{"id":1206,"date":"2006-04-16T19:05:26","date_gmt":"2006-04-16T22:05:26","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/e-continua-o-misterio-de-poooooorto-do-desespeeeeeero"},"modified":"2006-04-16T19:05:26","modified_gmt":"2006-04-16T22:05:26","slug":"e-continua-o-misterio-de-poooooorto-do-desespeeeeeero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/e-continua-o-misterio-de-poooooorto-do-desespeeeeeero\/","title":{"rendered":"E continua o mist\u00e9rio de&#8230;POOOOOORTO DO DESESPEEEEEERO!!!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/misterio.gif\" align=\"right\">(Nos epis\u00f3dios anteriores, <a href=\"http:\/\/www.verbeat.org\/blogs\/stuckinsac\/arquivos\/2006\/04\/historia_de_vio.html\" target=\"_blank\"><b>Roberto e Zeca<\/b><\/a> acertam um novo servi\u00e7o enquanto <a href=\"http:\/\/ananima.blogspot.com\/2006\/04\/porto-do-desespero.html\" target=\"_blank\"><b>Mariana<\/b><\/a> queima carne podre em uma casa velha. Seu ex-noivo <a href=\"http:\/\/www.chinfra.blogger.com.br\/2006_04_01_archive.html#38402491\" target=\"_blank\"><b>Daniel<\/b><\/a> recebe um inesperado telefonema, e antes de <a href=\"http:\/\/inconfidenciamineira.com\/?p=201\" target=\"_blank\"><b>embarcar<\/b><\/a> para o Canad\u00e1, \u00e9 obrigado a executar um servi\u00e7o para seu pai. Mas ao chegar, tem uma <a href=\"http:\/\/liberallibertariolibertino.blogspot.com\/2006\/04\/porto-do-desespero-captulo-5-malvada.html\" target=\"_blank\"><b>surpresa infeliz<\/b><\/a>. Perto dali, <a href=\"http:\/\/www.verbeat.org\/blogs\/biajoni\/arquivos\/2006\/04\/porto_do_desesp.html\" target=\"_blank\"><b>dois paquistaneses<\/b><\/a> explodem um restaurante e v\u00e3o parar <a href=\"http:\/\/www.aomirante.com\/?p=269\" target=\"_blank\"><b>em outro plano<\/b><\/a>. Como se isso tudo n\u00e3o bastasse, o <a href=\"http:\/\/www.pirao.blogger.com.br\/2006_04_01_archive.html#38431936\" target=\"_blank\"><b>Ministro da Economia do Canad\u00e1<\/b><\/a> foi misteriosamente assassinado &#8211; <a href=\"http:\/\/www.verbeat.org\/blogs\/forsit\/arquivos\/007673.html\" target=\"_blank\"><b>not\u00edcia<\/b><\/a> que pega Mariana e Roberto de surpresa.)<\/p>\n<p><b>Cap\u00edtulo VIXI, ops, X: O Flashback<\/b><\/p>\n<p>&#8211; Mas que merda, Mari. Voc\u00ea sabe que horas s\u00e3o? N\u00e3o, n\u00e3o, mais do que isso. Voc\u00ea \u00e9 capaz de me dizer um \u00fanico lugar pra gente ir? Estamos andando sem dire\u00e7\u00e3o h\u00e1 horas! &#8211; dizia Roberto, caindo de sono ao volante.<\/p>\n<p>Na verdade, ele sabia exatamente para onde estavam indo. Precisava resolver o imbr\u00f3glio dos paquistaneses antes que sobrasse para ele. Ele queria mesmo era tirar Mariana do transe. De olhos abertos e express\u00e3o inerte, estava sentada no banco do passageiro, mas era como se n\u00e3o estivesse. &#8220;Deve estar pensando na morte do ministro&#8221;, imaginou Roberto.<\/p>\n<p>Mariana estava realmente bem longe da estrada, e nem fazia id\u00e9ia de que horas eram. Ali\u00e1s, naquele instante, seu rel\u00f3gio estava alguns meses atrasado.