{"id":1101,"date":"2003-02-15T00:03:00","date_gmt":"2003-02-15T03:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/rei-medas-esteve-conosco"},"modified":"2003-02-15T00:03:00","modified_gmt":"2003-02-15T03:03:00","slug":"rei-medas-esteve-conosco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/rei-medas-esteve-conosco\/","title":{"rendered":"Rei Medas esteve conosco"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-ilha.gif\" align=\"right\">N\u00e3o foi dif\u00edcil aproveitar muito durante sete dias em Florian\u00f3polis: foram incont\u00e1veis gargalhadas e passeios a todo instante. Entre as hist\u00f3rias criadas pelos Est\u00fapidos durante um jantar, merece destaque a lenda do Rei Medas.<\/p>\n<p>N\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o leu errado. \u00c9 Medas mesmo. Ocorre que, segundo a lenda, o Rei Midas &#8211; seu parente pr\u00f3ximo &#8211; transformava em ouro tudo que tocava. Quando o outro chegava perto, poderia esperar: &#8220;a\u00ed vem medas&#8221;&#8230; Acho que n\u00e3o \u00e9 preciso explicar mais.<\/p>\n<p>Pois bem. A divers\u00e3o passou a ser atribuir ao Rei Medas todas as medas ocorridas durante a viagem. Desde as hist\u00f3rias dos celulares: durante o almo\u00e7o com as meninas em Curitiba, esqueci o meu na churrascaria &#8211; mesmo tendo dito na mesa que n\u00e3o o faria. Adilson, no entanto, sequer trouxe o pr\u00e9-pago dele. Com poucos cr\u00e9ditos, seria in\u00fatil fora de S\u00e3o Paulo. Mal chegou em Santa Catarina para descobrir que a operadora estava com uma promo\u00e7\u00e3o, justamente em SC e no Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Rei Medas tamb\u00e9m esteve presente no tr\u00e2nsito, durante as aberrantes manobras deste motorista na capital catarinense. Tanto que popularizei um termo novo, que certamente vai pegar: a &#8220;paulistada&#8221;. Bastava que eu ou o motorista da frente executasse alguma barbeiragem para algu\u00e9m soltar: &#8220;olha a paulistada!&#8221;. Madrugada de s\u00e1bado, volt\u00e1vamos do centro de Floripa em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Lagoa. Passava da uma hora. Atendendo a uma sugest\u00e3o do Lello, que avistou um bar simp\u00e1tico no caminho, resolvi fazer um retorno absolutamente proibido.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/reimedas1002.gif\" align=\"right\">E l\u00e1 estava o Rei Medas. Ao som de &#8220;olha a paulistada&#8221;, ou\u00e7o ainda o grito de uma senhora desesperada, que vinha logo atr\u00e1s. &#8220;Seu maluco!&#8221;. Daquele momento em diante, aquele trecho da estrada passou a ser denominado &#8220;curva do Maluco&#8221;. A paulistada rendeu ainda outro momento digno de Medas: o tal bar simp\u00e1tico era uma biboca horrenda, sem qualquer condi\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Parece pouco? Pois ainda tem mais. Mesmo ficando apenas tr\u00eas dias conosco, Narazaki provou ao mundo que era a reencarna\u00e7\u00e3o de Medas. Logo na estr\u00e9ia, nas dunas da Joaquina, atropelou uma senhora com sua prancha de sandboard, atrapalhado com muita areia nos olhos. &#8220;Poderia pegar voc\u00ea ou ela, Andr\u00e9. Tive que escolher&#8221;, confessou o japon\u00eas. <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/caiaque1002.jpg\" align=\"right\">Horas depois, estava a bordo do caiaque na lagoa. Mesmo lugar onde Andr\u00e9 e Adilson j\u00e1 haviam virado no dia anterior, mas com ventos um pouco mais fortes. J\u00e1 no meio da \u00e1gua, Narazaki descobriu que n\u00e3o conseguia remar. O vento o empurrou para muito, mas muito longe da margem, e n\u00e3o demorou muito para que virasase. Enquanto aguardava pelo socorro, fez outra dif\u00edcil escolha: duas m\u00e3os para segurar o caiaque, o remo e os \u00f3culos. Preferiu os dois primeiros, deixando a marca das suas lentes no fundo da Concei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/nara1002.jpg\" align=\"right\">A despesas com as novas lentes n\u00e3o foram suficientes. No dia seguinte, Narazaki decidiu brincar nas pedras que separam a praia da Arma\u00e7\u00e3o de Matadouro, uma bela regi\u00e3o ao sul da Ilha. No meio de uma forma\u00e7\u00e3o rochosa, resolveu esperar a onda chegar e bater em suas costas, justamente enquanto tentava se afirmar. A onda n\u00e3o s\u00f3 apareceu como tamb\u00e9m derrubou o nip\u00f4nico, provocando-lhe algumas dezenas de escoria\u00e7\u00f5es nos membros. Ops, bra\u00e7os e pernas. Escala na farm\u00e1cia, material para curativos e de quebra uma pomada para queimaduras. Essa para o &#8220;camar\u00e3o&#8221; Adilson, que foi tapeado pelo velho discurso &#8220;onde tem nuvens, n\u00e3o tem sol&#8221;, durante os \u00faltimos cinco dias.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/narab1002.jpg\" align=\"right\">A \u00faltima participa\u00e7\u00e3o de Medas ocorreu na volta de Lello e Nara. Faltavam quinze minutos para as sete horas de domingo, os dois arrumavam a bagagem em nossa saudosa pousada na Lagoa, preparando tudo para o embarque no Catarinense, \u00e0s sete e meia. Eu estava no banheiro, quando Lello gritou.<\/p>\n<p>&#8211; Essa n\u00e3o! O \u00f4nibus sai as sete e dez!<\/p>\n<p>\u00c9 como eu sempre digo: todo castigo pra pobre \u00e9 pouco. E ave Medas. Faltavam vinte segundos para a sa\u00edda do Lat\u00e3o quando chegamos \u00e0 rodovi\u00e1ria. Mesmo com o p\u00e9 esfolado, Narazaki conseguiu chegar a tempo. S\u00f3 n\u00e3o contava com um acidente na estrada: a viagem de volta para os dois, que normalmente \u00e9 feita em dez horas, levou 17.<\/p>\n<p>Tudo bem, apesar do Medas, j\u00e1 estou com saudades da Ilha da Magia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o foi dif\u00edcil aproveitar muito durante sete dias em Florian\u00f3polis: foram incont\u00e1veis gargalhadas e passeios a todo instante. Entre as hist\u00f3rias criadas pelos Est\u00fapidos durante um jantar, merece destaque a lenda do Rei Medas. N\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o leu errado. \u00c9 Medas mesmo. 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