{"id":1020,"date":"2005-03-30T18:41:50","date_gmt":"2005-03-30T21:41:50","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/a-tv-pirata-e-nota-seis"},"modified":"2005-03-30T18:41:50","modified_gmt":"2005-03-30T21:41:50","slug":"a-tv-pirata-e-nota-seis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/a-tv-pirata-e-nota-seis\/","title":{"rendered":"A TV Pirata \u00e9 nota seis"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/backfut.gif\" align=\"right\">Durante o Carnaval carioca de 1988, os caminh\u00f5es de som da Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed alternavam placas que instigavam o telespectador global: eram as estr\u00e9ias da emissora daquele ano. Uma era &#8220;Tela Quente&#8221;, filmes blockbuster \u00e0s segundas-feiras &#8211; hor\u00e1rio que, at\u00e9 87, pertencia a J\u00f4 Soares, contratado naquele ano pelo SBT. Outra era mais enigm\u00e1tica: TV Pirata.<\/p>\n<p>O mist\u00e9rio foi resolvido no dia 5 de abril, uma ter\u00e7a-feira. Um est\u00fadio de TV foi invadido por um navio pirata, de onde desembarcaram sujeitos assustadores e dispostos a alterar a programa\u00e7\u00e3o. Armados at\u00e9 os dentes e munidos de uma fita de rolo, os invasores finalmente conseguem tomar o set, ap\u00f3s chutes e pontap\u00e9s acompanhados por uma trilha sonora inconfund\u00edvel e alguns nomes rolando na horizontal, ao p\u00e9 do v\u00eddeo.<\/p>\n<table width=\"280\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tr>\n<td bgcolor=\"#000000\"><font size=\"2\" color=\"#FFFFFF\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/tvpirata3003.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/globo3003.jpg\"><br \/>Em 1990, a TV Pirata pegou carona no jingle de anivers&aacute;rio dos 25 anos da emissora &#8211; a Globo 90 &eacute; nota 100. No primeiro programa do ano (que apresentou Denise Fraga e Maria Zilda), a trupe exibiu uma par&oacute;dia, mantendo o clima e as cores da vinheta. A m&uacute;sica inesquec&iacute;vel reaparece em algumas op&ccedil;&otilde;es do DVD:<\/p>\n<p><i>N&atilde;o tem pra voc&ecirc;s<br \/>A TV Pirata &eacute; nota 6<br \/>Deu pra passar<br \/>S&oacute; que tivemos que colar<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; genial<br \/>Mas tem gente que gosta<br \/>Falam t&atilde;o mal<br \/>Mas n&atilde;o &eacute; essa droga<br \/>Entra ano e sai ano <br \/>A gente insiste<br \/>Afinal tem gente que assiste<\/p>\n<p>(uh uh)<\/p>\n<p>25 anos juntos<br \/>Tentando outra vez<br \/>N&atilde;o tem pra voc&ecirc;s&#8230; <\/i><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/fogorabo3003.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/barbosa3003.jpg\"><br \/>No mesmo ano, a abertura (que em nada remetia a dos anos anteriores) ganhou uma musiquinha <i>mezzo<\/i> latina <i>mezzo<\/i> funk, com a cara (e os clich&ecirc;s preferidos) dos &quot;cassetas&quot;. Pelo que pude apurar, era interpretada por Mu Chebabi, parceiro musical da trupe. Essa n&atilde;o tem no DVD &#8211; e pessoalmente, n&atilde;o sei se algu&eacute;m sentiria falta.<\/p>\n<p><i>&Ocirc; l&ocirc;co<br \/>N&ecirc;go t&aacute; latindo<br \/>Pra economizar cachorro <\/p>\n<p>Vendendo a pr&oacute;pria m&atilde;e<br \/>Sem discutir o pre&ccedil;o<br \/>O mundo vai acabar<br \/>E &eacute; s&oacute; o come&ccedil;o<\/p>\n<p>&Eacute; fim de festa<br \/>Se n&atilde;o quer dar, empresta<\/p>\n<p>Solta a franga<br \/>Senta que o le&atilde;o &eacute; manso<br \/>Se o pato n&atilde;o vem<br \/>Ent&atilde;o o lance &eacute; afogar o ganso<\/p>\n<p>T&aacute; pagando mico<br \/>Manda tudo pro espa&ccedil;o<br \/>Melhor