{"id":1071,"date":"2003-01-13T17:32:00","date_gmt":"2003-01-13T20:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/quinto-dia-bamo-tudo-pra-fora"},"modified":"2003-01-13T17:32:00","modified_gmt":"2003-01-13T20:32:00","slug":"quinto-dia-bamo-tudo-pra-fora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/quinto-dia-bamo-tudo-pra-fora\/","title":{"rendered":"Quinto dia: bamo tudo pra fora!"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-0203.gif\" align=\"right\">Fam\u00edlia grande \u00e9 um neg\u00f3cio complicado. O pai de Marmota tem doze irm\u00e3os, que somados aos seis de sua m\u00e3e, resultam em dezoito tios, centenas de primos e uma quantidade incr\u00edvel casas para visitar. Parte delas na zona rural, bem pr\u00f3ximo a regi\u00e3o onde todos viveram boa parte do tempo. Por aqui, ir para a &#8220;zona rural&#8221; quer dizer &#8220;ir para fora&#8221;.<\/p>\n<p><tt>Passo do Vieira, distrito de Cap\u00e3o do Le\u00e3o<br \/>Hoje \u00e9 30 de dezembro de 2002<\/p>\n<p>Acordei disposto a dar uma volta no centro da cidade. Mas logo ap\u00f3s o caf\u00e9, mudan\u00e7a de planos: meu pai resolveu que a nossa \"viasaca\" l\u00e1 fora come\u00e7aria hoje mesmo, prometendo ainda voltar para a casa da v\u00f3 em menos de 24 horas, para que d\u00ea tempo de ajeitar as coisas para a entrada do ano.<\/p>\n<p>Aqui cabe uma r\u00e1pida explica\u00e7\u00e3o: o que chamamos de \"viasaca\", forma contra\u00edda da express\u00e3o <i>via sacra<\/i>, \u00e9 parte obrigat\u00f3ria do nosso roteiro de f\u00e9rias. Foi por essas quebradas que os meus pais e seus irm\u00e3os viveram boa parte da vida deles, e alguns dos meus tios ainda vivem aqui fora. O percurso que o meu pai quer fazer desta vez inclui paradas nas casas de cinco irm\u00e3s em um dia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/rs1301a.jpg\" align=\"left\">Vai ser muito dif\u00edcil. Por um motivo bem simples: n\u00e3o adianta chegar em cada uma delas e dizer que \"estamos fazendo uma visitinha r\u00e1pida\". N\u00e3o existe isso por aqui. Visita mesmo tem que corresponder a uma refei\u00e7\u00e3o - seja almo\u00e7o, caf\u00e9 da tarde ou jantar. Em linhas gerais: se n\u00e3o comer, n\u00e3o \u00e9 visita! Convenhamos: mesmo que isso atrase um pouco a estrat\u00e9gia, isso n\u00e3o \u00e9 fant\u00e1stico?<\/p>\n<p>Paramos primeiro na tia Neli, a mais velha das irm\u00e3s do meu pai. E por l\u00e1, sucesso: tomamos o caf\u00e9 da tarde, atualizamos o \"boletim m\u00e9dico\" de boa parte das tias e seguimos em frente. A pr\u00f3xima \u00e9, coincidentemente, a tia Zeneida, a mais nova entre as mulheres. Segundo o meu pai, seriam alguns minutos antes de ir para a casa da tia Maria - as tr\u00eas moram na sequ\u00eancia, mas com alguns bons metros de estrada de ch\u00e3o entre elas.<\/p>\n<p>Mas foi aqui na tia Zeneida que o passeio degringolou. Por um motivo bem simples: n\u00e3o demorou para o tio Vilmar sair do galp\u00e3o com dois cani\u00e7os e convencer-nos a tirar alguns jundi\u00e1s do a\u00e7ude. Aquilo foi m\u00fasica para os ouvidos do meu pai e do Dani, que devem ter mais genes rurais nas c\u00e9lulas do que eu...<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/rs1301b.jpg\" align=\"left\">Mesmo debaixo de uma fina garoa, a pescaria levou algumas boas horas. E rendeu seis belos exemplares de jundi\u00e1 - um deles, fisgado pelo Dani, era deeeste tamanho! Saquei o meu r\u00e1dio de ondas curtas do porta-malas e, saboreando peixe frito e chimarr\u00e3o, observamos o sol se perder no horizonte ouvindo emissoras de Piratini, Pedro Os\u00f3rio e redondezas. Mais tarde ainda consegui sintonizar a R\u00e1dio Bandeirantes em 31 metros, deu para ouvir as manchetes do Jornal de amanh\u00e3.<\/p>\n<p>No fim da noite, j\u00e1 saboreando uma pratada de doce de leite, ou\u00e7o atentamente aos causos dos meus tios ao lado dos meus pais, desde piadinhas at\u00e9 hist\u00f3rias do arco da velha, como um tal \"Deuzinho do Piratini\", caso que ganhou as manchetes dos principais jornais h\u00e1 mais de vinte anos. Tinha a ver com um sujeito que \"tinha liga\u00e7\u00f5es com o dem\u00f4nio\" e que teve a aud\u00e1cia de matar a m\u00e3e e comer seu cora\u00e7\u00e3o. Queriam acabar com a minha sobremesa! Enfim, hoje em dia acontece tanta coisa bizarra e, dias depois, parece ter sido t\u00e3o banal...<\/p>\n<p>Pois bem, uma das tias \u00e0 tarde e outra \u00e0 noite. Ainda restam tr\u00eas. Como a tia Maria e a tia Geni passaram por maus bocados neste ano, certamente vamos ficar mais tempo com as duas antes de voltar para Pelotas no fim da tarde. Ao contr\u00e1rio dos anos anteriores, quando a \"viasaca\" durava pelo menos tr\u00eas dias... Pena que o tempo n\u00e3o possa voltar. Mas amanh\u00e3 tem mais!<\/tt><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlia grande \u00e9 um neg\u00f3cio complicado. O pai de Marmota tem doze irm\u00e3os, que somados aos seis de sua m\u00e3e, resultam em dezoito tios, centenas de primos e uma quantidade incr\u00edvel casas para visitar. Parte delas na zona rural, bem pr\u00f3ximo a regi\u00e3o onde todos viveram boa parte do tempo. 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