{"id":1085,"date":"2003-01-30T16:26:00","date_gmt":"2003-01-30T19:26:00","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/fsm-impressoes-de-quem-esteve-la"},"modified":"2003-01-30T16:26:00","modified_gmt":"2003-01-30T19:26:00","slug":"fsm-impressoes-de-quem-esteve-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/fsm-impressoes-de-quem-esteve-la\/","title":{"rendered":"FSM: impress\u00f5es de quem esteve l\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\">Enquanto o folgado aqui curtia f\u00e9rias em Florian\u00f3polis, milhares de jovens viajaram mais uns 400 quil\u00f4metros ao sul em fun\u00e7\u00e3o de um ideal: o terceiro <a href=\"http:\/\/www.forumsocialmundial.org.br\" target=\"_blank\"><b>F\u00f3rum Social Mundial<\/b><\/a> reuniu pessoas do mundo inteiro em Porto Alegre, dispostas a pensar em alternativas aos efeitos nocivos da globaliza\u00e7\u00e3o &#8211; isso tudo enquanto outros pensavam exatamente o contr\u00e1rio durante o <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/especial\/2003\/forunsglobais\" target=\"_blank\"><b>F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>Coincidentemente, os caminhos de alguns destes jovens cruzaram com o meu no posto Petropen, em Registro, durante o almo\u00e7o na \u00faltima ter\u00e7a-feira. Na primeira mat\u00e9ria do Jornal Hoje, sobre um protesto na noite anterior, alguns dos presentes se sentiram aborrecidos. &#8220;\u00c9 isso que a Globo mostra sobre o F\u00f3rum&#8221;. Em seguida, uma reportagem mais amena, sobre a dor da despedida, acalmou os \u00e2nimos dos viajantes, amarrotados ap\u00f3s doze horas de estrada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/forum3001.jpg\" align=\"right\">Seria injusto de minha parte fazer coment\u00e1rios sobre o F\u00f3rum Social Mundial, pouco vi a respeito enquanto descansava na Ilha da Magia. Por isso pedi ajuda a minha querida amiga e conterr\u00e2nea Lediane Tassi. Ela participou do F\u00f3rum e fez um r\u00e1pido apanhado de tudo que viu por l\u00e1. Confira:<\/p>\n<p><i>&#8211; Porto Alegre nunca esteve t\u00e3o diferente. Isso n\u00e3o significa dizer que estivesse melhor ou pior, isso veremos apenas com o passar do tempo, em conseq\u00fc\u00eancia direta do p\u00f3s-f\u00f3rum. Mas naquele instante, era um diferente realmente diferente de todas as diferen\u00e7as. Uma miscel\u00e2nea de roupas, cores, aromas (alguns, pasmem, alucin\u00f3genos), culturas e idiomas.<\/p>\n<p>&#8211; Uma cena linda: uma montoeira de gente no campus da PUC, no meio de outra mais dispersa &#8211; sim porque eram milhares de pessoas circulando, me chamou a aten\u00e7\u00e3o. Vi um grupo montando a pose para uma foto, cena que seria comum n\u00e3o fosse a peculiaridade da etnia: era um rabino, uma mu\u00e7ulmana, um liban\u00eas, uma indiana e um africano, todos vestidos conforme o local de origem. De arrepiar! Todos abra\u00e7ados para sairem na foto. A toupeira aqui, sem nenhuma c\u00e2mera para registrar o momento&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; D\u00e1 para imaginar uma roda de capoeira onde o capoeirista \u00e9 um negro pilchado, isto \u00e9, vestido \u00e0 car\u00e1ter como ga\u00facho (com direito a bombacha, len\u00e7o e um chapel\u00e3o na cabe\u00e7a), em que o jogo se dava em &#8220;slow motion&#8221;? Eram movimentos de capoeira leeeeentos (propositalmente), inclusive com algumas seq\u00fc\u00eancias engra\u00e7adas, meio de sacanagem. De repente, as palmas e o som do berimbau foram interrompidos por um rufar de tambores, aten\u00e7\u00e3o desviada. Tudo parou para ver de onde vinha o som. Era um grupo (acredito de brasileiros) que come\u00e7aram a tocar um ritmo forte e contagiante com seus tambores, atabaques e tamborins. As batidas soavam misturadas ao som dos chocalhos! Ningu\u00e9m conseguia ficar parado. E assim estava o campus da PUC&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; Dei uma passadinha no acampamento no \u00faltimo dia: era um mar de barraquinhas iglu coloridas. Oficialmente, cerca de 100 mil estavam acampados l\u00e1. Eu, com meus bot\u00f5es, duvido: acho que tinha muito mais, at\u00e9 porque 100 mil eram os cadastrados, n\u00e3o contavam os &#8220;inquilinos&#8221;, n\u00e9?