armar o circo<br \/>Pra descabelar o palha&ccedil;o<\/i><\/font><\/td>\n<\/tr>\n<\/table>\n<p>A come\u00e7ar pelos atores: Cl\u00e1udia Raia, Cristina Pereira, D\u00e9bora Bloch, Diogo Vilela, Guilherme Karan, Louise Cardoso, Luiz Fernando Guimar\u00e3es, Marco Nanini, Ney Latorraca e Regina Cas\u00e9. Na sequ\u00eancia, a trupe de redatores: Luis Fernando Ver\u00edssimo, Mauro Rasi, Alexandre Machado, Vicente Pereira, Patr\u00edcia Travassos, Pedro Cardoso e os &#8220;cassetas&#8221; Bussunda, Marcelo Madureira, Reinaldo, Beto Silva, Hubert, Cl\u00e1udio Manoel e H\u00e9lio de la Pe\u00f1a. Todos sob a coordena\u00e7\u00e3o de Cl\u00e1udio Paiva. Locu\u00e7\u00e3o de Ciro Jatene, dire\u00e7\u00e3o de Guel Arraes e Jos\u00e9 Lavigne.<\/p>\n<p>Quem estava acostumado com Viva o Gordo, Chico Anysio Show, Pra\u00e7a da Alegria e todos os seus derivados, ficou surpreso. N\u00e3o havia piadinhas comportadas seguidas da boa e velha claque. Mas sim um irreverente e descarado deboche a programa\u00e7\u00e3o da TV e ao comportamento humano. Satirizavam filmes, novelas, telejornais e comerciais. Ao mesmo tempo, esculachavam situa\u00e7\u00f5es do cotidiano. Aquele bando de bucaneiros revolucionou a linguagem dos programas de humor. Trouxe para o hor\u00e1rio nobre o politicamente incorreto e o nonsense. Chacoalhou a cr\u00edtica e o p\u00fablico, al\u00e9m de imortalizar personagens.<\/p>\n<p>O auge do programa foi mesmo em 1988. Ainda segurou o f\u00f4lego no ano seguinte &#8211; quando a abertura &#8220;navio pirata&#8221; foi substitu\u00edda por uma revisita ao velho Viva o Gordo: ao inv\u00e9s de J\u00f4, era o elenco que contracenava com cenas antol\u00f3gicas: Cristina Pereira lan\u00e7a um papelzinho inocente em sua zarabatana-bic em Renato Villar (Tarc\u00edsio Meira), que se contorce sob a mesa; o bombeiro Luiz Fernando Guimar\u00e3es quer resgatar Gabriela (S\u00f4nia Braga) e acaba caindo com escada e tudo; Claudia Raia toma banho na primeira cova aberta por Odorico Paragua\u00e7u (Paulo Gracindo). Ainda em 1989, Pedro Paulo Rangel entrou no lugar de Marco Nanini.<\/p>\n<p>Como acontece com tudo que come\u00e7a inovador, alternativo e &#8220;chacoalhante&#8221;, os efeitos da f\u00f3rmula da TV Pirata perdia seu efeito. Em 1990, quando Maria Zilda e Denise Fraga desembarcaram na sede da &#8220;emissora&#8221;, a coisa j\u00e1 caminhava para o seu final. Tanto que n\u00e3o durou at\u00e9 o final do ano. A Globo ainda tentou dar sobrevida ao programa em 1992 &#8211; quando o programa, um dos quadros mensais alternados na &#8220;Ter\u00e7a Nobre&#8221;, contava ainda com Ot\u00e1vio Augusto, Ant\u00f5nio Calloni e Marisa Orth. No melhor deles, Ney Latorraca confessa ter matado Barbosa &#8220;por estar de saco cheio&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/tvpiratadvd3003.jpg\" align=\"left\"><b>O DVD<\/b> &#8211; Assim que saiu a pr\u00e9-venda do DVD de TV Pirata, garanti a minha c\u00f3pia. Por algumas raz\u00f5es. N\u00e3o perdia um programa, mesmo na fase &#8220;ah, assiste a\u00ed&#8221;. E n\u00e3o tenho Multishow, canal a cabo que reprisa o programa tamb\u00e9m em comemora\u00e7\u00e3o aos 40 anos de Rede Globo. Vale cada centavo, apesar da recomenda\u00e7\u00e3o de Claudio Paiva, respons\u00e1vel: &#8220;tentei colocar apenas as esquetes e personagens que n\u00e3o envelheceram, que s\u00e3o atuais&#8221;.