{"id":1054,"date":"2005-07-18T15:10:50","date_gmt":"2005-07-18T18:10:50","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/faca-sempre-tudo-o-que-precisa-fazer"},"modified":"2005-07-18T15:10:50","modified_gmt":"2005-07-18T18:10:50","slug":"faca-sempre-tudo-o-que-precisa-fazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/faca-sempre-tudo-o-que-precisa-fazer\/","title":{"rendered":"Fa\u00e7a sempre tudo o que precisa fazer"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/backfut.gif\" align=\"right\">H\u00e1 exatos dois anos, tive o privil\u00e9gio de olhar nos olhos de algu\u00e9m que mudou minha vida. Daquele instante at\u00e9 hoje, um v\u00edrus alojado em alguma \u00e1rea obscura do c\u00e9rebro indica que preciso faz\u00ea-la feliz. E n\u00e3o importa a forma como isso aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>Muitos meses antes do dia 18 de julho de 2003, esse tal v\u00edrus se desenvolveu de maneira parecida, mas com resultado fatal. Fez com que meu lado racional, normalmente o dominante, concebesse uma id\u00e9ia a princ\u00edpio brilhante: uma declara\u00e7\u00e3o de amor durante um baile de formatura. Para garantir o sucesso dessa empreitada, cerquei todas as possibilidades: melhor roupa, presentes no bolso, amigos como testemunha.<\/p>\n<p>Naquela noite, a menina dos meus sonhos me apresentou ao Ab\u00edlio, sujeito que se tornaria seu marido. E o mundo caiu sob a minha cabe\u00e7a, concluindo o trabalho destrutivo da maldita virose.<\/p>\n<p>A formatura do Ab\u00edlio tinha se transformado em piada fraca em 18 de julho de 2003, e continuou sendo fichinha se comparada ao desenrolar da minha hist\u00f3ria nesses \u00faltimos dois anos. A pessoa que havia mudado minha vida naquela tarde, mesmo sempre presente, se tornou mais distante. Tamb\u00e9m estava prestes a se formar em direito &#8211; e a data da festa ganhou significado magn\u00edfico, gra\u00e7as aos percal\u00e7os que precisou superar para garantir seu diploma.<\/p>\n<p>Pois bem, o destino deixou cair em meu colo a grande chance de resolver tr\u00eas problemas de uma \u00fanica vez. Participar de uma nova festa e exorcizar o terr\u00edvel baile do Ab\u00edlio. Continuar a miss\u00e3o de faz\u00ea-la feliz sem pensar em receber qualquer pagamento. Por fim, demonstrar que somos capazes de fazer aquilo que temos vontade, e n\u00e3o o mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>E realmente n\u00e3o era tarefa simples. O grande baile estava marcado para o dia 15 de janeiro de 2005, um s\u00e1bado. Num sal\u00e3o a cerca de 1500 quil\u00f4metros da capital paulista. Durante a semana anterior, trabalho intenso dia e noite. E na sexta-feira, v\u00e9spera do grande dia, uma triste not\u00edcia: o falecimento do pai de um grande amigo.<\/p>\n<p>Pareciam sinais fortes para que eu n\u00e3o cometesse qualquer sandice e permanecesse em casa naquele final de semana. Mas querem saber? Bananas pros sinais. Tomei o v\u00f4o 8721 da Varig, pouco depois das nove da manh\u00e3 daquele s\u00e1bado, seguido de um \u00f4nibus para um quartel general estrat\u00e9gico. Convidei uma prima para acompanhar o que viria a ser um momento hist\u00f3rico: desaparecer em S\u00e3o Paulo para surgir repentinamente em um baile.<\/p>\n<p>O sol j\u00e1 se escondia no horizonte enquanto me aproximava do local da festa. Curiosamente, o efeito devastador dos tempos de Ab\u00edlio calejaram meus pensamentos: as expectativas que polu\u00edram minha mente da primeira vez simplesmente n\u00e3o existiam. Estava livre. Sorrido. Preparado apenas para surpreend\u00ea-la com um abra\u00e7o de parab\u00e9ns, e nada mais.