{"id":1190,"date":"2006-03-09T19:23:22","date_gmt":"2006-03-09T22:23:22","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/entendendo-o-principio-dilbert"},"modified":"2006-03-09T19:23:22","modified_gmt":"2006-03-09T22:23:22","slug":"entendendo-o-principio-dilbert","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/entendendo-o-principio-dilbert\/","title":{"rendered":"Entendendo o Princ\u00edpio Dilbert"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/fiquepordentro.gif\" align=\"right\">O norte-americano Scott Adams passou 16 anos de sua vida trabalhando em duas grandes corpora\u00e7\u00f5es, o Crocker National Bank e a Pacific Bell. Passou todo esse tempo acumulando hist\u00f3rias absurdas, relacionadas ao eterno duelo entre funcion\u00e1rios capacitados e explorados de um lado e decis\u00f5es gerenciais invariavelmente discut\u00edveis de outro.<\/p>\n<p>Em 1988, transformou essa abundante mat\u00e9ria-prima em quadrinhos e come\u00e7ou a ganhar dinheiro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/dilberta0903.jpg\" align=\"right\">Nascia um dos meus personagens preferidos: <a href=\"http:\/\/www.dilbert.com\" target=\"_blank\"><b>Dilbert, o anti-her\u00f3i da reparti\u00e7\u00e3o<\/b><\/a>. O personagem sem boca &#8211; o que n\u00e3o quer dizer &#8220;sem indigna\u00e7\u00e3o&#8221; &#8211; contracena em seu dia-a-dia com situa\u00e7\u00f5es absurdas e seres bizarros como um cachorro genial, monstros, duendes, pessoas ac\u00e9falas, entre outros personagens presos em cub\u00edculos que, curiosamente, s\u00e3o encontrados aos montes em grandes corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi dif\u00edcil para o personagem emplacar: todos os funcion\u00e1rios se identificaram prontamente com as situa\u00e7\u00f5es inusitadas das tirinhas!<\/p>\n<p>Seu crescimento, evidentemente, trouxe um questionamento: qual o papel de Dilbert no debate sobre a rela\u00e7\u00e3o patr\u00e3o-empregado? Seria o personagem uma forma interessante de conscientizar motivar pessoas em busca de novas formas de trabalho ou uma simples divers\u00e3o? Quem \u00e9 mais demente, os loucos que criam as situa\u00e7\u00f5es todas ou o pobre Dilbert, que continua trabalhando com todos eles e repleto de expectativas?<\/p>\n<p>Alheio \u00e0 discuss\u00e3o, Scott Adams prefere capitalizar o sucesso e ganhar dinheiro. Objetivo que fica claro logo nas primeiras p\u00e1ginas de seu livro mais conhecido, O Princ\u00edpio Dilbert, lan\u00e7ado em 1996.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/dilbertb0903.jpg\" align=\"right\">Logo nos primeiros par\u00e1grafos, o aviso: Adams esperava aproveitar o boom das publica\u00e7\u00f5es do g\u00eanero e faturar um bom dinheiro com a id\u00e9ia: &#8220;Atualmente qualquer idiota com um laptop \u00e9 capaz de produzir um livro de neg\u00f3cios e ganhar uns trocados. Isso \u00e9 o que eu espero. Vai ser realmente uma decep\u00e7\u00e3o se a tend\u00eancia mudar antes que esta obra-prima seja impressa&#8221;.<\/p>\n<p>O livro esclarece a d\u00favida primordial de todos os seus leitores: afinal de contas, por que nos identificamos tanto com tantas situa\u00e7\u00f5es pat\u00e9ticas e, mesmo assim, n\u00e3o fazemos nada para mudar?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 simples: somos idiotas. Todos n\u00f3s. &#8220;Por mais esperto que voc\u00ea seja, voc\u00ea passa a maior parte do dia agindo feito um idiota&#8221;.<\/p>\n<p>E isso \u00e9 muito natural, a ponto dos funcion\u00e1rios mais ineficazes e pouco criativos serem sistematicamente transferidos para um lugar onde causam menos danos. Ou seja, os cargos de ger\u00eancia.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o princ\u00edpio b\u00e1sico: todas as id\u00e9ias de Scott Adams, al\u00e9m do restante do livro, se baseiam nessa premissa &#8211; que convenhamos, faz muito sentido. Tanto que a id\u00e9ia n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o original assim: trata-se de uma varia\u00e7\u00e3o bem humorada do princ\u00edpio de Peter, segundo o qual todos s\u00e3o promovidos at\u00e9 ao seu limite de sua incompet\u00eancia.<\/p>\n<p>Os outros cap\u00edtulos satirizam todos os tipos de t\u00e9cnicas de gest\u00e3o, desde \u00e0s longas e ineficientes reuni\u00f5es aos improdutivos setores de marketing, passando pelos conceitos de gest\u00e3o como a reengenharia, o downsizing e o empowerment.<\/p>\n<p>Curiosamente, todos os 25 cap\u00edtulos do livro, ricamente ilustrado com tiras geniais, trazem o respaldo de fi\u00e9is leitores e seus e-mails t\u00e3o ou mais pavorosos quanto as situa\u00e7\u00f5es fantasiosas dos quadrinhos.<\/p>\n<p>Porque, no fundo, algumas das tiras do Dilbert conseguem ser quase perfeitas. As outras s\u00e3o.<\/p>\n<div align=\"center\">***<\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/dilbert0903.gif\" align=\"right\">Apesar da publica\u00e7\u00e3o ter seus dez anos de lan\u00e7amento, talvez seja uma boa pedida garimpar uma de suas edi\u00e7\u00f5es em mais uma <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/especial\/2006\/bienaldolivro\" target=\"_blank\"><b>Bienal do Livro<\/b><\/a>, marcada para o Anhembi. Come\u00e7ou hoje, e vai at\u00e9 o dia 19. Eu, que sempre deixo alguns reais na feirinha sistematicamente desde 98, prometo n\u00e3o faltar de novo. E mesmo sem precisar de est\u00edmulos como Bruna Surfistinha dando aut\u00f3grafos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O norte-americano Scott Adams passou 16 anos de sua vida trabalhando em duas grandes corpora\u00e7\u00f5es, o Crocker National Bank e a Pacific Bell. 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