{"id":1220,"date":"2006-05-18T13:05:35","date_gmt":"2006-05-18T16:05:35","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/e-voce-sim-idiota"},"modified":"2006-05-18T13:05:35","modified_gmt":"2006-05-18T16:05:35","slug":"e-voce-sim-idiota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/e-voce-sim-idiota\/","title":{"rendered":"\u00c9 voc\u00ea sim, idiota!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\">Quantas vezes voc\u00ea se viu diante daquela pessoa que um dia foi tudo na sua vida, e no meio da \u00faltima conversa, ouve a explica\u00e7\u00e3o para todos os problemas: &#8220;o problema n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea, sou eu&#8221;.<\/p>\n<p>O assunto <a href=\"\/blog\/2004\/03\/14\/873\"><b>j\u00e1 foi tema de enquete do MMM<\/b><\/a> em 2004. A conclus\u00e3o da \u00e9poca \u00e9 a mesma hoje. Voc\u00ea pode at\u00e9 ouvir essa frase batida com honestidade, mas ela sempre desperta d\u00favidas: &#8220;toda vez que leio essa frase, eu leio ao contr\u00e1rio: n\u00e3o sou eu, \u00e9 voc\u00ea. O que, no fundo no fundo, \u00e9 exatamente o que algu\u00e9m quer dizer quando diz n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea, sou eu&#8221;, conclui sabiamente a minha amiga <a href=\"http:\/\/lesoiseaux.blogspot.com\/2006\/03\/no-sou-eu-voc.html\"><b>Laura<\/b><\/a>. O tempo faz sumir com a situa\u00e7\u00e3o chata p\u00f3s-p\u00e9-na-bunda, desde que a gente esque\u00e7a tantos questionamentos e siga em frente de uma vez.<\/p>\n<p>O tema voltou \u00e0 minha mente no m\u00eas passado, depois de assistir ao filme argentino <a href=\"http:\/\/www.nososvossoyyo.com\" target=\"_blank\"><b>No Sos Vos, Soy Yo<\/b><\/a> &#8211; vers\u00e3o em espanhol da velha desculpinha: &#8220;la historia que no conoces sobre las cosas que escuchaste mil veces&#8221;. Pena que ficou em cartaz em circuito restrito, por pouco tempo (talvez alguma loja virtual argentina j\u00e1 tenha o DVD).<\/p>\n<p>Mas enfim, vamos ao filme. Javier tem 30 anos e \u00e9 um cirurgi\u00e3o estabelecido em Buenos Aires, mas disposto a largar tudo para morar em Miami com Maria, sua futura esposa. Mesmo diante de uma rela\u00e7\u00e3o mon\u00f3tona e chata, eles decidem se casar \u00e0s pressas, justamente para adiantar a papelada do visto norte-americano. Para adiantar as coisas e sentir o terreno, Maria viaja primeiro. \u00c9 o tempo de Javier pedir demiss\u00e3o, entregar as chaves do apartamento alugado e arrumar as tralhas para encontr\u00e1-la.<\/p>\n<p>S\u00f3 que um telefonema de \u00faltima hora coloca tudo a perder: ao ouvir da imatura e confusa Maria um &#8220;n\u00e3o quero que venha, estou mal, n\u00e3o quero que me veja assim&#8221;, seguido de &#8220;o problema n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea, sou eu&#8221;, o mundo do agora corno Javier desaba completamente. E \u00e9 na fase mais desesperadora do pobre homem que o filme, escrito e dirigido por Juan Taratuto, se desenrola, tornando-se uma esp\u00e9cie de manual: tudo que voc\u00ea n\u00e3o deve fazer ap\u00f3s o fim de um relacionamento.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/nososvossoyyo1805.jpg\" align=\"right\">Seguem situa\u00e7\u00f5es at\u00e9 exageradas e pat\u00e9ticas, mas que ficam at\u00e9 veross\u00edmeis com a interpreta\u00e7\u00e3o do ator Diego Peretti, que transita facilmente entre o drama e a com\u00e9dia. Extremamente deprimido, ele volta para a casa dos pais, onde resgata uma velha agenda de telefones para tentar sua &#8220;volta ao mercado&#8221; &#8211; algo t\u00e3o desastroso quanto a id\u00e9ia de comprar um cachorro ou mesmo seu retorno \u00e0 mesa de cirurgia, onde a desorienta\u00e7\u00e3o quase coloca sua carreira por \u00e1gua abaixo.<\/p>\n<p>A perturba\u00e7\u00e3o de Javier, apesar de parecer caricata, \u00e9 muito comum. Ao inv\u00e9s de tirar da cabe\u00e7a a id\u00e9ia de que Maria era tudo em sua vida, ele se agarra nela por muito tempo. E mesmo quando ele tem uma chance de espairecer, como numa sess\u00e3o de cinema, ele se lembra que est\u00e1 sozinho.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o falta gente para ajud\u00e1-lo em sua \u00e1rdua tarefa de dar a volta por cima: desde o fiel casal de amigos at\u00e9 o impag\u00e1vel psic\u00f3logo (o ator Marcos Mundstock), que rouba a cena em suas poucas apari\u00e7\u00f5es. Seus clich\u00eas muito \u00fateis (primeiro vem d\u00favida, depois a tristeza, e por fim a raiva; voc\u00ea n\u00e3o se apaixona pela pessoa, mas pela situa\u00e7\u00e3o) n\u00e3o funcionam, a ponto do analista perder completamente a paci\u00eancia com seu mais transtornado paciente.<\/p>\n<p>Para alegria de Javier, esse \u00e9 um filme que acaba bem. Ele consegue um novo lugar para morar, um emprego em uma cl\u00ednica de cirurgia p\u00e1stica&#8230; E natualmente, como deve ser, uma nova namorada. Aqui a proximidade com a realidade faz mais sentido: independente de como a sua vida ficou bagun\u00e7ada ap\u00f3s ouvir &#8220;o problema n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea, sou eu&#8221;, tudo volta ao normal assim que voc\u00ea se reencontra. At\u00e9 mesmo Maria, o grande amor de sua vida, desce do pedestal e ocupa seu devido lugar.<\/p>\n<p>(N\u00e3o encontrei o trailer do filme, mas descobri no site <a href=\"http:\/\/loqueyotediga.net\/favoritas\/archives\/001572.html\" target=\"_blank\"><b>Lo Que Yo Te Diga<\/b><\/a> um rico <a href=\"http:\/\/loqueyotediga.net\/files\/Nososvossoyyo.mp3\" target=\"_blank\"><b>arquivo em mp3<\/b><\/a> com alguns di\u00e1logos do filme e entrevista com o diretor).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantas vezes voc\u00ea se viu diante daquela pessoa que um dia foi tudo na sua vida, e no meio da \u00faltima conversa, ouve a explica\u00e7\u00e3o para todos os problemas: &#8220;o problema n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea, sou eu&#8221;. O assunto j\u00e1 foi tema de enquete do MMM em 2004. A conclus\u00e3o da \u00e9poca \u00e9 a mesma hoje. 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