{"id":1026,"date":"2005-04-20T10:21:00","date_gmt":"2005-04-20T13:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/correria"},"modified":"2005-04-20T10:21:00","modified_gmt":"2005-04-20T13:21:00","slug":"correria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/correria\/","title":{"rendered":"Correria"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/pedra.gif\" align=\"right\">Nesta quinta-feira, in\u00edcio de feriado, vou ter a rara oportunidade de viajar com toda a fam\u00edlia. Vai ser ainda o meu segundo bate-volta de 2005 ao Rio Grande do Sul &#8211; t\u00e3o corrido que nem vou convidar o <a href=\"http:\/\/pontomidia.com.br\/ricardo\/\" target=\"_blank\"><b>Ricardo<\/b><\/a>, a <a href=\"http:\/\/www.pontomidia.com.br\/raquel\" target=\"_blank\"><b>Raquel<\/b><\/a>, a <a href=\"http:\/\/justthinkabout.blogspot.com\" target=\"_blank\"><b>Maria Clara<\/b><\/a> e o Ot\u00e1vio para jantar. Certamente n\u00e3o apareceria&#8230; Fica para janeiro.<\/p>\n<p>Correria, ali\u00e1s, \u00e9 algo que s\u00f3 os moradores de grandes cidades como S\u00e3o Paulo est\u00e3o acostumados. Pude presenciar um belo exemplo de como esse clima delicioso contamina qualquer atividade: foi justamente em minha \u00faltima viagem a\u00e9rea, tamb\u00e9m no final de janeiro.<\/p>\n<p>A decolagem estava marcada para as 22h30 em Congonhas, onde um v\u00f4o jamais parte no hor\u00e1rio previsto. Outro detalhe peculiar: como a zona urbana cresceu ao redor do veterano aeroporto, o bendito fecha as portas \u00e0s 23 horas. Ou seja, depois desse hor\u00e1rio, dali ningu\u00e9m entra nem sai de avi\u00e3o.<\/p>\n<p>Estava sentado na nov\u00edssima sala de embarque de Congonhas, vendo as figuras de uma revista qualquer e sem dar a menor pelota para o hor\u00e1rio, at\u00e9 a voz feminina de uma funcion\u00e1ria avisar. &#8220;Sua aten\u00e7\u00e3o, por favor, passageiros do v\u00f4o Gol n\u00famero tal, com destino tal, das dez horas e trinta minutos. Sua aeronave j\u00e1 se encontra neste aeroporto, e em mais alguns minutos, daremos in\u00edcio ao procedimento de embarque. Por gentileza, queiram permanecer bem pr\u00f3ximos ao port\u00e3o tal&#8221;, anunciou, dando \u00eanfase ao &#8220;bem pr\u00f3ximo&#8221;.<\/p>\n<p>Devia ser umas quinze pras onze quando o embarque come\u00e7ou. Ainda tranquilo, decidi esperar a manada passar antes de entrar. Ainda tinha um bocado de gente quando a mesma voz disse, em tom amea\u00e7ador: &#8220;com sua aten\u00e7\u00e3o passageiros do v\u00f4o Gol n\u00famero tal&#8230; \u00daltima chamada para o embarque&#8221;. Tudo bem. J\u00e1 que insistiram, levantei e encarei a fila.<\/p>\n<p>Ao lado do port\u00e3o, um dos funcion\u00e1rio era uma verdadeira m\u00e1quina recolhedora de cart\u00f5es de embarque. Sequer compreendeu o meu &#8220;boa noite&#8221;. Contrapondo a agilidade do mo\u00e7o, aquela gente toda permanecia a passos de formiga na ponte de embarque.<\/p>\n<p>Assim que cheguei \u00e0 porta da aeronave, tive outro &#8220;boa noite&#8221; solenemente ignorado pelas comiss\u00e1rias de bordo. &#8220;Por favor, senhor, entre rapidamente e sente-se em qualquer lugar. Ignore a marca\u00e7\u00e3o de assentos de seu bilhete&#8221;, insistiam. Decidi n\u00e3o questionar e ocupar o primeiro lugar vago que encontrei, entre os primeiros assentos.<\/p>\n<p>Nem todos quiseram cooperar: &#8220;por que n\u00e3o posso sentar onde escolhi?&#8221;, brigava um. &#8220;Meu lugar j\u00e1 est\u00e1 ocupado!&#8221;, reclamava outro. Haja saco para agilizar aquela trabanda e ainda explicar ao povo que Congonhas fecha as 23 horas. E faltavam menos de dez minutos.<\/p>\n<p>Foram momentos de pura adrenalina. Quanto mais o rel\u00f3gio corria, menos paci\u00eancia nas atitudes das aeromo\u00e7as. Apontavam lugares vazios no fundo. Insistiam para a turma andar de uma vez e permitir a entrada de todos. Foram poucos segundos entre o \u00faltimo passageiro cruzando a porta e o aviso do comandante: &#8220;tripula\u00e7\u00e3o, preparar para a decolagem&#8221;. E eu, ali. Uma pedra.<\/p>\n<p>Ainda tinha gente de p\u00e9 enquanto o avi\u00e3o taxiava. Com o microfone em m\u00e3os, a comiss\u00e1ria-chefe implorava para todos sentarem de uma vez, al\u00e9m de balbuciar duas ou tr\u00eas palavras dos procedimentos de seguran\u00e7a. Foi quase um &#8220;pessoal, voc\u00eas j\u00e1 conhecem aquela hist\u00f3ria das m\u00e1scaras caindo e dos assentos flutuantes. Tamb\u00e9m j\u00e1 viram nosso cart\u00e3o de instru\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o vamos pular essa parte e seguir em frente&#8221;. Finalmente, as onze da noite, o avi\u00e3o deixou S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;Senhores passageiros, aqui quem fala \u00e9 o comandante. Pe\u00e7o desculpas pela correria, mas ela foi necess\u00e1ria&#8221;, justificou o piloto. Pedido aceito &#8211; ao menos entre dos paulistanos, que n\u00e3o viram novidade alguma em correr para compensar atrasos&#8230;<\/p>\n<p><b>Em tempo<\/b>, ainda teremos algumas coisinhas por aqui nos pr\u00f3ximos quatro dias. Oficialmente, no entanto, estou de volta na segunda-feira. Para quem tamb\u00e9m vai enforcar Tiradentes, aproveite bem!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quinta-feira, in\u00edcio de feriado, vou ter a rara oportunidade de viajar com toda a fam\u00edlia. Vai ser ainda o meu segundo bate-volta de 2005 ao Rio Grande do Sul &#8211; t\u00e3o corrido que nem vou convidar o Ricardo, a Raquel, a Maria Clara e o Ot\u00e1vio para jantar. Certamente n\u00e3o apareceria&#8230; Fica para janeiro. 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