{"id":1266,"date":"2003-12-16T09:16:33","date_gmt":"2003-12-16T12:16:33","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/vou-cortar-seu-microfone"},"modified":"2003-12-16T09:16:33","modified_gmt":"2003-12-16T12:16:33","slug":"vou-cortar-seu-microfone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/vou-cortar-seu-microfone\/","title":{"rendered":"Vou cortar seu microfone!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\">Bom seria se o bode que me acompanhou no final de semana permanecesse em S\u00e3o Caetano, depois <a href=\"\/blog\/index.php?p=775\" target=\"_blank\"><b>daquele joguinho<\/b><\/a>. Ledo engano. Outra surpresa estava preparada para a noite de s\u00e1bado, quando resolvemos celebrar o anivers\u00e1rio de um colega de trabalho, o Bruno, num karaok\u00ea.<\/p>\n<p>Antes o problema fosse apenas a participa\u00e7\u00e3o de Lello, que j\u00e1 mostrou seus dotes vocais <a href=\"\/blog\/index.php?p=373\" target=\"_blank\"><b>em Florian\u00f3polis<\/b><\/a>. O local, perdido no meio da badalada Moema, era o mais vazio. No fim da noite, descobrimos um prov\u00e1vel motivo: qualidade zero no quesito atendimento.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/karaoke1612.jpg\" align=\"right\">O karaok\u00ea fica instalado num cantinho do bar, ao lado de um palco onde os convidados fazem suas performances. Mas ali, o &#8220;show de horrores&#8221; n\u00e3o se limitava as coreografias, timbres, letras e ritmos maltratados. O coordenador do &#8220;brinquedo&#8221; &#8211; a partir desta linha, vamos cham\u00e1-lo de Barba &#8211; parecia ter brigado com a vida h\u00e1 poucas horas, tamanha sua m\u00e1 vontade em agradar os fregueses.<\/p>\n<p>L\u00e1 vou eu cantar minha primeira m\u00fasica, ao lado de Lello Lopes. Era uma do Capital Inicial. Quem j\u00e1 foi a um show da banda, sabe perfeitamente que o vocalista Dinho dispara um sonoro &#8220;E a\u00ed mo\u00e7ada!&#8221; a cada estrofe, alternando com o pouco polido &#8220;Ducar\u00e1leo&#8221;. S\u00f3 que a minha imita\u00e7\u00e3o de Dinho n\u00e3o agradou o Barba &#8211; at\u00e9 a\u00ed, natural. Ocorre que o sujeito esqueceu a os modos em casa:<\/p>\n<p>&#8211; Vou cortar seu microfone! &#8211; amea\u00e7ou, com o dedo em riste.<\/p>\n<p>Poderia ter dito algo como &#8220;contra a censura e a falta de educa\u00e7\u00e3o em karaok\u00eas!&#8221;, mas preferi terminar a m\u00fasica, voltar pra mesa e me divertir com os amigos, evitando o palco. Em pouco tempo, percebi que o problema era geral: outro colega, o Leonardo, foi &#8220;podado&#8221; pelo Barba minutos depois. O motivo? Um copo na m\u00e3o. Narazaki, que estava a seu lado, percebeu o corte e trocou de microfone, deixando o Barba enfurecido. Ao final, todos, em un\u00edssono, gritavam: &#8220;Censura! Censura!&#8221;. &#8220;Esse Barba \u00e9 muito folgado&#8221;, definiu Leonardo, com propriedade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/barba1612.jpg\" align=\"right\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/umapedra1612.jpg\" align=\"left\">Passava da meia-noite e apenas os convidados do Bruno permaneciam no bar &#8211; o que demonstra a qualidade do estabelecimento. Nisso o aniversariante resolve cutucar o Barba, substituindo algumas palavras da can\u00e7\u00e3o &#8220;Olhar 43&#8221; por palavr\u00f5es durante sua performance &#8211; e repetindo outro ao final. Minutos depois, novo trocadalho do carilho, ao som de Tit\u00e3s: &#8220;homem de barba, capitalista e selvagem&#8230; \u00d4 \u00f4 \u00f4!&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Pronto, Andr\u00e9. Agora deixe seu orgulho de lado e v\u00e1 cantar&#8221;, pediu Bruno. E assim foi, com a dupla Lello e Narazaki em Sandra Rosa Madalena, e apenas ao lado do nip\u00f4nico, mandando ver em Rio Negro e Solim\u00f5es ao evocar a mancada gestual do &#8220;e bate o p\u00e9&#8221; seguido de tr\u00eas palmas&#8230;<\/p>\n<p>Na hora de pagar, outra celeuma, gerada pela consuma\u00e7\u00e3o m\u00ednima de vinte reais: Narazaki, que havia pedido para a gar\u00e7onete dividir as despesas entre as comandas mas n\u00e3o foi atendido, pediu para a tia do caixa redistribuir os valores. &#8220;Eu avisei na entrada, a consuma\u00e7\u00e3o \u00e9 individual&#8221;, insistiu a tia do caixa, com cara de poucos amigos. &#8220;Tudo bem, n\u00e3o vou impicar com essa babaquice&#8221;, concluiu Narazaki, enquanto a tia lucrava dez reais a mais nessa brincadeira.<\/p>\n<p>Tudo bem que a gar\u00e7onete canta bem e, em suas poucas participa\u00e7\u00f5es, arrancou muitos aplausos. Mas esse \u00e9 o tipo de programa que costuma provocar, inevitavelmente, a express\u00e3o: &#8220;nunca mais ponho os p\u00e9s nesta espelunca!&#8221;. E eu, uma pedra!<\/p>\n<p><b>Importante:<\/b> Para terminar este relato com o m\u00ednimo de \u00e9tica e dignidade, preservando a imagem de todos os envolvidos e sem criar caso com ningu\u00e9m, prefiro n\u00e3o dizer que a hist\u00f3ria se passou no Giffa&#8217;s, que fica na Alameda dos Arapan\u00e9s, n\u00famero 1.354, em Moema, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bom seria se o bode que me acompanhou no final de semana permanecesse em S\u00e3o Caetano, depois daquele joguinho. Ledo engano. Outra surpresa estava preparada para a noite de s\u00e1bado, quando resolvemos celebrar o anivers\u00e1rio de um colega de trabalho, o Bruno, num karaok\u00ea. Antes o problema fosse apenas a participa\u00e7\u00e3o de Lello, que j\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-1266","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-e-eu-uma-pedra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1266"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1266\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}