{"id":1215,"date":"2006-05-11T12:10:49","date_gmt":"2006-05-11T15:10:49","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/a-estranha-teoria-dos-tres-grupos"},"modified":"2006-05-11T12:10:49","modified_gmt":"2006-05-11T15:10:49","slug":"a-estranha-teoria-dos-tres-grupos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/a-estranha-teoria-dos-tres-grupos\/","title":{"rendered":"A estranha teoria dos tr\u00eas grupos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\">Toda vez que converso com os amigos sobre altos e baixos num relacionamento, fatalmente interrompo o papo e digo &#8220;eu tenho uma teoria&#8221;. Em seguida, lan\u00e7o alguma id\u00e9ia bastante discut\u00edvel e facilmente desconstru\u00edda com argumentos s\u00f3lidos. Ou mesmo quando algum sem-gra\u00e7a diz que isso n\u00e3o leva a lugar nenhum e logo prop\u00f5e um novo tema em substitui\u00e7\u00e3o ao anterior. Assim, normalmente tudo que eu disser ap\u00f3s a frase &#8220;eu tenho uma teoria&#8221; n\u00e3o deve ser levado muito a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Mas enfim, eu tenho uma teoria.<\/p>\n<p>Cada um de n\u00f3s perde muito tempo a procura de algu\u00e9m que veja sentido em compartilhar qualquer coisa. Uma hist\u00f3ria, um lar, um monte de d\u00edvidas&#8230; N\u00e3o importa, desde que os dois envolvidos consigam uma verdadeira proeza: conciliar suas pr\u00f3prias vidas e objetivos particulares com esse neg\u00f3cio compartilhado, constru\u00eddo em conjunto. A maior dificuldade nesse desafio \u00e9 justamente a primeira: encontrar algu\u00e9m disposto a fazer isso com voc\u00ea.<\/p>\n<p>Ocorre que, por raz\u00f5es absolutamente pessoais, a obviedade acima n\u00e3o acontece, ou surge ap\u00f3s muito esfor\u00e7o ou sacrif\u00edcios. A teoria que explica essa dificuldade est\u00e1 em uma subdivis\u00e3o grosseira entre os indiv\u00edduos que, nesse exato momento, est\u00e3o procurando esse objetivo ou se matando em fun\u00e7\u00e3o dele. Todos eles podem ser separados em tr\u00eas tipos extremamente b\u00e1sicos. Vamos batiza-los usando letras aleat\u00f3rias: B, C e&#8230; M, vai.<\/p>\n<p>O tipo B \u00e9 o cidad\u00e3o mais comum, pacato, simp\u00e1tico, objetivo&#8230; Isso lhe d\u00e1 a pecha de &#8220;bonzinho&#8221;. Uma pessoa bacana, sensacional, legal pra caramba, que faz tudo certinho&#8230; Resumidamente, um verdadeiro chato. Normalmente, \u00e9 aquela pessoa que parecia legal demais, mas aos poucos vai se transformando num completo estranho.<\/p>\n<p>J\u00e1 o tipo C \u00e9 o mais desencanado, livre de amarras, disposto apenas a acompanhar a mar\u00e9 da vida. Passam todo o tempo &#8220;curtindo o momento&#8221; e se divertem a valer. S\u00e3o os primeiros a n\u00e3o darem a menor pelota para sentimentos mais sinceros quando eles aparecem, e por essa raz\u00e3o, fogem completamente de qualquer tipo de compromisso.<\/p>\n<p>Por fim, o tipo M. Esse \u00e9 o mais complexo, j\u00e1 que normalmente enxergam o mundo por um prisma s\u00f3 seu. Das duas, uma. Podem ter convic\u00e7\u00f5es firmes e r\u00edgidas, insistindo fortemente em seus conceitos sem flexibilizar. Ou simplesmente n\u00e3o fazem a menor id\u00e9ia do que querem. Resumindo: ou seguem seu pr\u00f3prio caminho ou est\u00e3o totalmente perdidos.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia b\u00e1sica dessa teoria \u00e9 simples: instintivamente, ao sentir vontade de se relacionar, partimos sempre para o caminho mais dif\u00edcil. Assim, se voc\u00ea consegue se posicionar em um desses tipos nesse momento, obrigatoriamente seu alvo em busca daquelas coisas todas compartilhadas pertence a um grupo diferente. \u00c9 praticamente imposs\u00edvel pessoas do mesmo tipo se relacionarem: um encontro desse tipo tende a amizade.<\/p>\n<p>Claro que a coisa n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simpl\u00f3ria quanto parece. N\u00e3o \u00e9 moleza definir qual \u00e9 o tipo predominante em cada um dos pobres coitados. Ao mesmo tempo, n\u00e3o se trata de um r\u00f3tulo fixo: quem n\u00e3o conhece algu\u00e9m que tenha pirado num primeiro momento, tentou fazer a coisa certa num segundo e simplesmente chutou o balde num terceiro? Mais do que isso: h\u00e1 pessoas que parecem ser do tipo B, mas agem como C e, no fundo, s\u00e3o M. De qualquer jeito, a id\u00e9ia \u00e9 a mesma: os tipos insistem na rota de colis\u00e3o inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea tamb\u00e9m se identificou com essa id\u00e9ia, n\u00e3o se desespere. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 simples: esquecer os tr\u00eas grupos. Tenho um amigo que enxergou essas incompatibilidades todas por muito tempo, e nunca acertava. At\u00e9 que uma antiga conhecida reapareceu em sua vida. Eles j\u00e1 se conheciam h\u00e1 pelo menos 25 anos, mas s\u00f3 agora sentiram algo que era pra valer. Ele diz: &#8220;nunca senti o que estou vivendo desta vez, desde o primeiro momento com pleno desejo de me casar e passar toda a vida com ela&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda \u00e9 poss\u00edvel duas pessoas compartilharem suas vidas, desde que sintam algo verdadeiro, sem qualquer distin\u00e7\u00e3o. Felizmente, isso simplesmente acontece, n\u00e3o se escolhe &#8211; at\u00e9 porque, se pud\u00e9ssemos, cair\u00edamos nos tais grupos. Quando acontece, as barreiras que distinguem os tipos se tornam insignificantes. Acredite: um dia acontece com todo mundo.<\/p>\n<blockquote><p><tt>- Marmota, mas que sopa de abobrinha!<br \/>- Ah, n\u00e3o exagera. Tem muita gente que vai concordar.<br \/>- Claro que vai! Afinal de contas, todo mundo se encaixa nessa sua divis\u00e3o idiota. E eu saquei a bobagem das letrinhas.<br \/>- Bobagem das letrinhas?<br \/>- \u00c9! B de bobo, C de canalha e M de maluco!<br \/>- Mmmhhh... Agora que voc\u00ea falou...<\/tt><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toda vez que converso com os amigos sobre altos e baixos num relacionamento, fatalmente interrompo o papo e digo &#8220;eu tenho uma teoria&#8221;. Em seguida, lan\u00e7o alguma id\u00e9ia bastante discut\u00edvel e facilmente desconstru\u00edda com argumentos s\u00f3lidos. 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