<\/p>\n<p>Era mais uma manh\u00e3 agrad\u00e1vel de outono em Barcelona quando o v\u00f4o 6824 da Ib\u00e9ria trouxe o casal Mariana e Daniel. A felicidade dos dois era latente, diante da primeira grande viagem do casal desde o in\u00edcio do namoro. A linda e doce Mariana n\u00e3o continha seu deslumbramento, sempre agarrada ao seu grande amor.<\/p>\n<p>&#8211; Olha, querido! Est\u00e1 tudo escrito em catal\u00e3o!!! Nossa, isso aqui \u00e9 um sonho!!!<\/p>\n<p>Daniel tinha certeza de que seria a semana mais feliz de sua vida. Continua\u00e7\u00e3o de um verdadeiro golpe de sorte: a id\u00e9ia do casamento j\u00e1 o entusiasmava quando Camacho, um amigo de inf\u00e2ncia, reapareceu no Orkut. Contou que deixara o Brasil h\u00e1 10 anos e se estabelecera na Europa. Fez quest\u00e3o de pagar duas passagens para o velho amigo e sua futura esposa conhecerem sua nova morada. Era tudo que ele precisava para selar definitivamente seu futuro com Mariana.<\/p>\n<p>Os amigos se encontraram e se abra\u00e7aram longamente ainda no sagu\u00e3o do aeroporto. No caminho at\u00e9 sua resid\u00eancia no Bairro G\u00f3tico, Camacho contou que, quando chegou \u00e0 cidade, conseguiu emprego de vendedor em uma simp\u00e1tica livraria. Com o tempo, virou s\u00f3cio do neg\u00f3cio, at\u00e9 o dono resolver aproveitar a vida, passando o estabelecimento totalmente para as m\u00e3os dele. Morava num amplo e confort\u00e1vel apartamento bem acima da livraria, na Calle Boqueria, perto da Rambla.<\/p>\n<p>&#8211; Amigos, como dissemos aqui, mi casa es su casa. Bienvenidos!<\/p>\n<p>Apesar do cansa\u00e7o da viagem, o casal n\u00e3o perdeu muito tempo e, ao lado de Camacho, foram caminhar pelos arredores. Mariana era, nitidamente, a mais feliz: toda movimenta\u00e7\u00e3o da Rambla, lojas de flores, bancas, quiosques, e muita, muita gente. De todas as ra\u00e7as, cores e classes sociais.<\/p>\n<p>&#8211; Puxa vida, \u00e9 praticamente imposs\u00edvel identificar um t\u00edpico cidad\u00e3o da cidade&#8230; S\u00e3o muito diferentes &#8211; impressionou-se Mariana.<br \/>\n&#8211; Sim, minha querida. A Espanha \u00e9 um dos pa\u00edses com maior n\u00famero de imigrantes, todos entusiasmados com o crescimento econ\u00f4mico, e a Catalunha \u00e9 o destino preferido deles. S\u00f3 aqui, dez por cento dos habitantes vieram de outros pa\u00edses &#8211; respondeu o tamb\u00e9m imigrante Camacho.<br \/>\n&#8211; Dez por cento? Mas \u00e9 muita gente! &#8211; surpreendeu-se Daniel.<br \/>\n&#8211; Sim, e existem regi\u00f5es onde o n\u00famero \u00e9 ainda maior. Temos um bairro chamado Raval, aqui perto do velho porto, onde praticamente a metade dos moradores vieram de fora. Especialmente marroquinos, argelinos, paquistaneses&#8230;<\/p>\n<p>J\u00e1 na plaza Catalunya, Mariana parou subitamente e viu, ao longe, um sujeito alto e bonito. Todo vestido de preto, \u00f3culos escuros e um penteado ondulado que lembrava as curvas de Gaudi. O rapaz tamb\u00e9m parou de caminhar ao notar Mariana. Tirou os \u00f3culos lentamente e sorriu. Mariana desconsiderou o vai-e-vem de pessoas e, diante daquele estranho homem de preto, o rel\u00f3gio dela parou como h\u00e1 muito n\u00e3o acontecia.<\/p>\n<p>&#8211; Acorda, M\u00e1. Vamos comer. T\u00e1 tudo bem com voc\u00ea? &#8211; cutucou Daniel.