{"id":1198,"date":"2006-03-30T23:16:24","date_gmt":"2006-03-31T02:16:24","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/o-fenomeno-jk"},"modified":"2006-03-30T23:16:24","modified_gmt":"2006-03-31T02:16:24","slug":"o-fenomeno-jk","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/o-fenomeno-jk\/","title":{"rendered":"O fen\u00f4meno JK"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-brasilia.gif\" align=\"right\">O ano de 2006 traz duas efem\u00e9rides redondas relacionadas a Juscelino Kubitschek de Oliveira. Em 31 de janeiro de 1956, exatos 50 anos, o ex-prefeito de BH e ex-governador de MG assumiu a  Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. E em 22 de agosto de 1976, exatos trinta anos, morreu em um acidente na Via Dutra, pr\u00f3ximo a  Resende, em um epis\u00f3dio que at\u00e9 hoje rende discuss\u00f5es conspirat\u00f3rias sobre possibilidades de um assassinato premeditado.<\/p>\n<p>Mas enfim. S\u00f3 isso n\u00e3o explica essa nova onda, que resgatou a imagem de um dos nomes mais prestigiados e idolatrados da  hist\u00f3ria do Brasil &#8211; isso se n\u00e3o for o maior. Movimento que, evidentemente, come\u00e7a pela miniss\u00e9rie da TV Globo, exibida at\u00e9  semana passada.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, uma pergunta que os mesmos conspiradores do acidente poderia fazer: ser\u00e1 que a rede que sempre viu JK com maus olhos aceitou contar sua trajet\u00f3ria como um pedido de desculpas? Como sou um cidad\u00e3o ing\u00eanuo, prefiro acreditar que foi uma sugest\u00e3o da autora, Maria Adelaide Amaral, que \u00e9 uma apaixonada por hist\u00f3ria e, nas \u00faltimas vezes que a trouxe para a telinha, fez sucesso: Um S\u00f3 Cora\u00e7\u00e3o, A Casa das Sete Mulheres e A Muralha.<\/p>\n<p>Aqui, um adendo: voc\u00ea sabia que a Maria Adelaide Amaral fez jornalismo na C\u00e1sper nos anos 50?<\/p>\n<p>Mas enfim. Nosso personagem central \u00e9 lembrado pelo salto de desenvolvimento da na\u00e7\u00e3o em seus anos dourados &#8211; resumidos em 30 metas, estradas novas, ind\u00fastrias novas, usinas novas&#8230; E, sem querer, com sele\u00e7\u00e3o campe\u00e3, televis\u00e3o crescendo, Maria Esther Bueno, bossa nova, cinema novo, Marta Rocha&#8230; Era o gigante adormecido crescendo 50 anos em cinco. Isso traz putra raz\u00e3o que indiretamente (???) revitalizou a imagem de Juscelino Kubitschek: as elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Afinal de contas, todo candidato quer ser JK. Ou ao menos fazer o povo se sentir euf\u00f3rico.<\/p>\n<p>Ok, sejamos mais espec\u00edficos: Juscelino remete primordialmente \u00e0 transfer\u00eancia da capital federal para o Planalto Central. Id\u00e9ia que saiu de um com\u00edcio em Jata\u00ed, interior de Goi\u00e1s, e come\u00e7ou a se transformar em 1956, quando reuniu o arquiteto Oscar Niemeyer, o urbanista L\u00facio Costa, o &#8220;prefeito&#8221; Israel Pinheiro e um bocado de candangos. Do meio do nada, surgia o Plano Piloto e obras monumentais, al\u00e9m de ruas casas, estradas, viadutos&#8230; Processo irrevers\u00edvel, gra\u00e7as \u00e0 obstina\u00e7\u00e3o do presidente em entregar a faixa ao seu sucessor j\u00e1 instalado naquele fim de mundo. Ou melhor, em Bras\u00edlia, uma cidade de verdade.<\/p>\n<p>Como tudo no pa\u00eds s\u00f3 funciona se for feito na \u00faltima hora, JK foi esperto e marcou a data de inaugura\u00e7\u00e3o: 21 de abril de 1960. As obras duraram tr\u00eas anos e seis meses, mas evidentemente tudo foi acelerado nos minutos finais. O milagre deu certo: a cidade cresceu e virou patrim\u00f4nio cultural da humanidade. Tudo bem, n\u00e3o tem ind\u00fastria nem agricultura. As favelas, que n\u00e3o estavam no projeto, cresceram nas cidades-sat\u00e9lite. Mas o que importa \u00e9 que n\u00e3o adiantaram as press\u00f5es da \u00e9poca, nem mesmo a torcida para que aquilo fosse o cemit\u00e9rio da biografia de JK: a Capital da Esperan\u00e7a vingou.