<\/p>\n<p>De fato, se cada f\u00e3 tivesse em m\u00e3os os tr\u00eas anos de TV Pirata e tivesse que escolher apenas oito horas, ficaria maluco. Ainda assim, tenho a minha lista de aus\u00eancias sentidas, a come\u00e7ar pela abertura cl\u00e1ssica &#8211; cuja refer\u00eancia est\u00e1 apenas na musiquinha do menu. Tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1 o Caveira, os Super Her\u00f3is, a equipe Brazuca de F1, o Casal Telejornal, os soldados de Combate, a Janela Indiscreta, A Coisa, Sabrina (Os Diamantes N\u00e3o S\u00e3o Para Comer), Super Safo, e a maior delas, na minha opini\u00e3o um crime: Elesb\u00e3o. Aquele que n\u00e3o tem amigos.<\/p>\n<p>Mas o Plant\u00e3o da Farm\u00e1cia Central est\u00e1 representado com Adelaide Catarina, Sargento Garcia e um dos links da campanha Milion\u00e1rio Esperan\u00e7a (que, ali\u00e1s, s\u00f3 aparece a\u00ed). Tamb\u00e9m tem bastante Campo Rural e TV Macho, matando saudades de Mimosa e Zeca Bordoada. Paiva selecionou ainda uma edi\u00e7\u00e3o de Piada em Debate, Na Mira do Crime, Black Not\u00edcias, As Presidi\u00e1rias (Tonh\u00e3o, Olga, Cristiane F e a dondoca cujo nome foge), Barbosa Nove e Meia (entrevistando Sass\u00e1 Mutema) e Morro do Macaco Molhado (Malandro \u00e9 malandro mesmo, n\u00e3o d\u00e1 mole pra man\u00e9&#8230;).<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a melhor parte do primeiro DVD, dividido em quatro blocos: TV Pirata 1 e 2, que traz o conte\u00fado acima al\u00e9m de s\u00e1tiras &#8211; bem datadas &#8211; \u00e0s novelas Que Rei Sou Eu e Tieta, filmes em cartaz na Tela Morna e na Sess\u00e3o Ressaca, al\u00e9m de comerciais impag\u00e1veis, inspirados no Free (alguma coisa a gente tem em comum), Valisere (o primeiro suti\u00e3), US Top (bonita camisa, Fernandinho) e o presunto Sadia (esse n\u00e3o \u00e9&#8230; Hmmm, t\u00e1 querendo me enganar, \u00e9?).<\/p>\n<p>Os outros dois blocos do primeiro disco s\u00e3o esquetes, relacionadas ao cotidiano. Ali reaparecem invers\u00f5es sociais &#8211; o mendigo doido por cacha\u00e7a e o jovem que quer ser negro, o trio amoroso Shirley-Euclides-Ricard\u00e3o, al\u00e9m do Sindicato das M\u00e3es. Talvez a parte mais compreens\u00edvel do p\u00fablico que n\u00e3o estava neste planeta entre 88 e 92. O segundo disco resgata os 33 cap\u00edtulos de Fogo no Rabo, al\u00e9m de todos os epis\u00f3dios de O Segredo de Darcy &#8211; pessoalmente, preferia assistir apenas alguns e substituir parte deles por qualquer refer\u00eancia a Rala Rala. Afinal, quem tiver f\u00f4lego para rever Barbosa, Reginaldo Nascimento (e seus irm\u00e3os), Nat\u00e1lia, Pen\u00e9lope e Agronopoulos, poderia perfeitamente relembrar \u00cdndio Cleverson, Daniele Aparecida, Cabocla Jupira, Ivanho\u00e9 e a intrag\u00e1vel Nonata.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 simples: os f\u00e3s da \u00e9poca, como a maioria dos trint\u00f5es repletos de inexplic\u00e1veis reminisc\u00eancias oitentistas, v\u00e3o ficar com vontade de assistir mais. E quem n\u00e3o conhecia ter\u00e1 nas m\u00e3os material suficiente para sentir os altos e baixos do programa &#8211; sem deixar de dar risadas. Vai saber de onde surgiram Casseta e Planeta Urgente, Os Normais, Programa Legal e Os Aspones. E vai se perguntar por que diabos ainda insistem na Zorra Total.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante o Carnaval carioca de 1988, os caminh\u00f5es de som da Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed alternavam placas que instigavam o telespectador global: eram as estr\u00e9ias da emissora daquele ano. Uma era &#8220;Tela Quente&#8221;, filmes blockbuster \u00e0s segundas-feiras &#8211; hor\u00e1rio que, at\u00e9 87, pertencia a J\u00f4 Soares, contratado naquele ano pelo SBT. 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