{"id":1141,"date":"2003-04-07T20:04:00","date_gmt":"2003-04-07T23:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/nos-embalos-de-sabado-a-noite"},"modified":"2003-04-07T20:04:00","modified_gmt":"2003-04-07T23:04:00","slug":"nos-embalos-de-sabado-a-noite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/nos-embalos-de-sabado-a-noite\/","title":{"rendered":"Nos embalos de s\u00e1bado \u00e0 noite&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\">Eram quase onze horas da noite. J\u00e1 estava com a minha pantufa p\u00e9s-de-marmota, pronto para curtir altas horas com o travesseiro. Mas eu tinha esquecido o maldito celular ligado, algo que n\u00e3o costumo fazer num final de semana de folga.<\/p>\n<p>&#8211; Como assim voc\u00ea n\u00e3o vai no anivers\u00e1rio? Vai todo mundo, ser\u00e1 um barato! Melhor que a do ano passado! Ah, deixa de ser bobo! Ainda t\u00e1 cedo! E \u00e9 s\u00e1bado \u00e0 noite, todo mundo espera alguma coisa, tudo pode mudar&#8230; &#8211; disse, n\u00e3o necessariamente com essas palavras, o Leandro <b><a href=\"http:\/\/bebediabo.blogspot.com\" target=\"_blank\">Beb\u00ea Diabo<\/a><\/b> Leporello, vulgo Lello.<\/p>\n<p>T\u00e1 bom, t\u00e1 bom. Tirei a pantufa, achei a minha camisa balinesa comprada em Florian\u00f3polis, peguei os documentos e segui de Marmoturbo rumo a Vila Madalena. Foram quarenta minutos para atravessar a cidade e chegar na Cardeal Arcoverde, em Pinheiros. Mais incr\u00edveis quarenta minutos para percorrer menos de um quil\u00f4metro nos abarrotados arredores da Mourato Coelho e Fradique Coutinho.<\/p>\n<p>Primeiro momento de arrependimento &#8211; como se eu n\u00e3o soubesse o que iria encontrar. Muita gente a p\u00e9, muitos caros, \u00f4nibus (sim, ainda tem \u00f4nibus nessa zona toda), estacionamentos a dez reais&#8230; Durante o anda-e-p\u00e1ra, as cenas de sempre &#8211; carros do ano com a molecada saindo pelo ladr\u00e3o &#8211; e outras curiosas, como o sujeito da Cherokee, que lia a Veja da semana enquanto dirigia. Mas nem se eu estivesse em casa!<\/p>\n<p>Parei o carro bem longe da m\u00e1fia de colete laranja, a pelo menos 500m do local da festa. A casa, um galp\u00e3o dan\u00e7ante comandado por alguns DJ&#8217;s em in\u00edcio de carreira, foi fechada para os aniversariantes da noite. Durante boa parte da noite, tive a sensa\u00e7\u00e3o de estar numa Festa Anos 80 Trash, s\u00f3 com m\u00fasicas que voc\u00ea j\u00e1 ouviu um dia, h\u00e1 muito tempo, mas sequer lembrava que existiam. Outro detalhe curioso, que fez toda a diferen\u00e7a: todos os convidados eram jornalistas.<\/p>\n<p>Acabava ali a gra\u00e7a de flertar aquela desconhecida: o neg\u00f3cio era tentar lembrar onde voc\u00ea j\u00e1 viu aquela pessoa antes. &#8220;Todo mundo ali fez C\u00e1sper tamb\u00e9m&#8221;. &#8220;N\u00e3o acredito que voc\u00ea estudou na mesma turma do Fulano&#8221;. &#8220;Acho que aquele gordinho \u00e9 irm\u00e3o do Beltrano&#8221;. &#8220;Aquela menina n\u00e3o namorava outro cara na faculdade?