{"id":1000,"date":"2004-12-21T23:52:42","date_gmt":"2004-12-22T02:52:42","guid":{"rendered":"http:\/\/marmota.org\/blog\/porque-gostei-do-carneirinho-da-pixar"},"modified":"2004-12-21T23:52:42","modified_gmt":"2004-12-22T02:52:42","slug":"porque-gostei-do-carneirinho-da-pixar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marmota.org\/blog\/porque-gostei-do-carneirinho-da-pixar\/","title":{"rendered":"Porque gostei do carneirinho da Pixar"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/secoes\/plantao.jpg\" align=\"right\">Antes de mais nada, uma recomenda\u00e7\u00e3o: v\u00e1 ver <a href=\"http:\/\/www.pixar.com\/featurefilms\/incredibles\" target=\"_blank\"><b>Os Incr\u00edveis<\/b><\/a>. Vale cada centavo do seu ingresso &#8211; e n\u00e3o apenas por ser um desenho de super-her\u00f3is, pelo roteiro tipo &#8220;poderia ser a sua vida&#8221;, ou mesmo por levar a chancela da Pixar.<\/p>\n<p>Agora, o assunto principal: o j\u00e1 tradicional curta-metragem, que antecede as anima\u00e7\u00f5es da Pixar. Trata-se de <a href=\"http:\/\/www.pixar.com\/shorts\/bdn\" target=\"_blank\"><b>Boundin&#8217;<\/b><\/a>, escrito, dirigido e narrado por Bud Luckey. Uma decep\u00e7\u00e3o para a maioria dos meus conhecidos que j\u00e1 viram &#8211; entre eles o autor do futuro best-seller &#8220;As Alegrias que o Google me D\u00e1&#8221;, <a href=\"http:\/\/www.galvao.org\/rafael\/blog\" target=\"_blank\"><b>Rafael Galv\u00e3o<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>Pois eu achei sensacional. E antes de come\u00e7ar a explica\u00e7\u00e3o, um aviso: as linhas a seguir <b>contam a hist\u00f3ria do curta-metragem da Pixar<\/b>. Se voc\u00ea detesta spoilers, pare de ler aqui mesmo.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/boundin1712a.jpg\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/boundin1712b.jpg\" align=\"left\">Um texto rimado e compassado apresenta uma paisagem t\u00edpica do sudoeste norte-americano, al\u00e9m do personagem principal: um alegre carneirinho. Nada \u00e9 capaz de lhe tirar o contentamento e a vontade de dan\u00e7ar e sapatear. Seu astral contagia todos os animais que lhe cercam &#8211; entre eles algumas marmotas, que acompanham os passos do ovino, n\u00e3o menos sorridentes.<\/p>\n<p>Claro que s\u00f3 a presen\u00e7a das marmotas j\u00e1 seria um motivo suficiente para definir o filme como impag\u00e1vel.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/boundin1712c.jpg\" align=\"right\">Mas a hist\u00f3ria prossegue. Subitamente, ouve-se o barulho de um caminh\u00e3o. Um bra\u00e7o puxa o carneirinho e o devolve, segundos depois, tosquiada. Sua l\u00e3 formosa e brilhante some, deixando-o com uma apar\u00eancia, bem, digamos&#8230; C\u00f4mica. Claro que as marmotas s\u00e3o as primeiras a fazer chacota, rindo descaradamente do pobre animal.<\/p>\n<p>Deprimido e t\u00edmido, o carneirnho p\u00e1ra de dan\u00e7ar, e se perde diante de algo que julga um grande problema.<\/p>\n<p>Sem perder a rima, o narrador avisa a chegada de um saltitante jackalope  &#8211; esp\u00e9cie de coelho com chifres, lend\u00e1rio personagem do folclore norte-americano. Ele encontra o carneirinho, que conta o seu drama existencial.<\/p>\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/boundin1712d.jpg\"><\/div>\n<p>Sem titubear, o jackalope diz ao carneiro que a l\u00e3 roubada n\u00e3o representa a sua ess\u00eancia, e que a vida \u00e9 especial demais para ser desperdi\u00e7ada por motivos como esse. O coelh\u00e3o finaliza sua sess\u00e3o de auto-ajuda com uma sugest\u00e3o para animar o feiosinho rosado: pular!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/marmota.org\/blog\/images\/boundin1712e.jpg\" align=\"right\">E a dica funciona. O carneirinho come\u00e7a a pular, e diante dessa nova perspectiva, esquece do pequeno problema e volta a sorrir. As marmotas e os outros animais param de zombar, e a vida volta ao normal.<\/p>\n<p>E aqui o detalhe que faz toda a diferen\u00e7a. O tempo passa, a l\u00e3 volta e, novamente, o pequeno carneiro \u00e9 tosquiado. Mas desta vez n\u00e3o h\u00e1 problema: ele mostra que entendeu o recado do jackalope e continua contente, dan\u00e7ando.<\/p>\n<p>Enfim. Al\u00e9m do texto, que \u00e9 praticamente uma poesia, o curta chama a aten\u00e7\u00e3o por outros detalhes: em nenhum momento, os tosquiadores s\u00e3o taxados de mal\u00e9volos. As marmotas n\u00e3o s\u00e3o condenadas por darem risada da vida alheia. E a estranha figura do jackalope errante, que poderia ter mais motivos para desdenhar do mundo, simplesmente deixou sua mensagem e seguiu em frente.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 duelo entre o bem e o mal, nem um pr\u00e9-julgamento de valores. N\u00e3o existe uma tend\u00eancia contr\u00e1ria ou a favor para qualquer dos lados da hist\u00f3ria. Apenas a hist\u00f3ria de algu\u00e9m que superou seus pequenos dramas cotidianos de maneira positiva.<\/p>\n<p>Era tudo que eu precisava ouvir. Mais do que isso, concordo plenamente com a \u00faltima frase: sorte de quem pode cruzar com um jackalope nessa vida. E apesar do mal-humor n\u00e3o passar, n\u00e3o canso de agradecer aos meus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de mais nada, uma recomenda\u00e7\u00e3o: v\u00e1 ver Os Incr\u00edveis. 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