{"id":1242,"date":"2003-10-31T19:44:19","date_gmt":"2003-10-31T22:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/e-eu-ainda-acreditava-neles"},"modified":"2003-10-31T19:44:19","modified_gmt":"2003-10-31T22:44:19","slug":"e-eu-ainda-acreditava-neles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/e-eu-ainda-acreditava-neles\/","title":{"rendered":"E eu ainda acreditava neles&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\">Voc\u00ea sabe qual foi o primeiro jornal brasileiro que &#8220;fincou&#8221; sua bandeira na Internet, ainda em 1995? Se voc\u00ea respondeu <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\"><b>O Estado de S. Paulo<\/b><\/a>, acertou. Nos prim\u00f3rdios da Internet, era inevit\u00e1vel encontrar o bom e velho &#8220;agestado&#8221; nos bookmarks do Netscape. Anos mais tarde, o grupo agregou conte\u00fado ao seu portal Net Estado, publicando todas as edi\u00e7\u00f5es do Estad\u00e3o e Jornal da Tarde. Sem exce\u00e7\u00e3o: tudo ia para a web na virada do dia.<\/p>\n<p>Imagino que a decis\u00e3o daquela \u00e9poca deve ter irritado muitos conservadores: acreditavam que essa tal Internet, que ganhou for\u00e7a na empresa principalmente na cobertura da Copa da Fran\u00e7a, em 1998, acabaria rapidamente com o impresso. O fato do jornal estar dispon\u00edvel completinho &#8211; e de gra\u00e7a! &#8211; representava as \u00faltimas marteladas no caix\u00e3o.<\/p>\n<p>Tenho certeza de que a briga interna foi intensa, mas vencida pela intelig\u00eancia: mesmo depois do naufr\u00e1gio da parceria milion\u00e1ria com o Terra em 2000, o Diret\u00f3rio Estad\u00e3o virou Estad\u00e3o ponto com &#8211; aquele que n\u00e3o tem s\u00f3 &#8220;cara de conte\u00fado&#8221;. Mais do que isso, mantendo a filosofia de disponibilizar os dois jornais para os seus visitantes.<\/p>\n<p>H\u00e1 uns dois anos, soube que as visitas ns p\u00e1ginas do Grupo Estado na Internet aumentaram. Mais do que isso, o n\u00famero de assinantes do Estad\u00e3o tamb\u00e9m subiu &#8211; informa\u00e7\u00e3o que derruba qualquer previs\u00e3o sobre o fim do papel, al\u00e9m de mostrar que a web pode servir como complemento, e n\u00e3o como &#8220;canibal&#8221;.<\/p>\n<p>Mesmo com a crise econ\u00f4mica, que atinge n\u00e3o apenas m\u00eddia como qualquer outro bolso, sempre achei que o Grupo Estado percorria o melhor caminho pela rec\u00e9m-pavimentada estrada virtual &#8211; afinal, quem n\u00e3o se sentia feliz ao saber que, para ler aquela mat\u00e9ria do Estad\u00e3o ou do JT, bastavam alguns cliques? O m\u00e1ximo que poderia vir, imaginava, era uma prov\u00e1vel cobran\u00e7a pelo servi\u00e7o de busca ao acervo dos \u00faltimos sete anos. Nada mais justo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/agestado3110.gif\" align=\"right\">No entanto, hoje fui obrigado a mudar radicalmente de id\u00e9ia. Nesta sexta-feira, o <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/tecnologia\/internet\/2003\/out\/31\/5.htm\" target=\"_blank\"><b>Grupo Estado anunciou seu total retrocesso, ao trocar o HTML de seus jornais por PDF<\/b><\/a>. N\u00e3o h\u00e1 argumento que resista a tamanha insensatez: na noticia acima, eles alegam que, com a p\u00e1gina inteira na web, n\u00e3o se perde nada.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade. Tanto que o tamanho de um arquivo PDF &#8211; sigla de Portable Document Format, criado pela Adobe &#8211; \u00e9 pelo menos dez vezes maior que uma p\u00e1gina em HTML (<a href=\"http:\/\/jpdf.estado.com.br\" target=\"_blank\"><b>entre aqui e experimente a brincadeira<\/b><\/a>). Al\u00e9m de ser mais pesado, n\u00e3o tem links: para navegar (navegar?), \u00e9 preciso baixar todas as p\u00e1ginas. Quer saber mais? Al\u00e9m dos gr\u00e1ficos (muitas vezes mal-definidos), d\u00e1 pra ver tamb\u00e9m os an\u00fancios&#8230; Um belo neg\u00f3cio. Em breve, os PDFs poder\u00e3o ser baixados apenas por assinantes &#8211; o &#8220;agestado&#8221; vai continuar aberto a todos os visitantes, ou seja, \u00e9 como se, a partir de hoje, estiv\u00e9ssemos novamente em 1995&#8230;<\/p>\n<p>A decis\u00e3o bomb\u00e1stica (ou seria BOB\u00c1STICA) j\u00e1 havia sido pensada no come\u00e7o do ano. Esque\u00e7am as vantagens citadas na not\u00edcia acima: a id\u00e9ia foi cortar custos. Qualquer software que elabora as p\u00e1ginas de um jornal j\u00e1 \u00e9 capaz de exportar os mesmos arquivos no formato PDF. Assim, os jornalistas que cuidavam da atualiza\u00e7\u00e3o dos sites foram demitidos &#8211; se o <a href=\"http:\/\/www.comunique-se.com.br\" target=\"_blank\"><b>Comunique-se<\/b><\/a> estiver certo, foram oito degolados.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o se engane ao ler o termo &#8220;vantagens&#8221;. Essa triste not\u00edcia indica que o Grupo Estado cansou de esperar por algum retorno financeiro na web &#8211; ou melhor, sequer pensou que poderia existir algum &#8211; e resolveu simplesmente cortar esse tent\u00e1culo. Decidiram que o neg\u00f3cio deles \u00e9 not\u00edcia no papel, e danem-se as novas tecnologias e as suas possibilidades.<\/p>\n<p>Parab\u00e9ns aos retr\u00f3grados, voc\u00eas venceram uma batalha. Felizmente, para o bem da nossa profiss\u00e3o, a guerra est\u00e1 s\u00f3 no come\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea sabe qual foi o primeiro jornal brasileiro que &#8220;fincou&#8221; sua bandeira na Internet, ainda em 1995? Se voc\u00ea respondeu O Estado de S. Paulo, acertou. Nos prim\u00f3rdios da Internet, era inevit\u00e1vel encontrar o bom e velho &#8220;agestado&#8221; nos bookmarks do Netscape. Anos mais tarde, o grupo agregou conte\u00fado ao seu portal Net Estado, publicando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-1242","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-plantao-marmota"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1242","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1242"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1242\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}