<br \/>\n&#8211; H\u00e3? Ah, sim. Desculpa, querido, ainda estou encantada com tudo&#8230;<\/p>\n<p>Sentaram perto dali, numa mesinha do Caf\u00e9 Zurich. Daniel e Camacho colocavam as fofocas em dia, enquanto Mariana continuava dispersa. Pediu licen\u00e7a para ir ao banheiro. Mal levantou e foi abordada por um gar\u00e7om, que lhe entregou um bilhete.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje, dez da noite, no porto. N\u00e3o falte&#8221; era a mensagem.<\/p>\n<p>Mariana ficou o resto da tarde sem conseguir disfar\u00e7ar a ansiedade. Sequer prestou aten\u00e7\u00e3o na caminhada pelas ruas largas do Eixample: ficou maquinando uma desculpa para deixar o noivo e seu amigo naquela noite e matar sua curiosidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi dif\u00edcil. Ali\u00e1s, foi mais f\u00e1cil do que imaginava. Daniel e Camacho tinham muito assunto para conversar, e foi o que fizeram antes, durante e depois do jantar, no apartamento.<\/p>\n<p>&#8211; Dani, querido, acho que vou tomar um ar. Minha cabe\u00e7a est\u00e1 girando&#8230;<br \/>\n&#8211; M\u00e1, o que voc\u00ea tem? Voc\u00ea passou o tempo todo longe, parece que n\u00e3o est\u00e1 gostando&#8230;<br \/>\n&#8211; Ai, deixe de bobagens, Dani. \u00c9 a viagem da minha vida. Eu s\u00f3 quero espairecer um pouquinho&#8230;<br \/>\n&#8211; N\u00e3o acha melhor se deitar? Tivemos um dia cheio, nem descansamos direito<br \/>\n&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o. Uma caminhada vai me fazer bem. Eu n\u00e3o demoro.<br \/>\n&#8211; Fique tranquilo, Daniel. \u00c9 seguro caminhar por aqui &#8211; interrompeu Camacho. &#8211; Tome, Mariana, leve uma c\u00f3pia da chave.<\/p>\n<p>Ela agradeceu e deixou o pequeno pr\u00e9dio da Calle Boqueria. Usava um discreto vestidinho vermelho. Pouca maquiagem, para n\u00e3o despertar qualquer suspeita. Caminhou depressa, com passadas firmes. Em pouco mais de dez minutos, j\u00e1 estava no porto de Barcelona.<\/p>\n<p>Ficou maravilhada com a vis\u00e3o do mar Mediterr\u00e2neo. Continuou sentindo a leve brisa da noite, caminhando pelo largo deck de madeira, esp\u00e9cie de ponte que avan\u00e7a mar adentro decorada com esculturas onduladas de metal. E l\u00e1 estava ele, sentado em um dos bancos do deck. Tamb\u00e9m usava vermelho.<\/p>\n<p>Mari respirou fundo, ignorou a pulsa\u00e7\u00e3o acelerada e se aproximou lentamente. O homem levantou-se, sorriu e, sem dizer uma \u00fanica palavra, tomou Mari em seus bra\u00e7os, abra\u00e7ou com for\u00e7a e lhe beijou. Mari tremia e transpirava, mas n\u00e3o oferecia nenhuma resist\u00eancia. Ele beijava seu pesco\u00e7o, acariciava sua nuca. Mari tamb\u00e9m o beijava cada vez mais, enquanto ele a segurava pelos quadris. Ela desabotoava a camisa vermelha, tocava seus l\u00e1bios em seu peito, arranhava suas costas&#8230;<\/p>\n<p>Foram longos e ardentes minutos at\u00e9 que, saciados, finalmente se apresentaram.<\/p>\n<p>&#8211; Oi, muito prazer, Mariana Ambrosio &#8211; disse, depois de um longo suspiro, ainda sentada no colo do cidad\u00e3o.<br \/>\n&#8211; O prazer \u00e9 todo meu. Pode me chamar apenas de Roberto.