{"id":1221,"date":"2006-05-20T20:03:31","date_gmt":"2006-05-20T23:03:31","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/como-fica-o-codigo-na-telona-para-quem-nao-leu"},"modified":"2006-05-20T20:03:31","modified_gmt":"2006-05-20T23:03:31","slug":"como-fica-o-codigo-na-telona-para-quem-nao-leu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/como-fica-o-codigo-na-telona-para-quem-nao-leu\/","title":{"rendered":"Como fica O C\u00f3digo na telona para quem n\u00e3o leu"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\">H\u00e1 dois anos, comecei a ler &#8220;O C\u00f3digo Da Vinci&#8221;, <a href=\"\/blog\/2004\/06\/02\/969\"><b>e aqui mesmo<\/b><\/a> escrevi o seguinte: depois de algumas dezenas de p\u00e1ginas, me senti diante de um verdadeiro bloquebuster roliudiano, daqueles que passam no come\u00e7o do ano na Tela Quente e logo povoam a Temperatura M\u00e1xima no domingo. Nem preciso chegar at\u00e9 o final pra concluir: <a href=\"http:\/\/www.sonypictures.com\/movies\/thedavincicode\" target=\"_blank\"><b>O C\u00f3digo Da Vinci nasceu pra ser um filme<\/b><\/a>. Deixei meu livro vermelho na prateleira, esperei pelo desenrolar da hist\u00f3ria na tela grande e ganhei meu tempo lendo outra coisa.<\/p>\n<p>O tempo passou e eu resisti ferozmente a toda e qualquer informa\u00e7\u00e3o relevante sobre o enredo do filme &#8211; apesar de todo mundo saber. Sequer vi as orelhas de todos os &#8220;desvendando o c\u00f3digo&#8221;, &#8220;massacrando o c\u00f3digo&#8221;, &#8220;viajando com o c\u00f3digo&#8221;, &#8220;cozinhando maravilhosamente com o c\u00f3digo&#8221;&#8230; N\u00e3o parei para ler cr\u00edticos especializados, e tentei abstrair as manchetes da semana sobre as piadinhas em Cannes. Minha inten\u00e7\u00e3o era encarar o filme com toda a ignor\u00e2ncia que pudesse acumular.<\/p>\n<p>Acreditei na minha decis\u00e3o certeira depois de assistir a vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica do <a href=\"http:\/\/hitchhikers.movies.go.com\" target=\"_blank\"><b>Guia do Mochileiro das Gal\u00e1xias<\/b><\/a>. Tudo porque j\u00e1 tinha lido o livro e estava maravilhado com a forma como Douglas Adams desenvolve seus personagens e suas hist\u00f3rias. Tudo bem, cinema \u00e9 outra linguagem, recontar a mesma hist\u00f3ria usando seus elementos tamb\u00e9m \u00e9 uma arte&#8230; Mas a distor\u00e7\u00e3o que fizeram com o mochileiro foi decepcionante.<\/p>\n<p>Mas enfim, finalmente o dia chegou. Como esperado, mesmo a sess\u00e3o da meia-noite numa das salas mais discretas da cidade estava lotada. E provavelmente era um dos poucos que n\u00e3o passou do cap\u00edtulo nove &#8211; a parte onde a Amelie Poulain avisa o mal-penteado Forrest Gump, pelo celular, que ele corre perigo nas m\u00e3os do assistente do Inspetor Clouseau.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/davinci2005.jpg\" align=\"right\">N\u00e3o, n\u00e3o estou s\u00f3 ca\u00e7oando: \u00e9 que eu realmente senti uma certa displic\u00eancia na caracteriza\u00e7\u00e3o dos personagens principais. Robert Langdon e Sofie Neveu, ou Forrest e Amelie, n\u00e3o se parecem sequer com um casal rom\u00e2ntico: s\u00e3o meros fios condutores. \u00c9 como nos filmes de Monty Pyton: esque\u00e7a os caras e preste aten\u00e7\u00e3o nos di\u00e1logos. Para evitar injusti\u00e7as, a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 Sir Ian McKellen (nem Gandalf, nem Magneto).<\/p>\n<p>Uma das coisas que me fizeram esperar pelo filme era o texto conciso e direto (mastigadinho) do escritor Dan Brown. As a\u00e7\u00f5es eram encadeadas rapidamente, sem muitas surpresas. Jesus supostamente era um cara como eu e voc\u00ea, supostamente casado com Maria Madalena, supostamente teve filhos, o fato \u00e9 supostamente criptografado por Da Vinci em suas obras, preservado pelo suposto Priorado de Si\u00e3o, a Opus Dei supostamente pretende acabar com isso e manter seu poder, etc. Vale pelo efeito no imagin\u00e1rio das pessoas, o mesmo do suposto mensal\u00e3o e da suposta matrix: ser\u00e1 mesmo poss\u00edvel?<\/p>\n<p>Nesse sentido, senti falta da frasezinha-clich\u00ea, verdadeiro estopim de tantos sub-produtos: &#8220;todos os documentos, rituais, fac\u00e7\u00f5es, constru\u00e7\u00f5es e suas descri\u00e7\u00f5es correspondem rigorosamente a verdade&#8221;. Mas nem foi preciso estampar o bom e velho &#8220;baseados em fatos reais&#8221;: se tanta gente criticou O C\u00f3digo impresso, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil estender o conceito \u00e0 sua vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica. Isso porque, analisando friamente, o filme n\u00e3o traz nada revolucion\u00e1rio &#8211; pelo contr\u00e1rio, repete alguns elementos de Uma Mente Brilhante, do mesmo Ron Howard. O que pode explicar algumas risadas dos cr\u00edticos.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei como a hist\u00f3ria se desenrola no livro, mas eu imagino que seja exatamente como no cinema: parece uma cartilha infantil, com direito a belas imagens em flashback &#8211; o que tamb\u00e9m pode causar desconforto aos especialistas. Para quem entrou no cinema como eu, fugindo do hype, acumulando toda a ignor\u00e2ncia poss\u00edvel e esperando apenas por divers\u00e3o, o efeito \u00e9 muito bom. Eu praticamente n\u00e3o precisei raciocinar durante duas horas e meia de filme, coisa que vez ou outra, \u00e9 altamente recomendavel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 dois anos, comecei a ler &#8220;O C\u00f3digo Da Vinci&#8221;, e aqui mesmo escrevi o seguinte: depois de algumas dezenas de p\u00e1ginas, me senti diante de um verdadeiro bloquebuster roliudiano, daqueles que passam no come\u00e7o do ano na Tela Quente e logo povoam a Temperatura M\u00e1xima no domingo. 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