Alex Castro e Onde Perdemos Tudo

A maioria das pessoas que começam um blog carregam motivações despretensiosas, não mantém um foco temático, nem estabelecem objetivos. É um passatempo, uma experiência, enfim. Não podemos dizer o mesmo do Liberal Libertário Libertino, o blog do Alex Castro, que evidentemente, você já conhece.

O LLL é um reflexo do estilo de vida peculiar do Alex, atualizado muitas vezes ao dia. O impacto provocado por suas palavras, desde suas análises sobre as muitas prisões que nos impedem de crescer até as mais curiosas historinhas do cotidiano (sem falar nas fotos da sua amiga Cinthia), transformou seu blog em um dos mais populares do Brasil. Não importa se você concorda ou não com as idéias do Alex (apesar dele adorar os críticos, especialmente aqueles sem argumentos tão bons quanto os dele), o importante é ser cativado, de alguma forma, e se transformar em um leitor fiel.

É tudo que qualquer escritor deseja na vida, e o Alex consegue. Genial. Além das prisões, ele distribuiu durante um bom tempo um romance curto, “Mulher de Um Homem Só”, sobre a história da esposa, do marido e da melhor amiga do marido. Lembro de ter feito o download, mas como tudo na minha vida, deixei para ler quando tivesse mais tempo. E apesar da curiosidade, ainda não li.

Há alguns dias, o Alex me escreveu, anunciando sua mais nova empreitada: Onde Perdemos Tudo, um e-book de contos, lançado para venda. Faz todo sentido: se em três anos de blog, a quantidade de leitores fieis só aumenta, inclusive aqueles vindos do Google, que costumam apenas dar uma passadinha de olhos mas acabam se perdendo em seus textos… Por que não apresentar um produto novo e criativo a tantos consumidores em potencial?

O Alex pediu que eu ajudasse na divulgação. Disse que o faria com prazer, mas antes teria que comprar um exemplar. Não demorou muito para que o arquivo pdf chegasse ao meu e-mail. Ou seja, mesmo se quisesse, não tinha mais desculpa.

Pessoalmente, não lembro mais quantos arquivos pdf eu já baixei na vida. Tenho todos guardados em pastas desconexas, mas sempre tive dificuldades para manuseá-los. Com um e-book, a coisa é pior: não é mole devorar muitas páginas diante do computador. E imprimir as 120 paginas de Onde Perdemos Tudo, a princípio, não me parecia uma boa idéia.

Assim, cometi um pequeno delito com a obra do Alex, abrindo mão do belo projeto gráfico, bolado pelo Ricardo Couto: selecionei todo o texto, copiei, colei no word, formatei a página na horizontal com duas colunas e troquei a fonte para tamanho oito. Imprimi frente e verso e grampeei as 11 folhas de sulfite (onze!) como se fossem aquelas famigeradas cópias de capítulos de livros para um trabalho de faculdade. Agora sim poderia ler um e-book sem precisar sair da cama. E foi tranquilo: em menos de duas horas, já tinha devorado as cinco histórias deliciosas.

Agora sim, o que perdemos – Não é todo dia que a gente percebe o quanto nossas reclamações corriqueiras são insignificantes. Talvez nessa semana atípica, diante de um acidente aéreo de grandes proporções, as pessoas tenham lembrado disso. Perdas trágicas mexem com qualquer um, mesmo diante da perda marido que fugira dois meses antes, como em “Quando Morrem os Pêssegos”. Ou durante um misterioso telefonema, em “A Porta”.

Nem toda perda, no entanto, provoca impacto imediato. As vezes a gente leva tempo para se dar conta que aquela sensação mágica, provocada pela presença de outra pessoa, não existe mais. Convenhamos: é normal mudarmos nossas prioridades, deixando antigas histórias para trás. E nem mesmo os ares do centro de Buenos Aires, por exemplo, são capazes de dar vida a memórias passadas. “A Morte do Meu Cachorro” traz essa situação bem comum: “cachorros vivem pouco e morrem todos os dias”.

Pode parecer bobo da minha parte, mas o mais genial de “Onde Perdemos Tudo” são as referências ao título do livro, que aparece tanto no conto de mesmo nome – uma descrição angustiante de um daqueles péssimos reencontros com um grande amor do passado – quanto no misterioso “A Falta que nos Fazem os Figos”. Que, aliás, também faz referência ao autor fictício Jácome Gol, autor da coletânea “Quando Morrem os Pêssegos” e personagem central do último e surpreendente conto.

Se tudo que você esperava era alguém falar bem do livro para baixá-lo, a hora é agora.

Formas de pagamento – Segundo o primeiro balanço sobre as vendas do livro, o Alex faturou trinta doletas em uma semana. Diante da quantidade de possíveis leitores, a conclusão é simples: não é fácil convencer internauta nenhum a desembolsar alguma grana, especialmente quando isso dá trabalho.

A forma mais “brasileira” de se comprar “Onde Perdemos Tudo” é via depósito bancário: sete merréis na conta do autor. Opção bacana, mas só para quem tem conta no Unibanco. Correntistas de outras agências precisam ir ao banco mesmo, ou fazer um DOC, praticamente dobrando o valor da compra.

A preferência, evidente, é pelo site da Amazon, ao custo de três doletas. Certamente a mais fácil entre as opções, mas apesar da tendência positiva a favor do comércio eletrônico, nem todo mundo conta com um cartão de crédito internacional.

Aliás, um dos grandes desafios de qualquer vendedor de produtos ou serviços via web é oferecer ao seu cliente os mais simples e eficazes meios de pagamento. Entre tantos especialistas no ramo, vale uma visita ao blog do Fernando Gonzaga para saber mais sobre o tema.

André Marmota tem uma incrível habilidade: transforma-se de “homem de todas as vidas” a “uma lembrancinha aí” em poucas semanas. Quer saber mais?

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