{"id":1067,"date":"2003-01-10T18:41:00","date_gmt":"2003-01-10T21:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/terceiro-dia-afogando-as-lembrancas"},"modified":"2003-01-10T18:41:00","modified_gmt":"2003-01-10T21:41:00","slug":"terceiro-dia-afogando-as-lembrancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/terceiro-dia-afogando-as-lembrancas\/","title":{"rendered":"Terceiro dia: afogando as lembran\u00e7as?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/e-0203.gif\" align=\"right\">Mais algumas horas daquele s\u00e1bado e finalmente Pelotas, a 1400 quil\u00f4metros de S\u00e3o Paulo. Cidade natal dos pais, da fam\u00edlia e at\u00e9 do irm\u00e3o mais novo de Marmota, que por um acidente de percurso, nasceu no interior paulista. Sem delongas, vamos prosseguir com o relato deste aventureiro em seu final de ano.<\/p>\n<p><tt>Finalmente, Pelotas, RS.<br \/>Hoje \u00e9 28 de dezembro de 2002.<\/p>\n<p>Tr\u00eas dias e alguns ped\u00e1gios para chegarmos ao nosso objetivo final: a casa da v\u00f3, em Pelotas. Pois \u00e9, Di\u00e1rio, \u00e9 incr\u00edvel, mas em S\u00e3o Paulo parece reclamarmos \u00e0 toa dos ped\u00e1gios - n\u00e3o sei se \u00e9 porque a Regis Bittencourt n\u00e3o tem nenhum. Mas por aqui, a cada estrada que entramos, pagamos uma paulada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/rs1001a.jpg\" align=\"left\">S\u00f3 entre Porto Alegre e Pelotas s\u00e3o quatro: um da Concepa, ainda na free way, em Eldorado do Sul; outro logo adiante em Gua\u00edba. Mais um em Cristal, logo depois do Grill, e o \u00faltimo pouco antes de chegar em Pelotas, no Retiro. Somando os outros dois da free way, gastamos pouco mais de quinze reais percorrendo o Estado. E aqui n\u00e3o estamos falando em rodovias como a Bandeirantes ou a Trabalhadores. Ser\u00e1 que tanto ped\u00e1gio \u00e9 mesmo necess\u00e1rio?<\/p>\n<p>Mas enfim, ainda n\u00e3o eram duas da tarde quando o carro entrou na rua da V\u00f3, na Cohab Fragata - casas padronizadas, pedras no lugar do asfalto e uma tranquilidade tamanha... Aquilo nos faz pensar que estamos em uma cidade cenogr\u00e1fica. Em casa, al\u00e9m da v\u00f3, minha madrinha Cleusa e meus primos Cris, Junior e Bruna. N\u00e3o demorou para que outros tios, que tamb\u00e9m moram por l\u00e1, aparecessem por l\u00e1 para abra\u00e7ar a comitiva.<\/p>\n<p>Tem gente que acha entediante ficar sentado pr\u00f3ximo aos parentes ouvindo hist\u00f3rias do arco da velha, tempos em que todos moravam juntos naquele long\u00ednquo s\u00edtio l\u00e1 fora. Preferem videogame, poquemon ou afins. Pessoalmente, acho isso um barato! Um dia preciso ter um pouco mais de senso jornal\u00edstico e reunir todas elas, numa esp\u00e9cie de relato hist\u00f3rico. Infelizmente, acabo lembrando que estou de f\u00e9rias e jogo a id\u00e9ia pra escanteio.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o sou s\u00f3 eu. Um dos assuntos do primeiro dia foi devidamente desenterrado pelo tio Erni.<\/p>\n<p>- Tu te lembras daquela barragem que iam fazer no Canto Grande - , perguntou \u00e0 minha m\u00e3e, irm\u00e3 dele.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/rs1001b.jpg\" align=\"left\">E ela se lembrou: na d\u00e9cada de 60, a CEEE (companhia energ\u00e9tica do Estado) j\u00e1 tinha em mente construir uma barragem no Canto Grande, \u00e1rea rural que hoje corresponde ao munic\u00edpio do Cap\u00e3o do Le\u00e3o mas que, na \u00e9poca, era a \u00fanica refer\u00eancia dos meus tios. Pois especula-se que o tal projeto esteja voltando, em fun\u00e7\u00e3o da crise de energia do ano passado. Conv\u00e9m ressaltar que as poucas usinas ga\u00fachas s\u00e3o t\u00e9rmicas, e grande parte da energia \u00e9 comprada do sudeste.<\/p>\n<p>A barragem seria um \u00f3timo neg\u00f3cio para o Rio Grande, mas por outro lado, colocaria por \u00e1gua abaixo - literalmente - a hist\u00f3ria de gera\u00e7\u00f5es inteiras, fam\u00edlias que nasceram e cresceram naquele distante ponto do Brasil. A constru\u00e7\u00e3o seria capaz de inundar at\u00e9 mesmo um trecho da BR 293, que liga Pelotas a Bag\u00e9 e \u00e9 um dos dois acessos ao Passo das Pedras e, consequentemente, ao Canto Grande - o outro \u00e9 a BR 116, sentido Jaguar\u00e3o, com ped\u00e1gio...<\/p>\n<p>N\u00e3o preciso dizer que isso revoltou a minha m\u00e3e. Apesar de que, por enquanto, a barragem no Canto Grande n\u00e3o passa de um tremendo boato. Caso confirmado, as terras daquele peda\u00e7o passariam a valer nada, tornando o valor venal perfeito para o pagamento de indeniza\u00e7\u00f5es. Pessoalmente, penso que a valoriza\u00e7\u00e3o da nossa hist\u00f3ria n\u00e3o tem pre\u00e7o - que o digam aqueles que puderam ver Sete Quedas.<\/p>\n<p>Chega por hoje. N\u00e3o vamos esquentar a cabe\u00e7a, afinal est\u00e1 muito calor por aqui - ali\u00e1s, barbaridade, o meu pai resolveu tomar aquela sopa de capeletti escaldante no almo\u00e7o do tradicional Galeto Santa Justina, logo depois do Retiro... Diz ele que \u00e9 o mesmo sabor daquela que ele tomava quando morava na Vila Brod, h\u00e1 uns trinta anos. Tradi\u00e7\u00e3o com esse morma\u00e7o, n\u00e3o d\u00e1. Amanh\u00e3 tem mais!<\/tt><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais algumas horas daquele s\u00e1bado e finalmente Pelotas, a 1400 quil\u00f4metros de S\u00e3o Paulo. Cidade natal dos pais, da fam\u00edlia e at\u00e9 do irm\u00e3o mais novo de Marmota, que por um acidente de percurso, nasceu no interior paulista. Sem delongas, vamos prosseguir com o relato deste aventureiro em seu final de ano. 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