<\/p>\n<p>Mariana n\u00e3o o chamou de Roberto. N\u00e3o naquele momento. Preferiu agarr\u00e1-lo e beij\u00e1-lo de novo antes de deix\u00e1-lo ali. N\u00e3o sabia exatamente se aquilo era uma simples curti\u00e7\u00e3o noturna ou o in\u00edcio de uma longa paix\u00e3o. Na verdade, nem sabia mais se gostaria de ser a mesma Mariana de sempre. Decidiu n\u00e3o pensar no assunto e voltar para o apartamento. Roberto o tranquilizou:<\/p>\n<p>&#8211; Mariana, acredite: com certeza vamos nos ver de novo.<\/p>\n<p>Camacho e Daniel passaram praticamente a noite inteira lembrando hist\u00f3rias passadas. Nem se deram conta do adiantado da hora quando Mariana chegou.<\/p>\n<p>&#8211; E o Julh\u00e3o, Dani? Ainda metido em jogatina, aqueles esquemas todos?<br \/>\n&#8211; Nossa, cada vez mais, Camacho. Cada vez mais&#8230; Mas \u00e9 a vida dele, n\u00e3o tenho direito de me meter.<br \/>\n&#8211; Ah, Dani&#8230; Depois que meu pai morreu por um motivo t\u00e3o besta, t\u00e3o&#8230;<br \/>\n&#8211; Verdade, eu estava na oitava s\u00e9rie, mas lembro da hist\u00f3ria.<br \/>\n&#8211; Ent\u00e3o. Decidi que aquilo n\u00e3o era para mim. E agora estou aqui!<br \/>\n&#8211; Fez bem voc\u00ea. Pena que ainda n\u00e3o tenho como largar meu pai. Ainda mais agora, estamos pensando seriamente em casar, morar juntos, construir nossa casa&#8230; Eu tento juntar uma grana, mas&#8230;<br \/>\n&#8211; Falando em casamento, ou\u00e7a: ela chegou.<br \/>\n&#8211; M\u00e1! Tudo bem? Nossa, como voc\u00ea demorou!!!<br \/>\n&#8211; Oi meu amor&#8230; Oi, Camacho&#8230; Voc\u00ea tinha raz\u00e3o, devia ir para a cama. Essa cidade mexeu demais com os meus sentidos.<\/p>\n<p>A semana de Mariana passou como um raio. Passearam pelos arredores da Sagrada Fam\u00edlia, visitaram o bairro de Montjuic a partir da Plaza de Espa\u00f1a e as instala\u00e7\u00f5es dos Jogos Ol\u00edmpicos de 1992, caminharam pela nov\u00edssima Barceloneta, entraram no m\u00edtico est\u00e1dio Camp Nou&#8230;<\/p>\n<p>Mariana esbo\u00e7ava sorrisos, fazia algumas perguntas, abra\u00e7ava Daniel&#8230; Mas no fundo estava perturbada. N\u00e3o deixava de pensar em Roberto. Seguiu a mesma rotina do primeiro dia: sa\u00eda para dar uma volta \u00e0 noite, sempre em dire\u00e7\u00e3o ao porto. Passava longos minutos caminhando. Sentava e observava o movimento, sempre sozinha. Ne ela mesmo sabia o que estava fazendo ali, ou o que passava exatamente por sua cabe\u00e7a. Foi assim at\u00e9 a pen\u00faltima noite na cidade, e a promessa feita por Roberto na primeira noite estava prestes a ruir.<\/p>\n<p>O \u00faltimo passeio proposto por Camacho foi o Parc Guell. Parecia ter sido de prop\u00f3sito: foi o dia mais ensolarado e agrad\u00e1vel. Eram muitos os visitantes contemplando jardins, esculturas, mosaicos e a vis\u00e3o privilegiada de todos os pontos de Barcelona.<\/p>\n<p>L\u00e1 do alto, Mariana reconheceu algu\u00e9m parecido com a raz\u00e3o do seu desespero. Olhou de novo: era Roberto mesmo. Tinha entrado na lojinha de souvenirs, perto da entrada. Ela pediu licen\u00e7a a Daniel e Camacho: usou novamente a desculpa do banheiro. Desceu as escadarias do parque com muita pressa e, longe do campo de vis\u00e3o dos dois, entrou na lojinha.