<\/p>\n<p>&#8211; Segundo os acampados no Parque da Harmonia, nem tudo fora em prol do social: houveram v\u00e1rios furtos, al\u00e9m de cenas c\u00f4micas. Como a de um fulano que passeava perto do pessoal de Rio Grande com uma roupa de mulher embaixo do bra\u00e7o. Um colega meu, especialista em uma dessas artes marciais japonesas, estava louquinho para mostrar seus dotes &#8211; ainda mais depois de alguns litros de \u00e1lcool na corrente sangu\u00ednea. Ele abordou o transeunte, deu uma gravata e o imobilizou. O coitado esperneava e gritava: &#8220;s\u00f3 n\u00e3o tira o meu  cheirinho!&#8221;. Quando o meu colega olhou, reparou que o &#8220;cheirinho&#8221; era um copinho com cola de sapateiro. J\u00e1 n\u00e3o sabia mais quem estava mais fora de si&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; As f\u00e1bricas de cal\u00e7ados entrariam em fal\u00eancia se a moda do F\u00f3rum pegasse. No shoes. Dentro dos acampamentos, o pessoal andava descal\u00e7o em meio a poeira. Nas oficinas e palestras, na primeira oportunidade os chinelinhos (prefer\u00eancia de nove entre dez bicho-grilo) eram deixados de lado. Ainda bem que foram disponibilizados uns quantos chuveiros p\u00fablicos para o pessoal tirar o casc\u00e3o (pelo menos no acampamento). <\/p>\n<p>&#8211; &#8220;&#8230; E seja o que Deus quiser&#8221;. foi o que disse uma Advogada, doutora em Direito Internacional, numa oficina do s\u00e1bado, dia 26, no Campus PUCRS, ao referir-se a um ataque norte americano ao Iraque, caso a ONU n\u00e3o consiga contornar a situa\u00e7\u00e3o. Estremeci.<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;&#8230; A guerra na \u00c1frica n\u00e3o \u00e9 uma guerra religiosa ou de etnia como dizem alguns, \u00e9 uma guerra pol\u00edtica e de interesses internacionais&#8221;, frase do fot\u00f3grafo Sabasti\u00e3o Salgado, tamb\u00e9m no s\u00e1bado.<\/p>\n<p>&#8211; Aplausos para as cubanas que aprenderam a comer comida chinesa de pauzinhos. Est\u00e1vamos jantando no restaurante Muralha da China (pit stop obrigat\u00f3rio quando estou em POA) e algumas cubanas sentaram ao nosso lado. Gostaram de nos ver comendo de &#8220;hashi&#8221;, pediram uns ao gar\u00e7om e, depois de muitas tentativas frustradas, j\u00e1 estavam comendo at\u00e9 milho verde e arroz com as estaquinhas. Uma beleza.<\/p>\n<p>&#8211; O Quiquito de Ouro (sim, pois foi aqui no sul) para a pior cena aconteceu no \u00faltimo dia de F\u00f3rum, com a passeata na avenida Beira Rio, em que alguns acalorados resolveram protestar mostrando o &#8220;corpicho&#8221;, como vieram ao mundo. Nuzinhos da silva, os manifestantes foram barrados pela pol\u00edcia \u00e0 cavalo &#8211; alias, naquela hora n\u00e3o deu para distinguir quem era o homem e quem era o cavalo, devido a selvageria do ato. Pena que eu acompanhei a cena apenas pela TV e obviamente nem deu para ver muita coisa. Sinceramente deveriam ter feito vista grossa e fazer de conta que estamos em Amsterd\u00e3.<\/i><\/p>\n<p>J\u00e1 ficou com vontade de embarcar para a \u00cdndia, local do FSM em <s>2003<\/s> 2004? (ainda estou em 2002, vide o meu tal\u00e3o de cheques&#8230;).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto o folgado aqui curtia f\u00e9rias em Florian\u00f3polis, milhares de jovens viajaram mais uns 400 quil\u00f4metros ao sul em fun\u00e7\u00e3o de um ideal: o terceiro F\u00f3rum Social Mundial reuniu pessoas do mundo inteiro em Porto Alegre, dispostas a pensar em alternativas aos efeitos nocivos da globaliza\u00e7\u00e3o &#8211; isso tudo enquanto outros pensavam exatamente o contr\u00e1rio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-1085","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-plantao-marmota"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1085","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1085"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1085\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1085"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1085"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marmota.org\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1085"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}