Eu, paraquedista da revista Época

Pode ser que você não se recorde, mas no último mês de maio, o Google investiu cerca de US$ 4 milhões em uma empresa de biotecnologia – fundada por Anne Wojcicki, que contraiu matrimônio com Sergey Brin, um dos donos do oráculo.

Capa de Época, 20/08/2007“Onde essa coisa vai parar?”, perguntei na época, imaginando as possibilidades em relacionar um poderoso mecanismo de busca e a genética humana. Fatalmente esta fantástica junção vai acontecer, mas qualquer indivíduo com algum neurônio funcionando sabe: esse é o tipo de coisa que vai levar anos, e não algumas semanas.

Não foi o que eu pensei ao esbarrar com a Época desta semana, com a manchete “Doutor Google” na capa. “Ah, é lógico que estão falando daquela empresa”, pensei. No exato instante que retirei a revista do mostruário para dar aquela folheada, eu havia me transformado em um “paraquedista”, aos moldes de todos os perdidos que caem a todo instante nos rincões da web.

Na verdade, a matéria não tem nada a ver com isso: trata de pacientes que procuram informações médicas na Internet antes de questionar os médicos. O assunto é bacana, e até vale os R$ 7,90. Mas fui claramente enganado – não pela Época, mas pelas minhas referências. Ou vai dizer que a intenção deles era “caçar paraquedistas”? Francamente.

Os Caça-paraquedistas!É diferente, por exemplo, do saudoso Notícias Populares, que estampou certa vez: “Trabalhadores não podem investir no Over”, fazendo referência ao “overnight”, antigo fundo de investimento que acabou com o Plano Collor, em 1990. Rendia uns 2% ao dia, compensando as perdas da inflação (o Conrado Navarro não só deve lembrar, como certamente explicaria como funciona). Quem tinha alguma grana ia direto pro over – e aquela manchete com certeza assustou muita gente. Na verdade, o texto do NP, perdido em algum caderno, dizia que o assalariado ganhava uma merreca, que não correspondia ao limite mínimo de aplicação. Blé.

A diferença daquele NP para a Época desta semana ilustra bem a diferença entre um caça-paraquedista meia-boca e um “atirador de elite”. Ou, como definiu a Nospheratt, escrever para leitores ou qualquer visitante. No fim das contas, uma coisa não exclui a outra.

Comentários em blogs: ainda existem? (14)

  1. André, vi seu tópico via assinatura RSS e tive que comentar. Eu comprei a revista pelo mesmo motivo, acredite se quiser. Paraquedismo total. Hummmm, será? Eu hein…

    Essa história do Over é bem interessante e é uma ótima idéia para um post no melhor estilo retrô! Vou considerá-la. Aproveito para agradecer pela referência e parabenizá-lo pelo blog. Abração.

  2. Assim como o Navarro também caiu, isso é a coisa mais normal do mundo…
    ele conseguiram o intuito de você ficar ao menos curioso.

    Abração

  3. André: uma impressão que quero dividir com você: quando vi o logo do para-quedista com um “proibido”, logo imaginei que estava sendo lançada uma campanha “CONTRA PARA-QUEDISTAS”. Se o objetivo é estimular ou representar uma “campanha” a favor de para-quedistas “de elite”, seria interessante usar um alvo ou a retícula de uma mira para tanto. Ou estou viajando?

  4. André, pois eu achei genial o cara que “bolou’ a capa.
    A chamada foi perfeita e atingiu o alvo!
    ou seja, a revista vendeu pra caralho esse fim de semana!
    bjos

  5. Às vezes, em meu passeio pelos feeds, me lembro do NP. Mas não acho que eles sejam meia-boca. Eles só são contra a convenção de Genebra: abatem os pára-quedistas antes deles colocarem os pés em seus blogs…
    :P

    abraço

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