<\/p>\n<p>O plano estava preparado e ensaiado: indicaria para a minha prima quem era a mo\u00e7a simp\u00e1tica que motivara meu deslocamento. Calmamente, ela se apresentaria e lhe entregaria uma carta, preparada cuidadosamente com anteced\u00eancia, contendo palavras enigm\u00e1ticas e um pedido simples: vire-se. E voil\u00e1: ter\u00edamos eu, em sua frente. Genial, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Mas encontr\u00e1-la em meio a centenas de convidados virou tarefa complicada. Minha prima, seu namorado e eu rodamos o sal\u00e3o de ponta a ponta ap\u00f3s a cola\u00e7\u00e3o de grau, em v\u00e3o. Foi quando lembrei do filme &#8220;O Casamento do meu Melhor Amigo&#8221;, onde o protagonista avisa a mocinha que est\u00e1 por perto usando o celular.<\/p>\n<p>Tremenda tolice. Que formanda levaria o celular para um baile? Mesmo se estivesse com ele, que raz\u00e3o a levaria atender o bicho? Id\u00e9ia de jerico, que botaria uma p\u00e1 de cal em tudo que motivou a corrida e as horas mal dormidas.<\/p>\n<p>Mas ela atendeu! Disse que foi ao acaso, j\u00e1 que estava trocando a beca pelo vestido de festa no banheiro quando ouviu o aparelho tocar. E agradeceu os cumprimentos sorrindo &#8211; antes de avisar que estava bem ali, a alguns metros de dist\u00e2ncia. Seu tom de voz mudou. Passou a engasgar com as palavras: conseguia apenas pronunciar &#8220;seu louco&#8221;, misturado com &#8220;ele est\u00e1 aqui&#8221;.<\/p>\n<p>Finalmente consigo avist\u00e1-la. Aproximo devagar, com os bra\u00e7os levantados. Ela fechou os olhos e abaixou a cabe\u00e7a, incr\u00e9dula. E me abra\u00e7ou durante eternos e inesquec\u00edveis cento e poucos segundos.<\/p>\n<p>Tudo que aconteceu na sequ\u00eancia acabou de uma vez por todas com a tr\u00e1gica festa do Ab\u00edlio. Era como se tivesse poderes m\u00e1gicos: transformei recorda\u00e7\u00f5es horrendas em felicidade suficiente para inebriar a mim e a ela.<\/p>\n<p>Miss\u00e3o cumprida. O dia mais feliz da vida dela ganhou cores novas. O dia mais triste da minha vida foi substitu\u00eddo por outro. Voltei para casa na segunda-feira, dia 17, com a certeza de que podemos tomar decis\u00f5es baseadas em nossa vontade de ser feliz em detrimento ao comodismo do &#8220;est\u00e1 bom assim&#8221;. Tudo pode ser melhor, sempre.<\/p>\n<div align=\"center\">***<\/div>\n<p>Hist\u00f3rias como essa acontecem sempre na vida de qualquer um, e sempre que ouvimos algu\u00e9m contar uma aventura bacana, inevitavelmente enxergamos-na como um filme. Pessoalmente, imagino como seria \u00f3timo se um dia <a href=\"\/blog\/2002\/12\/25\/269\" target=\"_blank\"><b>pud\u00e9ssemos registrar hist\u00f3rias passadas em v\u00eddeo<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>Bom, ao menos desta vez, para minha alegria, consegui!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/mtv.gif\" align=\"right\"><i>Como Fazer Um Filme De Formatura Direito<\/i> \u00e9 o nome compridinho mas bonitinho dessa aventura, sugerido pelo Lello. Botei todas as palavras do t\u00edtulo em destaque num ca\u00e7a-palavras, provocando um efeito visual diferente: \u00e9 poss\u00edvel ler coisas como &#8220;formatura de direito&#8221;, &#8220;filme de formatura&#8221;, &#8220;como fazer direito&#8221;&#8230; Or\u00e9ver.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o integral do v\u00eddeo conta a incr\u00edvel hist\u00f3ria acima em 50 minutos, em DVD que possui apenas uma c\u00f3pia, com destinat\u00e1rio espec\u00edfico. A todos voc\u00eas, temos a vers\u00e3o joinha, com um resumo de quase cinco minutos e compacta\u00e7\u00e3o acelerada.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/eM-JKDa_IVs\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 exatos dois anos, tive o privil\u00e9gio de olhar nos olhos de algu\u00e9m que mudou minha vida. Daquele instante at\u00e9 hoje, um v\u00edrus alojado em alguma \u00e1rea obscura do c\u00e9rebro indica que preciso faz\u00ea-la feliz. E n\u00e3o importa a forma como isso aconte\u00e7a. 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