{"id":1291,"date":"2004-03-03T21:18:49","date_gmt":"2004-03-04T00:18:49","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/marmota-no-cassino"},"modified":"2004-03-03T21:18:49","modified_gmt":"2004-03-04T00:18:49","slug":"marmota-no-cassino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/marmota-no-cassino\/","title":{"rendered":"Marmota no Cassino"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-0304.gif\" align=\"right\">&#8211; Dando sequ\u00eancia a nossa epop\u00e9ia de f\u00e9rias, chegamos finalmente a maior praia do mundo: o balne\u00e1rio do Cassino, em Rio Grande. Foram apenas 24 horas perto do mar &#8211; n\u00e3o deu pra percorrer quase nada dos seus 254 quil\u00f4metros de extens\u00e3o (!!!), nem uma paradinha pr\u00f3ximo ao navio encalhado ou um passeio nas vagonetas dos molhes da barra (passeio imperd\u00edvel). Mas foi o suficiente para espairecer e molhar as frieiras!<\/p>\n<p>&#8211; E pensar que a viagem n\u00e3o foi nem um pouco planejada: estava de pijamas na casa da minha av\u00f3, na imut\u00e1vel Cohab Fragata, em Pelotas, quando telefona a minha prima <b>Cristiele<\/b>. Ela j\u00e1 estava na praia, ao lado de algumas amigas do CTG. A id\u00e9ia era convidar o irm\u00e3o <b>J\u00fanior<\/b>, os irm\u00e3os das amigas e, de quebra, arrastar o &#8220;tio&#8221; aqui para observar a mo\u00e7ada. J\u00e1 passavam das duas da tarde de quinta-feira, oito de janeiro. Por volta das tr\u00eas, eu e o J\u00fanior j\u00e1 est\u00e1vamos prontos para sair.<\/p>\n<p>&#8211; Como n\u00e3o conhec\u00edamos os hor\u00e1rios do bom e velho Turf (empresa de \u00f4nibus que serve o bairro), ficamos na torcida pela apari\u00e7\u00e3o do Cohab Rodovi\u00e1ria &#8211; que vai para o centro pelo caminho mais r\u00e1pido e p\u00e1ra em frente ao terminal intermunicipal. Decep\u00e7\u00e3o: era o Cohab Pinheiro Machado, que atravessa o Bairro Fragata para chegar ao abrigo da Marechal Floriano. Tivemos que descer na frente do quartel e ir a p\u00e9 at\u00e9 a rodovi\u00e1ria. Pouco menos de um quil\u00f4metro, creio.<\/p>\n<p>&#8211; Quer dizer, a p\u00e9 em termos. Sab\u00edamos que o pr\u00f3ximo \u00f4nibus para o Cassino partiria as quatro da tarde. E faltavam menos de dez minutos quando desembarcamos do coletivo. A decis\u00e3o foi a mesma: corremos at\u00e9 a bilheteria do terminal. Esbaforido, descobri que o dito cujo j\u00e1 estava lotado&#8230; Mas poderia fazer como todos os atrasados: pegar o Rio Grande e descer no trevo. Ao inv\u00e9s de seguir para a cidade, bastava esperar pelo coletivo municipal ali na avenida It\u00e1lia e partir rumo ao sentido oposto. Foi o que fizemos.<\/p>\n<p>&#8211; Mesma id\u00e9ia teve o <b>Lucas<\/b> e o <b>\u00cdgor<\/b> (apelidado &#8220;Tranquilo&#8221;), os tais irm\u00e3os das amigas da Cristiele. Mais dez quil\u00f4metros do trevo at\u00e9 a praia e alguns minutos caminhando. Eram cinco e pouco quando chegamos a casa dos pais de <b>Gabriela<\/b> e Lucas. Al\u00e9m dela, j\u00e1 estavam l\u00e1 a Bruna, irm\u00e3 do Tranquilo, e a minha prima Cristiele &#8211; a mais velha dessa trupe, aos dezenove anos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/ferias0303.jpg\" align=\"right\">&#8211; Ainda estava claro quando decidi passear pela praia. Disse claro, n\u00e3o sol: o tempinho nublado, al\u00e9m do mar agitado, deixou os banhistas assustados. A pr\u00f3pria regi\u00e3o pr\u00f3xima ao centrinho nervoso do Cassino me pareceu mais &#8220;largada&#8221;, desde a \u00faltima vez que estive l\u00e1. Depois de finalmente molhar as frieiras na \u00e1gua salgada, segui para a simp\u00e1tica casinha amarela, a um quarteir\u00e3o do mar.