&#8221;. Entre os coment\u00e1rios, n\u00e3o tem como deixar passar o mais maldoso deles, solto no ar entre os conhecidos.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o \u00e9 por nada n\u00e3o, mas a maioria dessas a\u00ed jogam no mesmo time &#8211; disse, enquanto esfregava as m\u00e3os. Essa n\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Mas nem tudo estava perdido. Afinal, l\u00e1 estava ela. Amiga da aniversariante, at\u00e9 ent\u00e3o uma desconhecida para mim. Uma pena, como pude perder tanto tempo&#8230; Informa\u00e7\u00f5es preliminares: ela \u00e9 de C\u00e2ncer! Hmmm, s\u00e3o um pouco rancorosos, n\u00e3o aceitam mancadas. Mas normalmente s\u00e3o pessoas rom\u00e2nticas. E que par de olhos! E aquele sorriso!<\/p>\n<p>Pena que est\u00e1vamos em uma balada essencialmente dan\u00e7ante. O volume alto prejudicou qualquer tentativa de abordagem &#8211; ali\u00e1s, a minha natural falta de habilidade tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda muito. Enfim, passei alguns minutos avaliando a situa\u00e7\u00e3o, em busca do momento certo para tentar, quem sabe, <s>a filosofia Inagaki<\/s> alguma cantada infame: frases de efeito como &#8220;pode ser que voc\u00ea n\u00e3o acredite, mas desde que te vi, j\u00e1 imaginei como seria n\u00f3s dois, juntos&#8221;.<\/p>\n<p>Adivinhem? Claro, pensei demais. Como sempre<\/p>\n<p>&#8211; Gente, preciso ir embora. Foi um prazer conhecer todos voc\u00eas!<\/p>\n<p>Como assim &#8220;j\u00e1 vai&#8221;? Eu acabei de chegar! Mas ser\u00e1 o Benedito!<\/p>\n<p>&#8211; Ah, n\u00e3o fica assim&#8230; Tem ela ali, \u00f3.<\/p>\n<p>A express\u00e3o &#8220;ela ali \u00f3&#8221; substitui uma piada interna, usada para descrever a minha decep\u00e7\u00e3o ao deparar com os convidados da festa do ano passado. Nem preciso dizer que, no instante que ela foi embora, meu n\u00edvel de frustra\u00e7\u00e3o atingiu o \u00e1pice.<\/p>\n<p>Mas tudo bem, ainda restava a pista de dan\u00e7a e a consuma\u00e7\u00e3o m\u00ednima. Somando tudo, o R\/D da festa (rela\u00e7\u00e3o entre renda e despesa) foi positivo, consegui me divertir um bocado ao lado dos amigos. Mas n\u00e3o pude deixar de cantar, ao lado de Pica Pau e Zeca Urubu, enquanto caminhava em dire\u00e7\u00e3o ao carro, pouco antes das quatro horas: <\/p>\n<p>&#8220;Quando voc\u00ea vai embora eu fico, e ch\u00f3\u00f3ro&#8230; E ch\u00f3\u00f3\u00f3ro&#8230; Ch\u00f3\u00f3\u00f3\u00f3\u00f3\u00f3ro&#8230;&#8221;<\/p>\n<p><font size=\"-1\"><b>Obs.:<\/b> Falando em <a href=\"http:\/\/www.woodywoodpecker.com\" target=\"_blank\"><b>Pica Pau<\/b><\/a>, quantos paus pica um <a href=\"http:\/\/www.bcdb.com\/pages\/Universal\/Shorts\/Woody_Woodpecker\/\" target=\"_blank\"><b>pica pau<\/b><\/a> se um <a href=\"http:\/\/picapau.blogspot.com\" target=\"_blank\"><b>pica pau<\/b><\/a> <a href=\"http:\/\/www.inagaki.blogger.com.br\/2003_04_01_archive.html#191208\" target=\"_blank\"><b>pica pau<\/b><\/a>!<\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eram quase onze horas da noite. 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