incr\u00edvel manchete de um peri\u00f3dico porto-alegrense do dia 3 de janeiro de 2004: &#8220;Repercute na imprensa internacional decis\u00e3o brasileira de fotografar e colher digitais de viajantes norte-americanos&#8221;. 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