{"id":1193,"date":"2006-03-14T23:58:50","date_gmt":"2006-03-15T02:58:50","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/vai-ser-o-japa-ou-ainda-consideracoes-sobre-tv-digital"},"modified":"2006-03-14T23:58:50","modified_gmt":"2006-03-15T02:58:50","slug":"vai-ser-o-japa-ou-ainda-consideracoes-sobre-tv-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/vai-ser-o-japa-ou-ainda-consideracoes-sobre-tv-digital\/","title":{"rendered":"Vai ser o japa! (Ou ainda: considera\u00e7\u00f5es sobre TV digital)"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/fiquepordentro.gif\" align=\"right\"><b>Bras\u00edlia (DF)<\/b> &#8211; Esque\u00e7am o debate promovido por acad\u00eamicos. Ignorem os R$ 50 milh\u00f5es investidos em universidades que buscavam um padr\u00e3o de TV digital h\u00edbrido, totalmente nacional. Apesar das <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/dinheiro\/ult91u105941.shtml\" target=\"_blank\"><b>press\u00f5es<\/b><\/a>, o Brasil provavelmente deve adotar o ISDB, desenvolvido no Jap\u00e3o. Vai levar com isso cerca de R$ 100 bilh\u00f5es para disseminar a brincadeira no pais. Uma decis\u00e3o que deve mexer com a sua tev\u00ea (ou n\u00e3o) nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Mas voc\u00ea sabe mesmo <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/especial\/2006\/tvdigital\"><b>do que diabos estamos falando<\/b><\/a>?<\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/dinheiro\/ult91u105799.shtml\" target=\"_blank\"><b>transmiss\u00e3o aberta de canais de TV digital<\/b><\/a> foi um dos assuntos tratados no semin\u00e1rio de jornalismo multim\u00eddia aqui em Bras\u00edlia. Para explicar e comentar o que acontece, a organiza\u00e7\u00e3o do evento convidou o jornalista Ethevaldo Siqueira, do jornal <i>O Estado de S. Paulo<\/i>. Que fez quest\u00e3o de salientar: toda a discuss\u00e3o limita-se ao sinal emitido pela torre at\u00e9 chegar aos telespectadores.  At\u00e9 porque, lembra ele, todo o processo anterior j\u00e1 est\u00e1 digitalizado faz tempo.<\/p>\n<p>O ato irrevers\u00edvel de transformarmos sinais anal\u00f3gicos em zeros e uns para o \u201cbroadcast terrestre\u201d deve trazer novas oportunidades de neg\u00f3cio para as emissoras, a partir da intera\u00e7\u00e3o com os usu\u00e1rios \u2013 o que pode levar a intensas a\u00e7\u00f5es de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico. Independente do padr\u00e3o escolhido, essa e outras caracter\u00edsticas s\u00e3o poss\u00edveis: a transmiss\u00e3o pode ocorrer em alta defini\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m em dois formatos intermedi\u00e1rios \u2013 o enhanced, semelhante ao DVD, e o standard \u2013 al\u00e9m da baixa defini\u00e7\u00e3o, ideal para equipamentos m\u00f3veis \u2013 celulares, palms, laptops&#8230;<\/p>\n<p>Outra grande vantagem \u00e9 o melhor aproveitamento do espectro de freq\u00fc\u00eancia. As emissoras de TV transmitem sua programa\u00e7\u00e3o em VHF, usando uma faixa de 6MHz para enviar sinais de \u00e1udio e v\u00eddeo. Essa mesma faixa de freq\u00fc\u00eancia pode ser usada para transmitir pelo menos quatro canais simultaneamente.  \u201cO espectro de freq\u00fc\u00eancia \u00e9 um patrim\u00f4nio da sociedade\u201d, lembrou Siqueira, salientando a import\u00e2ncia dessa faixa de freq\u00fc\u00eancia \u2013 cujo uso, como sabem, s\u00f3 \u00e9 permitido por concess\u00e3o federal. \u201cNossa legisla\u00e7\u00e3o referente a r\u00e1dio e televis\u00e3o \u00e9 velha, obsoleta, e tecnologia nenhuma resolve isso\u201d.