{"id":1247,"date":"2003-11-05T19:12:08","date_gmt":"2003-11-05T22:12:08","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/quase"},"modified":"2003-11-05T19:12:08","modified_gmt":"2003-11-05T22:12:08","slug":"quase","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/quase\/","title":{"rendered":"Quase&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\">Para incrementar a sua quarta-feira, nada como uma boa dose de <s>Lu\u00eds Fernando Ver\u00edssimo<\/s> atitude &#8211; o texto, propagado aos quatro ventos como sendo do filho de \u00c9rico, n\u00e3o \u00e9 dele. E eu ca\u00ed nessa tamb\u00e9m. A autora chama-se Sarah Westphal.<\/p>\n<p>Mas enfim, funciona do mesmo jeito. Para voc\u00ea que anda desanimado com o maldito &#8220;quase&#8230;&#8221;. Assim mesmo, com retic\u00eancias.<\/p>\n<p><i>Ainda pior que a convic\u00e7\u00e3o do n\u00e3o \u00e9 a incerteza do talvez, \u00e9 a desilus\u00e3o de um quase.<\/p>\n<p>\u00c9 o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e n\u00e3o foi.<\/p>\n<p>Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu est\u00e1 vivo, quem quase amou n\u00e3o amou.<\/p>\n<p>Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas id\u00e9ias que nunca sair\u00e3o do papel por essa maldita mania de viver no outono.<\/p>\n<p>Pergunto-me, \u00e0s vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor n\u00e3o me pergunto, contesto.<\/p>\n<p>A resposta eu sei de cor, est\u00e1 estampada na dist\u00e2ncia e frieza dos sorrisos, na frouxid\u00e3o dos abra\u00e7os, na indiferen\u00e7a dos &#8220;Bom dia&#8221;, quase que sussurrados.<\/p>\n<p>Sobra covardia e falta coragem at\u00e9 pra ser feliz.<\/p>\n<p>A paix\u00e3o queima, o amor enlouquece, o desejo trai.<\/p>\n<p>Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas n\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n<p>Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar n\u00e3o teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-\u00edris em tons de cinza.<\/p>\n<p>O nada n\u00e3o ilumina, n\u00e3o inspira, n\u00e3o aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que f\u00e9 mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que n\u00e3o podem ser mudadas resta-nos somente paci\u00eancia por\u00e9m, preferir a derrota pr\u00e9via \u00e0 d\u00favida da vit\u00f3ria \u00e9 desperdi\u00e7ar a oportunidade de merecer.<\/p>\n<p>Pros erros h\u00e1 perd\u00e3o; pros fracassos, chance; pros amores imposs\u00edveis, tempo. De nada adianta cercar um cora\u00e7\u00e3o vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim \u00e9 instant\u00e2neo ou indolor n\u00e3o \u00e9 romance.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impe\u00e7a de tentar.<\/p>\n<p>Desconfie do destino e acredite em voc\u00ea. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive j\u00e1 morreu.<\/i><\/p>\n<p>Sem mais perguntas, merit\u00edssimo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para incrementar a sua quarta-feira, nada como uma boa dose de Lu\u00eds Fernando Ver\u00edssimo atitude &#8211; o texto, propagado aos quatro ventos como sendo do filho de \u00c9rico, n\u00e3o \u00e9 dele. E eu ca\u00ed nessa tamb\u00e9m. A autora chama-se Sarah Westphal. Mas enfim, funciona do mesmo jeito. Para voc\u00ea que anda desanimado com o maldito [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-1247","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-plantao-marmota"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1247","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1247"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1247\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1247"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1247"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1247"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}