{"id":1228,"date":"2006-06-07T17:28:11","date_gmt":"2006-06-07T20:28:11","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/o-ostracismo-do-pobre-amarelinho"},"modified":"2006-06-07T17:28:11","modified_gmt":"2006-06-07T20:28:11","slug":"o-ostracismo-do-pobre-amarelinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/o-ostracismo-do-pobre-amarelinho\/","title":{"rendered":"O ostracismo do pobre Amarelinho"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/copa2006.gif\" align=\"right\">Esses dias o UOL lan\u00e7ou mais uma de suas mat\u00e9rias especiais sobre pautas diversas e criativas, <a href=\"http:\/\/esporte.uol.com.br\/copa\/2006\/ultnot\/reportagens\/2006\/05\/22\/ult3668u11.jhtm\" target=\"_blank\"><b>recuperando alguns dos mais conhecidos versos criados durante os Mundiais<\/b><\/a>. Faz justi\u00e7a a corrente pra frente dos &#8220;90 milh\u00f5es em a\u00e7\u00e3o, pra frente Brasil, salve a sele\u00e7\u00e3o!&#8221;, que \u00e9 sem sombra de d\u00favida, a mais lembrada entre as cantigas de copa. O texto resgata ainda p\u00e9rolas como o &#8220;Voa, canarinho, voa&#8221; (que voltou numa propaganda est\u00fapida da Red Bull) ou o Araken dan\u00e7ando a primeira grande musiquinha da Globo: o meximeximexicora\u00e7\u00e3o de 86 (tema de Sullivan e Massadas).<\/p>\n<table width=\"200\" border=\"1\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"1\" bgcolor=\"#66BB22\" align=\"right\">\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\"><font size=\"1\"><font color=\"#66BB22\"><b>Hino do Amarelinho<\/b><\/font><br \/>O Brasil &eacute; bom de bola<br \/>E no campo deita e rola<br \/>Faz do jogo uma emo&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>E a torcida se levanta<br \/>Com um grito na garganta<br \/>O Brasil &eacute; campe&atilde;o<\/p>\n<p>Nessa n&atilde;o tem erro n&atilde;o<br \/>O Brasil vai ser campe&atilde;o<br \/>E volta com a Copa na m&atilde;o<\/p>\n<p>&Ocirc; &ocirc; Brasil!<br \/>&Ocirc; &ocirc; Brasil!<\/p>\n<p>(Tinha segunda parte?)<\/font><\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p>O texto passa batido no entanto pela Copa de 90 (ok, essa todo mundo faz quest\u00e3o de esquecer mesmo). Ano em que o tema oficial da Fifa era Un&#8217;estate Italiana (cujo solinho de guitarra introduzia todas as transmiss\u00f5es de jogos) e a Globo lan\u00e7ou m\u00e3o de Papa essa Brasil \/ Pode vir quente \/ Se der sopa a gente toma. Mas a novidade espetacular daquela malfadada competi\u00e7\u00e3o saiu dos est\u00fadios da Vila Guilherme, antiga sede do SBT.<\/p>\n<p>Eram tempos de muitas experi\u00eancias inesquec\u00edveis sa\u00eddas da cabe\u00e7a do seu S\u00edlvio. Nos anos 90, Roberto Cabrini, ainda comedido, comandava o natimorto SBT Esporte na mesma \u00e9poca em que a emissora convocou Carlos Valadares, Osmar de Oliveira e Orlando Duarte para acompanhar os jogos do Mundial, al\u00e9m de lan\u00e7ar um personagem que caiu nas gra\u00e7as do torcedor brasileiro, com saudades do Naranjito de 1982 e pasmo diante do Ciao, um mascote torpe formado por cubos e uma cabe\u00e7a de bola em 1990.<\/p>\n<p>Estamos falando do Amarelinho, personagem engra\u00e7adinho que aparecia em todos os jogos do Brasil naquele ano. Luiz Alfredo era o narrador, e o saudoso Tel\u00ea Santana, ent\u00e3o t\u00e9cnico do Palmeiras, atacava de comentarista. Mas ningu\u00e9m queria saber deles. O neg\u00f3cio era a intera\u00e7\u00e3o que havia entre o bonequinho redondo e o ex-locutor da Globo, que toda hora interrompia os lances para conversar com a mascote do SBT. Que, por sua vez, reagia saltitante. Comemorava, ficava nervoso, chorava, enfim.