<\/p>\n<p>&#8211; A mo\u00e7ada estava inquieta. As mo\u00e7as exigiam que os garotos fossem ao &#8220;super&#8221; (assim os ga\u00fachos chamam o mercado) e comprassem carne e carv\u00e3o. Eles n\u00e3o deram muita bola, preferiram jogar sinuca e indagar um garotinho, morador das redondezas. &#8220;Voc\u00ea tem irm\u00e3? E prima? Tem lim\u00e3o na sua casa? Traz tudo pra gente&#8221;, pirra\u00e7ava Lucas. Ri daquilo sozinho.<\/p>\n<p>&#8211; No fim, teve churrasco. Cansados da sinuca, ensinei a garotada a jogar Mau Mau, enquanto um e outro se preparava para a noite no banheiro. As garotas sairam primeiro: o trio J\u00fanior, Lucas e Tranquilo passaram mais alguns minutos consertando um ventilador. Usaram peda\u00e7os de um velho regador. E deu certo!<\/p>\n<p>&#8211; Caminhamos pela movimentada avenida principal da cidade. Temperatura bastante agrad\u00e1vel. O mesmo se aplica a paisagem: muita gente circulando, a p\u00e9 ou de carro, contrastando com as \u00e1rvores e a ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e0 vapor de s\u00f3dio, aquela amarelada. Encontramos as mocinhas na mesa de um simp\u00e1tico barzinho com m\u00fasica ao vivo &#8211; acho que chamava-se Lira Lanches, tinha a fachada branca, que lembrava um castelinho. Pedi um refri e ficamos ali um tempo.<\/p>\n<p>&#8211; O m\u00fasico era muito bom: dava conta dos grandes sucessos locais usando apenas voz e viol\u00e3o. Mas tava bom demais pra ser verdade: de repente, ele emenda: &#8220;vai, na madeira, samba assim com o Art Popular, na madeira&#8230;&#8221;. Mais um virundum!<\/p>\n<p>&#8211; A mo\u00e7ada permanecia impaciente, loucos para aproveitar a noite como nunca. Mas as casas noturnas, danceterias da moda &#8211; e at\u00e9 os postos de gasolina &#8211; estavam lotados. Sem falar na fila dos points mais badalados. De tanto andar, encontramos de tudo. Desde um baile da terceira idade at\u00e9 um&#8230; Esperem&#8230; Aquilo \u00e9 um&#8230; Um&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Boliche! Um boliche na praia do Cassino!!! Tudo bem, convenhamos que o lugar \u00e9 bastante humilde. Mas tinha certeza de que os garotos iriam se divertir um bocado &#8211; e se ainda restasse alguma energia, as filas das casas estariam bem menores. No in\u00edcio todos ficaram na d\u00favida: al\u00e9m de estarem com pouca grana, nenhum deles havia jogado aquilo na vida. Mudaram de id\u00e9ia quando garanti que era moleza e mostrei meu tal\u00e3o de cheques. Dito e feito: foi divertid\u00edssimo! Bom, tudo bem que consegui perder para meu primo J\u00fanior&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Tive a impress\u00e3o de ter sacaneado a galera&#8230; Exaustos ap\u00f3s o boliche, preferiram ir embora. S\u00f3 fomos dormir altas horas da madrugada. Eu nem vi o tempo passar: acordei mais cedo, abri a porta, constatei a presen\u00e7a de um lindo dia e ca\u00ed no mar. J\u00e1 estava devidamente temperado horas depois, quando a mo\u00e7ada aparece.<\/p>\n<p>&#8211; Nisso j\u00e1 estava pronto pra voltar \u00e0 Pelotas: na mesma noite estava marcado o encontro com os blogueiros, e no dia seguinte, come\u00e7aria minha volta para casa. Pensei inicialmente em voltar com a Cristiele, que estava curiosa para ir ao Otto Taberna comigo &#8211; acabou ficando por l\u00e1 mais um dia, cuidando do irm\u00e3o J\u00fanior&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Novamente quatro da tarde, novamente dentro do Expresso Embaixador. Mais uma hora at\u00e9 o Fragata, diante das poucas horas que ainda me restavam na zona sul do Rio Grande&#8230; Aquelas que voc\u00ea j\u00e1 viu antes. O que vem na sequ\u00eancia, eu conto depois.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; Dando sequ\u00eancia a nossa epop\u00e9ia de f\u00e9rias, chegamos finalmente a maior praia do mundo: o balne\u00e1rio do Cassino, em Rio Grande. 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