<\/p>\n<p>&#8211; Dani, n\u00e3o quero me meter na sua vida, mas acho sua noiva um pouco&#8230; Esquisita. Ela n\u00e3o olha nos nossos olhos quando conversa, e isso n\u00e3o \u00e9 bom. Tem certeza que vai se casar com ela?<br \/>\n&#8211; Tenho sim, Camacho. \u00c9 a mulher da minha vida. Ela est\u00e1 mesmo um pouco diferente aqui, mas \u00e9 a primeira vez que viajamos assim, acho que isso tudo foi demais para ela. Com o tempo, tudo vai ficar bem.<\/p>\n<p>Perto dali, Mariana e Roberto se abra\u00e7aram e beijaram apaixonadamente. Mas ela n\u00e3o demorou a interromper e cobrar a promessa.<\/p>\n<p>&#8211; Seu, seu&#8230; Seu louco! Voc\u00ea n\u00e3o disse que a gente ia se ver? Como voc\u00ea acha que eu fiquei aqui aqui, esperando not\u00edcias suas?<br \/>\n&#8211; Mariana, escuta, tive uma semana um pouco cheia. N\u00e3o posso falar disso com voc\u00ea.<br \/>\n&#8211; Como n\u00e3o pode? O que voc\u00ea quer me esconder?<br \/>\n&#8211; Bom, voc\u00ea viu o notici\u00e1rio?<br \/>\n&#8211; Notici\u00e1rio? Voc\u00ea acha que eu tenho tempo pra essas coisas? Passei a semana toda pensando em voc\u00ea, naquela noite no porto&#8230; Tudo isso na frente do meu noivo!!!<br \/>\n&#8211; Tudo bem, tudo bem, me escuta. N\u00e3o posso falar sobre essa semana. Tudo que eu posso dizer \u00e9 que n\u00e3o posso mais ficar aqui.<br \/>\n&#8211; Aqui, no parque?<br \/>\n&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o. Na cidade. Vou ter que sair daqui.<br \/>\n&#8211; Ent\u00e3o voc\u00ea vai&#8230; Para o Brasil?<br \/>\n&#8211; N\u00e3o, n\u00e3o. Pro Brasil eu tamb\u00e9m n\u00e3o posso ir. Tenho amigos em Montreal, no Canad\u00e1. Provavelmente eu me encontre com eles e, quem sabe&#8230;<br \/>\n&#8211; Isso! Isso, Roberto! Eu&#8230; Eu&#8230; Eu posso dizer pro meu pai que conhe\u00e7o voc\u00ea, seus amigos&#8230; Digo pra eles que vou fazer um interc\u00e2mbio, que eu preciso aprender ingl\u00eas&#8230; Como \u00e9 o nome dos seus amigos?<br \/>\n&#8211; Bom, tem a Maira, o Zeca&#8230; Mas espera, voc\u00ea tem certeza que quer mesmo fazer isso?<br \/>\n&#8211; Escute aqui, Roberto, aquela noite no porto foi a coisa mais especial que j\u00e1 me aconteceu na vida. E n\u00f3s dois est\u00e1vamos de vermelho! N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Eu preciso saber o que o destino reservou pra gente. Me espere, Roberto, eu vou te procurar em Montreal.<\/p>\n<p>Mais um beijo antes de finalmente se despedirem, sem imaginar quando seria o pr\u00f3ximo encontro.<\/p>\n<p>Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, <a href=\"http:\/\/www.lukor.com\/not-esp\/terrorismo\/0504\/12194141.htm\" target=\"_blank\"><b>naquela mesma semana<\/b><\/a>, a pol\u00edcia de Barcelona terminou a pris\u00e3o de onze paquistaneses, que planejavam a destrui\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios hist\u00f3ricos na cidade. Todos pertenciam a uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista, e segundo ind\u00edcios preliminares, dois deles tinham contato direto com a Al Qaeda: Mohammad Afzaal e Shahzad Ali Gujar &#8211; esse \u00faltimo condenado por envio ilegal de dinheiro ao Paquist\u00e3o, quantia que superariam os 800 mil euros.