<\/p>\n<p>Mas voltando aos padr\u00f5es. <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/dinheiro\/ult91u105809.shtml\" target=\"_blank\"><b>Tr\u00eas eram as possibilidades<\/b><\/a>. O ATSC, padr\u00e3o americano, \u00e9 o mais antigo. Preocupa-se primordialmente com a defini\u00e7\u00e3o da imagem, mas foi pensado para um mercado de espectadores bem espec\u00edfico: 92% dos norte-americanos possuem TV \u00e0 cabo, ou seja, n\u00e3o privilegia a mobilidade. Pelo contr\u00e1rio, o padr\u00e3o DVB, europeu, foi concebido para atender a maioria das necessidades dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia. Aqui, o maior problema \u00e9 a despreocupa\u00e7\u00e3o com a defini\u00e7\u00e3o da imagem.<\/p>\n<p>\u201cO japon\u00eas tem tudo. Defini\u00e7\u00e3o m\u00e1xima, interatividade m\u00e1xima&#8230;  \u00c9 o mais moderno, mais ambicioso, e tamb\u00e9m o mais caro\u201d, resumiu Siqueira. O pre\u00e7o final ao consumidor \u00e9 a maior desvantagem do formato, fato que poderia ser a maior preocupa\u00e7\u00e3o para a sua escolha. Mas n\u00e3o foi o que pareceu. A escolha tem um beneficiado direto: as emissoras de TV. Especialmente a Globo, que em sociedade com a NEC, j\u00e1 vinha testando o padr\u00e3o japon\u00eas. \u201c\u00c9 uma decis\u00e3o que afeta a sociedade inteira, n\u00e3o apenas a Globo\u201d.<\/p>\n<p>E foi mais longe: \u201cesse \u00e9 o \u00fanico formato onde as emissoras de TV poderiam transmitir direto para os celulares, sem pedir permiss\u00e3o para as <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/dinheiro\/ult91u105864.shtml\" target=\"_blank\"><b>empresas de telefonia<\/b><\/a>. Al\u00e9m disso, algum governo iria contrariar as tev\u00eas num ano de elei\u00e7\u00f5es? Nossos pol\u00edticos n\u00e3o tem vis\u00e3o estadista, a longo prazo. E o nosso ministro perde transpar\u00eancia, tornando-se um lobista. E fingem que est\u00e3o negociando com os europeus\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>As criticas n\u00e3o se limitaram na classe pol\u00edtica. \u201cN\u00e3o havia um canal poss\u00edvel de participa\u00e7\u00e3o popular. S\u00e3o 25 milh\u00f5es de brasileiros na internet, um f\u00f3rum s\u00f3 seria poss\u00edvel com um n\u00famero maior. Existe um obst\u00e1culo econ\u00f4mico diante da nossa sociedade, que n\u00e3o est\u00e1 preparada para discutir esse tema\u201d. Lembrou que somos uma na\u00e7\u00e3o pouco politizada e que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o est\u00e1 preparada pra nada.<\/p>\n<p>Enfim, Ethevaldo Siqueira especulou sobre o futuro da TV digital. Existe uma chance de todo esse investimento ser derrubado por um fen\u00f4meno semelhante ao que a telefonia e as gravadoras viram, respectivamente, com o Voip e as redes P2P. N\u00e3o, n\u00e3o estamos falando de videocast ou de sites como o You Tube. A revolu\u00e7\u00e3o atender\u00e1 pelo  nome de IPTV, com sinais de v\u00eddeo transmitidos atrav\u00e9s de redes sem fio de alt\u00edssima velocidade. A rede pode perfeitamente atropelar todos os projetos da TV digital. \u201cMas \u00e9 preciso entender o potencial diante da tecnologia e trata-la com equil\u00edbrio. Nem deslumbrado, nem apavorado\u201d, adverte.<\/p>\n<p>Mesmo porque, ainda que a gente procure, talvez jamais a gente tenha nas m\u00e3os todas as respostas que desejamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bras\u00edlia (DF) &#8211; Esque\u00e7am o debate promovido por acad\u00eamicos. Ignorem os R$ 50 milh\u00f5es investidos em universidades que buscavam um padr\u00e3o de TV digital h\u00edbrido, totalmente nacional. Apesar das press\u00f5es, o Brasil provavelmente deve adotar o ISDB, desenvolvido no Jap\u00e3o. Vai levar com isso cerca de R$ 100 bilh\u00f5es para disseminar a brincadeira no pais. 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