<\/p>\n<p>Definitivamente foi uma Copa at\u00edpica. Dentro de campo, o treinador inventou o l\u00edbero, que devia funcionar como nas modernas equipes europ\u00e9ias. Mas Mauro Galv\u00e3o estava longe de ser um, e a equipe foi recebida no aeroporto do Rio de Janeiro com uma faixa alusiva a grande sensa\u00e7\u00e3o daquele mundial: &#8220;quem tem merda na cabe\u00e7a, Camar\u00f5es ou Lazaroni?&#8221;.<\/p>\n<p>Fora dele, o presidente inventou um plano estranho, que confiscava poupan\u00e7a e aplica\u00e7\u00f5es financeiras, acabava com a mamata do over e deixou meio mundo sem grana no banco. As emissoras mandaram equipes reduzidas (a Globo foi com 30 pessoas, ao contr\u00e1rio das \u00b4160 desse ano). A solu\u00e7\u00e3o foi um &#8220;pool&#8221; entre as TVs. Globo tinha Galv\u00e3o e Pel\u00e9; Bandeirantes tinha Luciano do Valle e Zico; Manchete tinha Paulo Stein e Falc\u00e3o; e o SBT, que no ano seguinte inventou o &#8220;modelo Datena&#8221; com Luiz Lopes Correa, Ivo Morganti, En\u00e9as e Maguila contracenando juntos no Aqui Agora, tinha o Amarelinho.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho saudades do Collor nem do Lazaroni. Mas lembro com saudades do Amarelinho, que durou s\u00f3 mais uma copa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/ciao0606.gif\" align=\"left\"><font color=\"#66BB22\"><b>Mais Copa de 90<\/b><\/font> &#8211; Lembro pouca coisa daquela que foi a pior copa da minha vida &#8211; algu\u00e9m lembra do Tot\u00f3 Schillaci? Mas teve um lance magistral, talvez o mais bacana daquele Mundial. Camar\u00f5es e Col\u00f4mbia se enfrentaram nas oitavas-de-final, e nada de gols no tempo normal. At\u00e9 que o sensacional Roger Milla abriu o placar no segundo tempo da prorroga\u00e7\u00e3o. Mesmo perdendo, os colombianos deixaram o folcl\u00f3rico Ren\u00e9 Higuita sair do gol, com a bola nos p\u00e9s, at\u00e9 quase o meio do campo. Milla tirou a bola do afetado e chutou para o gol vazio, ampliando a vantagem. Os amigos do gal\u00e3 Valderrama ainda fizeram 2 a 1, mas a performance do goleiro colombiano falou mais alto.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/naranjito0606.gif\" align=\"right\"><font color=\"#66BB22\"><b>Mais mascotes<\/b><\/font> &#8211; Em 2004, fiz <a href=\"\/blog\/2004\/06\/25\/996\" target=\"_blank\"><b>um texto a respeito dos mascotes ol\u00edmpicos<\/b><\/a>. Virou um dos campe\u00f5es de busca: todos alunos limitados querendo trabalhos prontos para a professora. Dessa vez, para fazer a turma trabalhar um pouco mais na escola, vai s\u00f3 um lembrete: al\u00e9m do Naranjito e do Ciao, j\u00e1 citados aqui, tivemos o le\u00e3o Willie em 66, o mexicaninho Juanito em 70, os g\u00eameos Tip e Tap em 74, o argentininho Gauchito em 78, o bigodudo chapeludo Pique em 86, o c\u00e3o bobo Strike em 94, o galo est\u00fapido Footix em 98 e as criaturas estranhas Spheriks, em 2002. Dessa vez o mascote \u00e9 o le\u00e3o Goleo, que apesar da simpatia, <a href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/economia\/story\/2006\/05\/060517_copamascoteg.shtml\" target=\"_blank\"><b>levou a empresa que o criou \u00e0 fal\u00eancia<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>Quer saber mais sobre mascotes? Use o Google e boa sorte.<\/p>\n<p><font color=\"#66BB22\"><b>E tem mais<\/b><\/font> &#8211; Procure pela <a href=\"http:\/\/www.alexandresena.jor.br\/podcasts.html\" target=\"_blank\"><b>edi\u00e7\u00e3o 29 do podcast do Alexandre Sena<\/b><\/a> e ou\u00e7a este pobre coitado que vos escreve balbuciando em uma entrevista gravada durante o expediente. Diz o meu amigo que ficou bem legal. Enfim, ou\u00e7a e tire suas conclus\u00f5es!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esses dias o UOL lan\u00e7ou mais uma de suas mat\u00e9rias especiais sobre pautas diversas e criativas, recuperando alguns dos mais conhecidos versos criados durante os Mundiais. 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