<\/p>\n<p>Roberto continuava dirigindo, sonolento. Os primeiros sinais do amanhecer fizeram com que Mariana finalmente se manifestasse.<\/p>\n<p>&#8211; Roberto, voc\u00ea nunca me contou por que voc\u00ea teve que fugir de Barcelona&#8230;<br \/>\n&#8211; Ah, Mari, vai te catar. Isso n\u00e3o faz a menor diferen\u00e7a. Temos outras coisas pra pensar agora.<br \/>\n&#8211; \u00c9, voc\u00ea tem raz\u00e3o. Nem sei porque diabos lembrei disso. Continue dirigindo, vai. &#8211; murmurou, antes de tirar um cigarro da bolsa.<\/p>\n<p><i><b>Porto do Desespero<\/b> \u00e9 uma id\u00e9ia muito bacana da <a href=\"http:\/\/ananima.blogspot.com\"><b>Ana Lucia<\/b><\/a>: um romance policial coletivo que, como diria Dona Mil\u00fa, \u00e9 um grande mist\u00e9\u00e9\u00e9\u00e9rio. Teria, em princ\u00edpio, 20 cap\u00edtulos, mas ao contr\u00e1rio de Bang Bang, <b>Porto do Desespero<\/b> est\u00e1 virando cult, e dificilmente a brincadeira vai acabar t\u00e3o cedo.<\/p>\n<p>Em pouco mais de uma semana, a hist\u00f3ria prosseguiu gra\u00e7as a Leila, Serbon, Vanessa, Alex Castro, Biajoni, N\u00e9lson Moraes, Marcos VP, Olivia&#8230; At\u00e9 esbarrar em mim. E agora? Que emo\u00e7\u00f5es reservam os pr\u00f3ximos cap\u00edtulos?<\/i><\/p>\n<blockquote><p><tt>- Marmota, vou ser franco. Esse cap\u00edtulo ficou uma bosta. Voc\u00ea fica enrolando, falando da cidade, dos caras que era amigos... Mas eu quero saber da Mariana!!! Era pra ser simples, mas misterioso. Ficou simpl\u00f3rio e confuso.<br \/>- Bom, eu tamb\u00e9m n\u00e3o gostei. Mas n\u00e3o tinha como melhorar muito. Al\u00e9m de ter ficado no plant\u00e3o durante o feriado e cultivar um mau humor inc\u00f4modo, n\u00e3o tenho a menor no\u00e7\u00e3o de como deve funcionar um roteiro, o que s\u00e3o turning points, entre outros conceitos fundamentais que ajudam a estruturar qualquer hist\u00f3ria...<br \/>- E outra: a tal da Mariana \u00e9 que comanda o batatal... E vem agora voc\u00ea dizer que ela era boazinha? Voc\u00ea a enfraqueceu completamente com essa porra de flashback! Ah, francamente!!! Fa\u00e7a-me o favor!!!<br \/>- Ei, seu mala, pense comigo: o que ser\u00e1 que motivou Mariana a se transformar no que ela \u00e9 hoje? Foi s\u00f3 amor pelo Roberto? Esse \u00e9 um mist\u00e9rio t\u00e3o interessante quanto o seu prov\u00e1vel envolvimento na morte do tal ministro. Tudo que eu queria \u00e9 deixar claro que nem sempre ela foi assim.<br \/>- Bah. Ainda bem que tem gente demais pensando nesse \"port du desespoir\". Da pr\u00f3xima vez, tente ser mais atraente.<br \/>- Vou tentar, prometo. Mas enfim, agora quem tem que se virar \u00e9 a <a href=\"http:\/\/www.almaempunho.com\/blog\" target=\"_blank\"><b>Roberta<\/b><\/a>!<\/tt><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Nos epis\u00f3dios anteriores, Roberto e Zeca acertam um novo servi\u00e7o enquanto Mariana queima carne podre em uma casa velha. Seu ex-noivo Daniel recebe um inesperado telefonema, e antes de embarcar para o Canad\u00e1, \u00e9 obrigado a executar um servi\u00e7o para seu pai. Mas ao chegar, tem uma surpresa infeliz. 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