{"id":1012,"date":"2005-02-22T02:43:01","date_gmt":"2005-02-22T05:43:01","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/para-lembrar-de-um-anjo-que-surgiu-no-meu-icq"},"modified":"2005-02-22T02:43:01","modified_gmt":"2005-02-22T05:43:01","slug":"para-lembrar-de-um-anjo-que-surgiu-no-meu-icq","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/para-lembrar-de-um-anjo-que-surgiu-no-meu-icq\/","title":{"rendered":"Para lembrar de um anjo que surgiu no meu ICQ"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/backfut.gif\" align=\"right\">Dias antes do Carnaval de 2002, uma curiosa mensagem chegou na minha caixa postal. &#8220;Oi, te achei no ICQ. Se quiser conversar&#8230;&#8221;. Muito parecida com aquelas que certamente voc\u00ea recebe diariamente, mas sem aquelas babaquices como &#8220;oi, ker tc, de onde vc eh, tem foto&#8221;.<\/p>\n<p>Lembro que, naquele dia, at\u00e9 comentei o fato com uma amiga por ICQ. Na mesma hora, conclu\u00edmos o \u00f3bvio: pessoas que pintam do nada se tornam figuras ef\u00eameras e passageiras.<\/p>\n<p>De qualquer forma, mantive contato com ela. Bia, 25 anos. Moradora de Campinas, com a m\u00e3e. Libriana, mas n\u00e3o acredita em astrologia. Cat\u00f3lica praticante, nasceu no dia de S\u00e3o Judas Tadeu. Pedagoga, valoriza muito a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Como qualquer professora, precisa preencher o resto do tempo para completar seu or\u00e7amento, e ela o faz dando aulas de ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Todo esse levantamento, al\u00e9m de outras hist\u00f3rias que n\u00e3o vem ao caso, feito com a troca de alguns e-mails e dois telefonemas.<\/p>\n<p>Na terceira liga\u00e7\u00e3o, finalmente marcamos um encontro. Deixei o Marmoturbo em frente ao Shopping D na manh\u00e3 do dia 24 de fevereiro e embarquei num Cometa para Campinas, as dez da manh\u00e3. Detalhe importante: apenas ela tinha uma vaga id\u00e9ia da minha fisionomia, gra\u00e7as a uma dessas fotos horrendas com cara de bobo que eu tenho. Para se certificar que n\u00e3o se tratava de nenhum sujeitinho abusado, a m\u00e3e foi at\u00e9 a rodovi\u00e1ria com ela.<\/p>\n<p>&#8211; Andr\u00e9?<br \/>\n&#8211; Bia?<br \/>\n&#8211; Sou eu!<br \/>\n&#8211; Muito prazer!<\/p>\n<p>Cumprimento discreto, mas sorrisos que atestaram a empatia criada logo de cara. At\u00e9 a m\u00e3e dela, aparentemente desconfiada no in\u00edcio, se mostrou &#8220;desarmada&#8221; minutos depois! Antes do almo\u00e7o, fiquei alguns minutos envolvido em \u00e1lbuns de fotografias e hist\u00f3rias do cotidiano &#8211; que continuaram na churrascaria Santa Gertrudes, onde fomos comer.<\/p>\n<p>E aqui, um adendo: se um dia voc\u00ea for a Campinas, prefira outra. O atendimento desta \u00e9 p\u00e9ssimo, e em tr\u00eas anos, certamente piorou. Isso se aquela espelunca n\u00e3o fechou.<\/p>\n<p>Enfim. Se durante as primeiras horas daquele domingo j\u00e1 estava convencido de que a Bia tinha uma presen\u00e7a de esp\u00edrito sem igual, essa conclus\u00e3o ficou mais clara no restante da tarde, quando fizemos um &#8220;tour&#8221; pela cidade &#8211; com escala na Igreja para a missa das cinco.<\/p>\n<p>Passamos em frente ao Mois\u00e9s Lucarelli e ao Brinco de Ouro; fomos at\u00e9 a esta\u00e7\u00e3o de Anhumas acompanhar a sa\u00edda da hist\u00f3rica maria fuma\u00e7a, andamos em frente ao parque Taquaral, esticamos at\u00e9 a Vila S\u00e3o Jos\u00e9 (para lembrar, vagamente, onde era a casa que morei quando tinha uns tr\u00eas anos de idade) e encerramos o dia no Shopping Galeria &#8211; nessa altura do campeonato j\u00e1 troc\u00e1vamos as nossas figurinhas repetidas do \u00e1lbum &#8220;relacionamentos fracassados&#8221;.<\/p>\n<p>Deixei a cidade, j\u00e1 por volta das dez da noite, com aquela sensa\u00e7\u00e3o plena de ter conhecido uma pessoa muito especial, dessas que s\u00f3 a presen\u00e7a j\u00e1 \u00e9 suficiente para lhe trazer paz.<\/p>\n<p>\u00c9 uma pena que esses tais encontros intern\u00e9ticos s\u00e3o, definitivamente, ef\u00eameros e passageiros. Nos vimos pela \u00faltima vez quando fomos juntos \u00e0 Bienal do Livro, em abril daquele ano de Copa do Mundo &#8211; faz tempo. Infelizmente, fica dif\u00edcil arrumar uma brecha em meio as atribui\u00e7\u00f5es di\u00e1rias para dar um telefonema.<\/p>\n<p>Esse post serve como lembrete: telefonar para Campinas nesse dia 24. Perguntar a Bia se ela finalmente casou-se com o amor da vida dela (um de seus objetivos da \u00e9poca). Al\u00e9m de lembr\u00e1-la o mais importante: cuidado ao ignorar aquela mensagem despretenciosa no ICQ: pode ser algum anjo da guarda!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias antes do Carnaval de 2002, uma curiosa mensagem chegou na minha caixa postal. &#8220;Oi, te achei no ICQ. Se quiser conversar&#8230;&#8221;. Muito parecida com aquelas que certamente voc\u00ea recebe diariamente, mas sem aquelas babaquices como &#8220;oi, ker tc, de onde vc eh, tem foto&#8221;. 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