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/jk2903.jpg\"><\/div>\n<p>Seu carisma, sua grandiosidade, sua habilidade pol\u00edtica e seu legado est\u00e3o representados na cidade n\u00e3o apenas em seu Memorial, erguido no in\u00edcio dos anos 80 pela esposa Sarah (e jamais t\u00e3o visitado quanto nos meses de exibi\u00e7\u00e3o da miniss\u00e9rie), mas por todo canto onde tem um edif\u00edcio JK, uma ponte JK, um aeroporto JK&#8230; N\u00e3o fossem as W3, L2, eixos, quadras e superquadras, ter\u00edamos, como em qualquer cidade brasileira, uma avenida JK.<\/p>\n<p>Claro que ainda se discute suas a\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas: investiu horrores no transporte rodovi\u00e1rio, deixando o pa\u00eds morrendo de inveja da malha ferrovi\u00e1ria de qualquer outra grande por\u00e7\u00e3o de terra do planeta, sem falar na emiss\u00e3o de mais papel-moeda para endividar o Brasil e pagar as obras superfaturadas da nova capital, que j\u00e1 nasceu sabendo o que \u00e9 corrup\u00e7\u00e3o. Nem isso, no entanto, o tira o t\u00edtulo de presidente mais idolatrado de todos os tempos. Ou voc\u00ea ainda acha que, daqui a algumas dezenas de anos, vai existir alguma miniss\u00e9rie &#8220;Lula&#8221;?<\/p>\n<p><b>\u00daltimos cap\u00edtulos<\/b> &#8211; Quando cheguei \u00e0 cidade para meu passeio r\u00e1pido, em 12 de mar\u00e7o, a cidade convivia com a equipe da Globo, que preparava a grava\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos epis\u00f3dios. Ali\u00e1s, a tarde daquele domingo movimentou a Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes: um cord\u00e3o de isolamento cercado por seguran\u00e7as interditava a \u00e1rea que ia do Espa\u00e7o L\u00facio Costa at\u00e9 o Pal\u00e1cio do Planalto. A \u00e1rea pr\u00f3xima ao Pante\u00e3o da Liberdade virou camarim de figurantes. Bem perto dali, carros antigos estavam preparados para a grava\u00e7\u00e3o, marcada para o fim da tarde.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/jkserie2903.jpg\"><\/div>\n<p>Diferente de todos os transeuntes, n\u00e3o fiquei para ver o &#8220;felomenal&#8221; Jos\u00e9 Wilker: decidi ignorar aquilo e seguir minha caminhada pela Esplanada dos Minist\u00e9rios.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/manchete2903.jpg\" align=\"right\"><b>Aconteceu, virou Manchete<\/b> &#8211; Entre tantos livros e publica\u00e7\u00f5es que pegaram carona no fen\u00f4meno JK, destaque para a edi\u00e7\u00e3o especial da Revista Manchete, que traz uma s\u00e9rie de textos e fotos imperd\u00edveis sobre a vida do ex-presidente. Ali\u00e1s, a revista de Adolpho Bloch, criada em 1952, foi aos poucos tomando o lugar de O Cruzeiro como a mais lida revista semanal baseada em fotojornalismo. Mais do que isso: Manchete e Bras\u00edlia cresceram juntas &#8211; n\u00e3o \u00e0 toa, Adolpho Bloch era personagem representativo na miniss\u00e9rie.<\/p>\n<p>Foram muitas edi\u00e7\u00f5es dedicadas \u00e0 JK e a cidade &#8211; a edi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de 21 de abril de 1960 teve tiragem de 760 mil exemplares, se esgotou em dois dias e hoje \u00e9 um objeto dos mais procurados. O tempo passou, Adolpho morreu em 1995, a sua festejada emissora de TV virou RedeTV em 1999 e a editora Block faliu em 2000. Em 2002, o ga\u00facho Marcos Dvoskin arrematou os t\u00edtulos da editora &#8211; Manchete, Manchete Rural, Pais e Filhos, Ele &amp; Ela, Desfile, Fatos e Fotos, Amiga e Geogr\u00e1fica Universal.<\/p>\n<p>Alguns destes nomes j\u00e1 est\u00e3o de volta ao mercado. Outros, como \u00e9 o caso da Manchete, ainda est\u00e3o sustentados no Carnaval (ao lado da boa e velha Fatos e Fotos) e em seu rico material de arquivo, que j\u00e1 rendeu edi\u00e7\u00f5es especiais como Ayrton Senna em 2004 e JK agora. Um trabalho muito bacana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2006 traz duas efem\u00e9rides redondas relacionadas a Juscelino Kubitschek de Oliveira. Em 31 de janeiro de 1956, exatos 50 anos, o ex-prefeito de BH e ex-governador de MG assumiu a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. 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